domingo, 2 de janeiro de 2011

No passado, peixes podem ter nadado através do Saara


Esqueça tudo o que você achava impossível: pesquisadores descobriram que peixes podem ter nadado através do Saara, há muito tempo atrás.

A descoberta pode lançar luz sobre como a humanidade migrou da África. O berço da humanidade fica ao sul do Saara, o que suscita a questão de como a nossa espécie conseguiu atravessá-lo para chegar a outros locais.

O Saara é o maior e mais quente deserto do mundo. Isso parece um obstáculo grande o suficiente para qualquer ser humano que se esforçar para migrar para fora do continente.

Os cientistas se focavam no Vale do Nilo como o corredor pelo qual os seres humanos deixaram a África. No entanto, os esforços consideráveis de pesquisa não conseguiram descobrir evidências para a sua utilização consistente por pessoas que deixaram o continente. Também, o quão úmido o local tem sido ao longo do tempo é controverso.

Agora, uma nova pesquisa parece ter respostas mais suficientes: no passado, peixes parecem ter nadado através do Saara, durante a sua última fase “molhada”, em algum momento entre 10.000 e 6.000 anos atrás.

Utilizando imagens de satélite e mapas digitais da paisagem, os pesquisadores descobriram um Saara coberto por uma densa rede de rios, lagos e deltas interiores. Essa grande hidrovia canalizou animais para dentro e através do Saara durante sua fase “verde e molhada”.

Os pesquisadores encontraram evidências de que muitas criaturas, incluindo aquáticas, se dispersaram do Saara recentemente. Por exemplo, 25 espécies de animais do norte da África têm populações ao norte e ao sul do Saara, com pequenos refúgios no deserto, incluindo bagres (Clarias gariepinus), tilápias (Tilapia zillii), peixes jóias (Hemichromis letourneuxi) e caramujos de água doce, como o caramujo trombeta (Melanoides tuberculata).

De fato, mais animais podem ter atravessado o Saara do que o corredor do Nilo. Segundo os pesquisadores, apenas 9 espécies de animais que ocupam o corredor do Nilo hoje também são encontradas ao norte e ao sul do Saara.

Se peixes poderiam ter atravessado o Saara, humanos também poderiam. Análises de línguas africanas e artefatos sugerem que vias antigas afetaram como os seres humanos ocuparam o Saara. Por exemplo, falantes de línguas nilo-saariana viveram em todo o Saara central e sul, e podem ter caçado criaturas aquáticas com pontas de osso farpado e anzóis.

Além disso, os sedimentos de lagos antigos sugerem que o Saara era verde cerca de 125.000 anos atrás, quando os humanos anatomicamente modernos provavelmente começaram a migrar para fora da África.

O próximo passo pode ser definir quando as espécies atravessaram o Saara. A análise genética de peixes, ou a data das orlas costeiras, podem ajudar a identificar tais momentos. No entanto, novas pesquisas sobre o passado do Saara podem ser difíceis, pois alguns dos países da região são considerados muito perigosos para visitar devido à atividade terrorista ou guerra civil. [LiveScience]

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