sexta-feira, 25 de março de 2011

O Despertar dos Mágicos (35). De Aristarco de Samos aos astrônomos de 1900, a humanidade levou vinte e dois séculos para calcular


Estou a ver. . . - disse lentamente Jorge -mas eu já vi tanta coisa! Quando era garoto, na Luisiana, apareceu um pregador que anunciou o fim do Mundo para o próximo domingo. Houve centenas de tipos que o acreditaram. Alguns chegaram a vender as suas casas. Mas ninguém se enfureceu no domingo a seguir. As pessoas pensaram que ele apenas errara um pouco os cálculos, e muitas delas ainda o acreditam.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

Caso não te tenhas apercebido disso, faço-te notar que não estamos na Luisiana. Estamos os dois sozinhos, no meio de centenas de monges. Eu adoro-os, mas preferia estar longe quando o velho lama se aperceber de que a operação falhou.
Há uma solução. Uma pequenina sabotagem inofensiva. O avião chega dentro de uma semana e a máquina acaba o trabalho dentro de quatro dias, à razão de 24 horas por dia. Basta-nos começar a reparar qualquer coisa durante dois ou três dias. Se calcularmos bem, podemos estar lá em baixo, no aeroporto, quando o último nome sair da máquina.
Sete dias mais tarde, enquanto os pequenos pôneis das montanhas desciam o caminho em espiral, Hanley disse:
Sinto um pouco de remorsos. Não fujo por medo, mas porque me faz pena. Não gostaria de ver a cara daqueles pobres homens quando a máquina parar.
Na minha opinião - disse Chuk -, eles desconfiaram que fugimos, o que os deixou indiferentes. Agora já sabem até que ponto a máquina é automática, e que não precisa de vigilância. E supõem que não haverá nenhum depois.

Jorge voltou-se para trás e olhou.
Os edifícios do mosteiro apareciam em silhueta escura sobre o poente. De vez em quando brilhavam pequeninas luzes sob a massa sombria das muralhas, como as vigias de um navio singrando no mar. Lâmpadas elétricas colocadas sobre o circuito da máquina n.o 5.
Que aconteceria ao computador elétrico? - pensou Jorge.

- Na sua fúria e desapontamento iriam os monges destruí-lo? Ou então recomeçariam tudo?

Como se ainda lá estivesse, via o que naquele momento se passava sobre a montanha atrás das muralhas. O grande lama e os seus assistentes examinavam as folhas, enquanto alguns noviços recortavam os nomes barrocos e os colavam no enorme caderno. E tudo aquilo era feito em religioso silêncio. Só se ouviam as teclas da máquina, batendo no papel como se fosse chuva miúda. O próprio computador, que combinava milhares de letras por segundo, estava completamente silencioso... A voz de Chuk interrompeu o seu devaneio:

- Lá está ele! Que grande alegria que dá!

Semelhante a uma minúscula cruz prateada, o velho avião de transportes D.C. 3 acabava de pousar lá em baixo no pequeno aeródromo improvisado. Aquela visão dava vontade de beber um grande copo de uísque gelado. Chuk começou a cantar, mas depressa se calou. As montanhas não o encorajavam. Jorge consultou o relógio.

