quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Árvores precisam de “sexo” para sobreviver


Você, leitor informado, provavelmente estranhou o título acima – mas é isso que aponta uma pesquisa com uma espécie (a faia), que cientistas acreditavam que podia se propagar através de mera clonagem.

Obviamente, o sexo das árvores não é como o sexo de humanos. As árvores são fertilizadas por outras companheiras através de pólen propagado pelo vento. A árvore que entra em contato com essa substância vinda de outra árvore da mesma espécie produz sementes que podem gerar outra planta.

A faia, no entanto, é diferente. Alguns cientistas acreditavam que certos representantes da espécie poderiam, de certa forma, “viver eternamente”, já que elas podem se reproduzir de forma não-sexuada – clonando a si mesmas.

Isso não quer dizer que a faia não pode se reproduzir com outras “colegas”, mas a planta recorre à “clonagem” quando não há outras faias ao seu redor – tornando impossível a reprodução sexuada. Ela simplesmente faz com que brote uma nova árvore de suas raízes, que tem a mesma carga genética que ela, ou seja, idêntica a sua “mãe”. Essa estratégia já ajudou as faias a evitar a extinção.

E isso não é uma capacidade exclusiva da faia. Aficionados por jardinagem de plantão sabem que algumas plantas podem gerar outras se uma muda for transplantada para outro lugar. A muda, em essência, é a mesma planta do que sua “mãe”, mas forma um organismo completamente independente – como um clone.

Mas isso significa que a planta, principalmente a faia, que faz essa clonagem como algo espontâneo, poderia viver para sempre. Afinal, a faia poderia se reproduzir infinitamente através desse processo, vivendo, em teoria, para sempre.

Mas pesquisadores da University of British Columbia, no Canadá, descobriram que a história não é bem assim. A fertilidade dos clones vai diminuindo a cada geração, até que chega a um ponto em que a última árvore clonada não consegue mais se reproduzir (através de clonagem ou de reprodução sexuada).

Isso quer dizer que as faias precisam, eventualmente, se reproduzir sexualmente, ou então morrem.

Para fazer a descoberta, os pesquisadores compararam o DNA das plantas originais e de seus clones, buscando por mutações genéticas que poderiam ter ocorrido devido à clonagem. Eles também buscaram diferenciar os primeiros clones dos últimos. Foi então que eles descobriram o declínio da fertilidade, concluindo que a faia não pode ter “vida eterna”.

Você sabia que a maior população de faias clonadas do mundo se chama “Pando” – significa “eu me espalho”? Acredita-se que a faia original tenha mais de 80 mil anos e, como toda a população de faias da região seria, em essência, a mesma, ela seria o organismo vivo mais velho e mais pesado do mundo. [BBC]

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