terça-feira, 16 de novembro de 2010

O derretimento de parte das geleiras pode aumentar ainda mais o degelo


Segundo um novo estudo, a água de degelo que flui através das fendas nas geleiras e lençóis de gelo pode ser o ingrediente secreto responsável por acelerar o aquecimento dos blocos gigantes de gelo, e aumentar a sua velocidade de derretimento à medida que avançam.

Os cientistas desenvolveram um modelo que analisa a forma como esses fatores afetariam a transferência de calor dentro de glaciares e lençóis de gelo. O modelo prevê que a água, fluindo em riachos e córregos na superfície, mesmo criando pequenos lagos de água parada dentro de geleiras, pode ser um agente significativo do aquecimento global.

Os desenvolvedores do modelo dizem que nem é necessária muita água para começar a aquecer os arredores das geleiras. Negligenciar esse fato tem sido uma das razões pelas quais os modelos não têm sido capazes de reproduzir o que realmente estava acontecendo.

Segundo os pesquisadores, os cientistas pensavam que a água derretida se movia pelo gelo rapidamente antes de atingir o mar. Após um exame mais detalhado, eles descobriram que a água aparentemente passa mais tempo dentro do gelo do que os cientistas percebiam.

Isso é preocupante, já que muito gelo está derretendo. A Grande Geleira da Groenlândia, que tem milhares de metros de espessura e acolhe muitos glaciares, é um exemplo. O clima está esquentando na Groenlândia, por isso há mais derretimento na superfície. Ao longo da década passada, cada vez mais a geleira derreteu.

Os modelos anteriores não haviam sido capazes de explicar as observações dos cientistas do derretimento das camadas de gelo e geleiras, mas o novo modelo introduz um mecanismo possível para explicar como as mudanças na temperatura da superfície podem afetar a temperatura no fundo do gelo espesso.

Anteriormente, os cientistas pensavam nesse derretimento como um processo de condução, muito lento. Os pesquisadores compararam o processo de condução no interior das geleiras a um processo comum na cozinha. Por exemplo, se você colocar um peru congelado no forno, demora um pouco para o centro da ave congelada sentir os efeitos do calor. O novo modelo é uma maneira de trazer o calor da superfície muito mais rapidamente para o centro das geleiras do que através da condução.

Uma das descobertas mais importantes do trabalho recente é que o efeito do degelo (da água derretida) no aquecimento no interior das geleiras pode aumentar rapidamente a taxa de aquecimento dos corpos de gelo.

Uma pequena mudança na temperatura pode realmente ter um impacto bastante grande no aumento do fluxo e velocidade desse aquecimento. As mudanças devem acontecer na ordem de décadas, em vez de ao longo de milênios, como modelos anteriores indicavam.

Os resultados encontrados até agora são baseados só no modelo, mas os pesquisadores já partiram para Grande Geleira da Groenlândia para levantar dados que confirmem as descobertas.[OurAmazingPlanet]

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