- Estaremos lá dentro de uma hora - disse. E acrescentou:
- Pensas que o cálculo já terminou?
Chuk não respondeu e Jorge levantou a cabeça. Viu o rosto de Chuk muito branco, voltado para o céu.
- Olha - murmurou Chuk.
Jorge, por sua vez, levantou os olhos.
Pela última vez, por cima deles, na paz das alturas, uma a uma as estrelas começavam a extinguir-se. . .
Onde os autores, que não são nem muito crédulos, nem muito incrédulos, se interrogam a respeito da Grande Pirâmide. - E se existissem outras técnicas? - O exemplo hitleriano. - O império de Almançor. - Muitos fins do Mundo. -A impossível ilha de Páscoa. - A lenda do Homem Branco. - As civilizações da América. - O mistério Maia. - Da ponte de luz, à estranha planície de Nazca. - Onde os autores não passam de pobres quebradores de pedras.
De Aristarco de Samos aos astrônomos de 1900, a humanidade levou vinte e dois séculos para calcular com uma aproximação satisfatória a distância da Terra ao Sol: 149400000 quilômetros. Teria bastado multiplicar por um bilhão a altura da pirâmide de Kéops, construída 2900 anos antes de Jesus Cristo.
Hoje sabemos que os Faraós depositaram nas pirâmides os resultados de uma ciência da qual ignoramos a origem e os métodos. Ali se volta a encontrar o número n, o cálculo exato da duração de um ano solar, do raio e do peso da Terra, a lei de precessão dos equinócios, o valor do grau de longitude, a direção real do Norte, e talvez muitos outros dados ainda por decifrar. De onde vêm estas informações? Como foram obtidas? Ou transmitidas? E, nesse caso, por quem?
Para o padre Moreux, Deus deu aos homens antigos conhecimentos científicos. Eis-nos em plena imaginação. Escuta, ó meu filho: o número 3, 14116 permitir-te-á calcular a superfície de um círculo! Para Piazzi Smyth, Deus ditou estas informações a Egípcios demasiado ímpios e ignorantes para poderem compreender aquilo que inscreviam na pedra. E por que motivo Deus, que tudo sabe, se teria tão estrondosamente enganado sobre a qualidade dos seus alunos? Para os egiptólogos positivistas, as mensurações efetuadas em Gizé foram falseadas por investigadores iludidos pela sua ânsia de maravilhoso: nenhuma ciência está inscrita. Mas a discussão vacila entre as decimais, e nem por isso a construção das pirâmides deixa de ser o testemunho de uma técnica que para nós continua a ser totalmente incompreensível. Gizé é uma montanha artificial de 6 500 000 toneladas.
Tem blocos de doze toneladas ajustados com uma precisão de meio milímetro. A idéia mais banal é a que geralmente se admite: o Faraó disporia de uma mão-de-obra colossal. Restava explicar como foi resolvido o problema do atravancamento dessas imensas multidões. E os motivos de um tão louco empreendimento. E a maneira como foram os blocos extraídos das pedreiras. A egiptologia clássica não admite como técnica senão o emprego de cunhas de madeira molhada introduzidas nas fendas da rocha. Os construtores só deviam dispor de martelos de pedra, e de serras de cobre, metal mole.
Eis o que adensa o mistério. De que forma foram içadas e unidas pedras cortadas com dez mil quilos e mais de peso? No século XIX tivemos a maior dificuldade em transportar dois obeliscos que os Faraós transportavam às dúzias. De que forma é que os Egípcios se iluminavam dentro das pirâmides? Até 1890 só conhecemos as candeias com chama que se alonga e enegrece o teto. Ora não se vislumbra nas paredes o menor vestígio de fumo. Captariam a luz solar fazendo-a penetrar por meio de um sistema óptico? Não foi encontrado o mais pequeno fragmento de lente.
Não se encontrou nenhum instrumento de cálculo científico, nenhum vestígio como testemunho de uma grande tecnologia.
Das duas uma: ou temos de admitir a tese místico-primária: Deus dita informações astronômicas a obreiros obtusos mas aplicados e dá-lhes uma ajuda. Então há informações inscritas nas pirâmides. Os positivistas, à falta de argumentos, declaram que se trata de uma coincidência. Quando as coincidências são tão claramente exageradas, como diria Fort, como se lhes deve chamar? Ou temos de admitir que arquitetos e decoradores surrealistas, para satisfazerem a megalomania do seu rei, mandaram, segundo medidas que lhes passaram pela cabeça ao acaso da inspiração, extrair, transportar, decorar, erguer e ajustar perfeitamente os 2 600 000 blocos da grande pirâmide por empreiteiros que trabalhavam com pedaços de madeira e serras de cortar cartão atropelando-se uns aos outros.
As coisas datam de há cinco mil anos e nós ignoramos quase tudo. Mas o que sabemos é que as pesquisas foram feitas por pessoas para quem a civilização moderna é a única civilização técnica possível. Partindo deste critério, temos de imaginar que tiveram, ou o auxílio de Deus, ou um colossal e estranho trabalho de formigas. No entanto, é possível que um pensamento completamente diferente do nosso possa ter concebido técnicos tão aperfeiçoadas como as nossas, mas diferentes, instrumentos de medida e métodos de manipulação da matéria sem relação com os que nós conhecemos, e que não tenham deixado, a nossos olhos, nenhum vestígio aparente. Pode ser que uma ciência e uma tecnologia poderosas, que deram soluções diferentes das nossas aos problemas postos, tenham desaparecido totalmente com o mundo dos Faraós. É difícil acreditar que uma civilização possa morrer, extinguir-se. É ainda mais difícil acreditar que possa ter divergido da nossa a tal ponto que temos certa relutância em reconhecê-la como civilização. E no entanto!...
Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, a 8 de Maio de 1945, a Alemanha vencida começou imediatamente a ser percorrida por missões de investigação. Os relatórios dessas missões foram publicados. Só o catálogo contém 300 páginas. A Alemanha só se separou do resto do mundo a partir de 1933. Em doze anos, a evolução técnica do Reich tomou caminhos singularmente divergentes. Se os Alemães estavam em atraso no domínio da bomba atômica, puseram em estado de funcionar foguetões gigantescos sem equivalente na América ou na Rússia. Se ignoravam o radar, produziram detectores de raios infravermelhos, igualmente eficazes. Se não inventaram os silicones, desenvolveram uma química orgânica completamente nova.

Imagem: pirâmide de Qéops. delta.blogs.sapo.pt

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