quinta-feira, 12 de julho de 2012

Misteriosa estrutura oculta do universo é observada pela primeira vez


Os últimos dias estão sendo agitados no campo da astrofísica. A empolgação geral com a comprovação da existência do bóson de Higgs praticamente encobriu outra descoberta fascinante: a matéria escura foi identificada diretamente pela primeira vez.
Pesquisadores do Observatório da Universidade de Munique, na Alemanha, detectaram uma gigantesca cadeia de matéria escura entre dois super-aglomerados de galáxias, Abell 222 e Abell 223. Astrônomos já haviam pressuposto que o espaço entre as galáxias era composto por matéria escura e fria, mas ela nunca havia sido detectada diretamente. Essa descoberta ajudará os cientistas a entender a evolução do universo.
O universo é preenchido com filamentos de matéria escura, uma misteriosa substância que não pode ser vista. Cientistas sabem que essa obscura estrutura existe porque ela pode ser detectada através de sua atração gravitacional. Calcula-se que a matéria escura componha cerca de 83% da massa de nosso universo.
Alguns cientistas eram céticos com a possibilidade de detectar filamentos de matéria escura atualmente, acreditando que seria necessário esperar por telescópios mais avançados. Mas graças à geometria espacial rara desses dois aglomerados de galáxias, os cientistas alemães conseguiram detectar sinais do que é conhecido como lente gravitacional fraca. O efeito dessa lente gravitacional faz com que a luz de um objeto, como uma galáxia, apareça com sua imagem inclinada na Terra quando passa perto de um aglomerado massivo.
A descoberta
A estrutura de matéria escura encontrada aparece justaposta com a distribuição de matéria comum, o que permite uma comparação sem precedentes entre as duas fontes de gravidade. A matéria escura pode ser detectada porque a forte gravidade do filamento que une os dois aglomerados de galáxias – que ficam a 2,7 bilhões de anos-luz de distância da Terra – funciona como uma lente para a luz que vem de galáxias mais distantes em direção ao nosso planeta. Astrônomos usaram essa luz para calcular a massa e o formato do filamento.
A partir de raios-X emitidos pelo gás quente de matéria comum, cientistas descobriram que essa matéria compõe apenas 9% da massa do filamento. Outros 10% podem ser atribuídos às estrelas e galáxias visíveis. E o restante? A famosa matéria escura, que conecta aglomerados de galáxias pelo universo.
Entender a relação entre a matéria comum e a matéria escura pode ajudar os cientistas a entenderem como a matéria escura é formada, e consequentemente, entender a estrutura do universo. No futuro – não tão distante, esperamos – poderá ser possível descobrir o que compõe a obscura e misteriosa matéria escura. [MSN/AstroNews]