quinta-feira, 28 de abril de 2011

Encontrado cérebro preservado de 2.500 anos atrás


Cientistas ingleses se espantaram com o que encontraram dentro de um crânio humano de 2.500 anos: o cérebro da pessoa continuava lá. A descoberta do cérebro – de aparência mais amarelada, mais enrugado e encolhido que o normal – levantou questões sobre como esse tipo de órgão frágil poderia ter sobrevivido tanto tempo e com que frequência este tipo estranho de preservação ocorre.

É comum encontrar crânio datados de tanto tempo atrás, mas eles estão sempre vazios.

Exceto o cérebro, todos os tecidos moles do crânio se foram quando o crânio foi retirado de um poço lamacento da Idade do Ferro, onde a Universidade de York, Inglaterra, planejava construir novos prédios em seu campus.

“Foi simplesmente incrível pensar que o cérebro de alguém que tinha morrido tantos milhares de anos atrás poderia persistir apenas por estar em um ambiente úmido”, surpreende-se Sonia O’Connor, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Bradford, Inglaterra. O’Connor liderou uma equipe de estudiosos que avaliou o estado do cérebro depois que foi encontrado, em 2008, e analisou os possíveis modos ​​de preservação.

“É particularmente surpreendente porque, se você falar com patologistas que lidam com cadáveres frescos, eles dizem que o primeiro órgão a se deteriorar e basicamente virar líquido é justamente o cérebro, por causa de seu alto teor de gordura”, explica O’Connor.

Quando foi encontrado, o crânio – que pertencia a um homem, provavelmente entre 26 e 45 anos – foi acompanhada por uma mandíbula e duas vértebras do pescoço, revelando evidências de enforcamento seguido de decapitação. Marcas de corte no interior do pescoço indicam que a cabeça foi cortada enquanto ainda havia carne nos ossos, segundo O’Connor. Não há, contudo, nenhuma indicação de porque ele foi enforcado ou por que seus restos mortais ainda não haviam sido encontrados até 2008.

Mais de uma década antes, O’Connor esteve envolvida na descoberta de 25 cérebros preservados da era medieval na área de Kingston-upon-Hull, na Inglaterra. Além dos cérebros, foram encontrados apenas os ossos. Todos os outros tecidos moles haviam desaparecido.

Neste sentido, o cérebro – chamado de Heslington – e os restos medievais são bastante diferentes das múmias, corpos congelados ou intencionalmente preservados, porque nesses casos outros tecidos moles – como pele, músculos e assim por diante – também são preservados. Nenhum dos item recém-descobertos mostrou quaisquer sinais de que foram preservados intencionalmente.

O órgão Heslington juntamente com as outras decobertas de O’Connor parecem ter sido enterrados em ambientes úmidos rapidamente após a morte, onde a ausência de oxigênio impediu a putrefação do tecido cerebral. “Porém, mesmo que o ambiente livre de oxigênio pareça ser o elemento-chave, não é possível descartar outros fatores como certas doenças ou alterações fisiológicas – tais como aquelas que acompanham a fome – que podem predispor o cérebro a ser preservado dessa forma”, afirma O’Connor.

Depois de ser depositados no ambiente úmido do poço, o cérebro Heslington começou a mudar quimicamente, tornando-se um material durável. Ele foi reduzido a um quarto de seu tamanho. Os detalhes químicos do material novo ainda estão sob investigação.

Em um estudo ainda não publicado, a equipe de O’Connor reuniu uma lista de outros cérebros preservados da mesma forma encontrados desde 1960. Relatórios como esses normalmente não recebem muita atenção até mesmo no meio da ciência arqueológica. Tanto que, quando arqueólogos descobrem um cérebro preservado, eles tendem a pensar que é o primeiro de tal achado, segundo O’Connor.

“Parte do problema é que os arqueólogos ficam muito felizes em lidar com os restos de esqueletos humanos permanece, mas assim que há qualquer sinal de tecido mole, a situação de torna psicologicamente muito, muito diferente. Você não está mais lidando com um esqueleto, você está lidando com os restos de um cadáver e, claro, um cadáver é uma pessoa morta “, diz.

O crânio foi datado de algum momento entre 673 e 482 antes de Cristo. Os romanos, entretanto, só chegaram à área no ano de 71 depois de Cristo, de acordo com Richard Hall, diretor de arqueologia que a universidade contratou para avaliar o local e cuidar da escavação em Heslington. A área parece ter sido um assentamento permanente com valas dividindo-a em campos e caminhos através dos quais gado poderia ser conduzido, segundo Hall.

Os arqueólogos também encontraram no local evidêcias do que eles acreditam que tenham sido casas com telhados de colmo, bem como um local provavelmente utilizado para armazenamento de água.

Não se sabe ao certo o que o crânio com o cérebro preservado estava fazendo dentro do poço da região. Nenhum outro resto humano foi encontrado no local.

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