quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cientista brasileira descobre verdade por trás da “Cidade dos gêmeos


O pequeno município de Cândido Godói (pouco mais de 6 mil habitantes), no noroeste do Rio Grande do Sul, tem a notoriedade de possuir uma taxa de gêmeos por nascimento muito superior à média. A incidência de univitelinos na cidade é cerca de 1,8%. Em dos bairros, a vila de São Pedro, foi registrado o incrível índice de um par de gêmeos para cada dez nascimentos!

Diante dessa situação, que é verificada na cidade há mais de oitenta anos, algumas teorias foram levantadas. Mas uma cientista gaúcha, Úrsula Matte, parece ter chegado a uma certeza: o motivo é mesmo genético.

Apesar de não parecer uma conclusão surpreendente, esta teoria não era considerada pelos estudiosos antes da geneticista. A suposição mais recorrente estava ligada à passagem do famoso médico nazista Josef Mengele pela cidade. Durante a Segunda Guerra Mundial, Mengele trabalhou como médico no campo de concentração de Auschwitz.

Existem histórias horríveis sobre os experimentos de Mengele: conta-se que injetava corante em olhos de crianças para mudar a cor, emendava veias de gêmeos para tentar criar siameses e deixava prisioneiros sob frio ou pressão extremos para testar sua resistência.

Com o fim da Guerra, Mengele escapou do julgamento e fugiu para a Argentina. Passou um tempo lá, morou no Paraguai e depois começou a rodar por cidades brasileiras. Um dos lugares em que se escondeu foi Cândido Godói. Devido à maioria de descendentes de alemães, era um bom disfarce para o ex-médico alemão. Acreditava-se que ele pudesse ter realizado novos testes científicos com habitantes da pequena cidade gaúcha, mas na realidade não há nenhuma evidência de que Mengele tenha feito experimentos depois do final da Guerra.

Além desta suposição, havia uma outra menos corrente, mas igualmente sem comprovação. Pensava-se que o alto número de gêmeos estivesse relacionado a um componente mineral na água que abastece Cândido Godói, mas essa ideia também foi rechaçada.

A geneticista Úrsula Matte resolveu tirar essa questão a limpo. Para o seu estudo, foi até a vila de São Pedro, que apresenta a fantástica taxa de 10% de gêmeos entre os recém-nascidos. Com população de aproximadamente 350 pessoas, são cerca de 80 famílias vivendo no bairro. A geneticista coletou amostras de 30 dessas famílias, analisando os genes de cada uma.

A observação aconteceu em seis diferentes genes das mães da vila de São Pedro. Um dos genes teve incidência na maioria das mães de gêmeos e em nenhuma das que tiveram filhos não-gêmeos. Este gene, que segue sendo analisado, parece ser a chave do enigma. Aparentemente, o gene carrega uma predisposição à maternidade de gêmeos. [NYTimes]

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