quarta-feira, 8 de junho de 2011

O núcleo do nosso planeta pode estar a derreter


Pretória (Canalmoz) – Cientistas da Universidade de Leeds, Inglaterra, afirmam que o centro da Terra pode estar a derreter e que isso afectaria actividades na superfície.

O núcleo da Terra é formado por uma bola de ferro com 2,4 mil quilómetros, quase do tamanho da lua. Essa bola é cercada por uma camada feita de uma liga líquida de ferro e níquel, uma camada viscosa e, por cima de tudo, a crosta sólida que forma a superfície do planeta.

Quando a Terra esfria de fora para dentro, a camada mais externa lentamente congela. Isso tem feito com que a camada central cresça aproximadamente um milímetro por ano. Contudo, cientistas ingleses verificaram que a camada mais interna pode estar derretendo.

“A visão tradicional é a de que o núcleo da Terra está a congelar e a crescer progressivamente, mas, aparentemente, há algumas regiões que estão a derreter”, disse o pesquisador Sebastian Rost, da Universidade de Leeds, Inglaterra. “O calor que vem do núcleo mostra que ainda há partes congeladas, mas o processo não é uniforme”. Enquanto o interior da Terra esfria, matéria quente e fria se misturam em um processo conhecido como convecção. A perturbação dos materiais, junto do movimento de rotação, é o que cria o campo magnético do planeta.

Usando modelos de convecção por computador, juntamente com dados sismológicos, pesquisadores verificaram que o fluxo de calor na fronteira entre o núcleo e o manto dependia da natureza do manto, que é suficiente para forçar o calor de volta para o centro, fazendo-o derreter em alguns pontos. “Apenas uma fracção do núcleo pode estar a derreter”, disse o geofísico da Universidade de Leeds, Jon Mound. “Contudo, pelo tamanho da bola, mesmo 1% corresponde a 200 mil quilómetros quadrados”.

Por exemplo, em grande áreas sob a África e o Pacífico onde o manto mais interno é mais quente que em outros pontos, as camadas podem começar a derreter o núcleo. Por outro lado, em baixo de uma região sísmica activa, chamada de “círculo de fogo”, zona do Pacífico com alta actividade vulcânica, placas geladas do oceano que são sugadas para dentro do manto acabam esfriando o núcleo, ajudando a congelar. Isso sugere que “a dinâmica do centro da Terra está ligada às placas tectónicas, o que não havia sido descoberto antes”, disse Mound.

A pesquisa também poderia explicar anomalias sísmicas detectadas em pesquisas anteriores, que sugerem que há uma camada densa de líquido em volta do núcleo. “A teoria sobre o derretimento também explicaria outras observações sísmicas, por exemplo, porque ondas sísmicas de terramotos viajam mais rápido em algumas partes do núcleo do que outras”, disse Rost. (Redacção/[OurAmazingPlanet])