segunda-feira, 28 de março de 2011

Sal marítimo pode dificultar recuperação nuclear no Japão


O sal corrosivo da água do mar pode ser mais um problemas na usina nuclear de Fukushima Daiichi, danificada há duas semanas pelo grande terremoto, seguido de um tsunami no Japão.

A violência das águas destruiu as unidades de controle que tinham o objetivo de manter a refrigeração da água que flui através dos reatores em caso de emergência, obrigando os operadores da usina a utilizar água do mar para resfriar seus reatores e tanques de armazenamento de combustível.

Agora, os especialistas estão preocupados quanto aos possíveis efeitos prejudiciais do depósitos de sal em reatores e sistemas de refrigeração. A água do mar ferve por conta do intenso calor do combustível, mas as partículas salinas permaneces no local.

Aproximadamente 26 toneladas de sal já podem ter sido acumuladas na unidade 1 do reator, enquanto acredita-se que as unidades maiores 2 e 3 contenham o dobro dessa quantidade. As estimativas são de Richard Lahey, que era chefe de pesquisa de segurança em reatores de água fervente da General Electric quando a empresa os instalou em Fukushima Daiichi.

Lahey conta que um grupo internacional de especialistas nucleares foi criado para solucionar o problema. A ideia é tentar inundar com água fresca, o mais rápido possível, os compartimentos em que o sal está armazenado na tentativa de mandar os depósitos volta para o mar.

A preocupação, de acordo com Lahey, é que o sal forme camadas de revestimento sobre as locais que armazenam o combustível, fazendo com que eles se aqueçam ainda mais rápido, o que anula o objetivo primordial de resfriamento através da água.

Andrew Sherry, do Centro Nuclear do Instituto Dalton, da Universidade de Manchester, Inglaterra, alerta para dois outros problemas que podem surgir.

Um deles é a possibilidade dos depósitos de sal entupirem tubos, bombas e válvulas do sistemas de refrigeração, impedindo-os de funcionar corretamente quando a usina voltar a funcionar.

“Os resíduos vão restringir o fluxo, não há dúvida sobre isso”, garante Sherry. “Se isso leva a problemas graves nas bombas ou nas válvulas de abertura, eu não sei”.

A segunda é que o cloreto de sódio presente no sal pode estar criando buracos na camada externa de revestimento de óxido de zircônio dos locais de armazenamento de combustível. Essa corrosão poderia chegar até o combustível radioativo, formando buracos e rachaduras que permitiriam a liberação de elementos radioativos, o que agravaria a situação de intoxicação radioativa no ambiente.

Isso poderia levar a novos danos provenientes de outras fontes, principalmenteas explosões de gás hidrogênio liberado a partir de reações de óxido de zircônio com vapor d’água, o que ocasiona a liberação de vapores contendo iodo-131 e césio-137, substâncias altamente radioativas.

Nos últimos dias, os níveis de ambos os isótopos têm aumentado no solo, na água do mar, em alimentos e na água potável na região. No dia 24, foram registrados níveis de iodo-131 duas vezes acima do limite de segurança na água da torneira das residências de Tóquio, a 220 quilômetros ao sul da usina. Autoridades do país chegaram a desaconselhar a utilização de água no leite em pó para bebês. A proibição durou apenas um dia devido à queda no nível preocupante, mas o alerta permanece.

Os níveis de substâncias radioativas no leite e nos vegetais produzidos perto da usina nuclear também têm aumentado a ponto de os residentes da província de Fukushima serem advertidos para não comer espinafre nem outros vegetais de folhas verdes.

Se o sal está contribuindo para os problemas ou não, Sherry diz que seria útil livrar-se dele de qualquer maneira. “Em última análise, pretendemos expulsar a água do mar completamente e restabelecer as condições normais de funcionamento químico do sistema de reator”, afirma.

Há sinais encorajadores de que esse processo pode prestes a acontecer. Até o dia 24, a energia tinha sido restabelecida em todos os seis reatores de Fukushima, assim como as luzes voltaram a funcionar na sala de controle das unidades 1 e 3. Antes disso, trabalhadores eram obrigados a passar a jornada na escuridão completa.

Mais importante, os trabalhadores também estão perto de testar uma bomba de refrigeração que, pela primeira vez, é capaz de injetar água fresca ao invés de água do mar no reator da unidade 3.

Apesar da boa notícia, uma nota triste. Dois trabalhadores tiveram de ser hospitalizados após caminhar na água contaminada radioativamente durante a instalação dos equipamentos necessários.

[NewScientist]

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