sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pesquisadores remontam “Carro de Fórmula 1” do Egito Antigo


Entre 1333 a.C e 1323 a.C, o Egito foi governado pelo faraó Tutancâmon. Estes dez anos em que ele passou no poder renderam uma vasta quantidade de tesouros recolhidos e objetos variados que ficaram como legado, para a humanidade pesquisar mais sobre a vida dos antigos faraós. Entre os saldos, foram descobertas, em 1922, carruagens desmontadas, que eram de uso pessoal do “Rei Tut”. Hoje, 88 anos depois do achados do museu britânico, estas carruagens foram montadas e analisadas, e se descobriu que eram velozes e aerodinâmicas como nenhum outro veículo da Antiguidade: verdadeiros carros de corrida da época.

Foram remontadas, no total, seis carruagens de Tutancâmon. Duas grandes e pomposas, que os pesquisadores acreditam ter servido para desfiles e ocasiões especiais, uma menor e pouco menos decorada, e três rápidas e leves para uso diário. Estas últimas, conforme a análise de um pesquisador do Centro de Robótica de Milão (Itália), “foram os Ferrari da antiguidade. Ostentavam um design elegante e uma tecnologia extremamente sofisticada, surpreendentemente moderna”.

Na semana passada, 3333 anos depois de terminado o reinado de Tutancâmon, uma de suas carruagens, a mais leve e veloz, fez uma viagem para fora do Egito pela primeira vez. O carro participou, na Times Square de Nova Iorque, de uma exposição de âmbito mundial. Seu curador, o americano David Silverman, conta suas impressões sobre o veículo: “Parece que o rei realmente usou essa carruagem em guerras, em caça e para passeios. É menor, mais leve, mais rápido e não tem na decoração. Um pneu é muito usado, o outro é mais recente. Você não substitui os itens a não ser que espere voltar a usá-los, ou seja, ele fazia uso frequente desta carruagem”.

Segundo as avaliações dos pesquisadores, estes carros mostram que os egípcios foram pioneiros em algumas ciências, já que são uma demonstração prática da aplicação de conceitos da cinemática, dinâmica e princípios de lubrificação. As rodas são revestidas por uma espécie de pneu, que não era de borracha, mas de um aro de madeira flexível, que se adapta às irregularidades do solo. As rodas também são feitas de madeira elástica, que absorve uniformemente o peso da carruagem. Assim, as vibrações são amortecidas pela própria roda, da mesma forma que as suspensões inteligentes em nossos carros atuais (e só nos mais modernos!).

Os rolamentos, por sua vez, são construídos explorando um princípio moderno da física, do atrito entre um material duro e um material macio, com aplicação de graxa animal entre as superfícies. A graxa reduz o atrito e aumenta a duração de cada jornada da carruagem. Havia molas, amortecedores, tudo.
Não há provas de que se fabricavam carros de corrida já naquela época (as famosas corridas de bigas, em Roma, só começariam mais de mil anos depois. Roma, aliás, não era absolutamente nada naquela época), mas as características do veículo levam alguns historiadores a crer que aqueles eram usados em competições.

Assim, o resultado de toda essa tecnologia é uma carona que oferecia conforto e suavidade, mesmo em velocidades superiores a 40 km/h (certamente alta para a época) em um solo irregular como é o egípcio.

E ainda há um grande debate sobre o próprio Tutancâmon, proprietário dos maravilhosos veículos. Quando a múmia do faraó foi descoberta, no mesmo ano de 1922, notou-se que tinha uma perna fraturada. Teorias afirmam que ele possa ter morrido ao cair de uma de suas carruagens. Infelizmente não há registros sobre isso, e talvez o motivo da morte do faraó fique para sempre no campo da especulação. [msnbc]

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