segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Despertar dos Mágicos (69). Fulcanelli, ao falar do mistério das Catedrais, Wiener, ao falar da estrutura do Tempo




Como funciona normalmente o cérebro? Funciona como máquina aritmética binária: sim, não, de acordo, não de acordo, verdadeiro, falso, gosto, não gosto, bom, mau. Como binário, o nosso cérebro é invencível. Grandes computadores humanos conseguiram ultrapassar as máquinas eletrônicas.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

O que é uma máquina aritmética? É uma máquina que, com extraordinária rapidez, classifica, aceita e recusa, arruma os diversos fatores por séries. No fim de contas, é uma máquina que põe ordem no Universo. Imita o funcionamento do nosso cérebro.
O homem classifica. Esta é a sua honra. Todas as ciências são baseadas num esforço de classificação.
Sim, mas existem, também, atualmente, máquinas eletrônicas que não funcionam apenas aritmeticamente como também analogicamente. Exemplo: se se deseja estudar todas as condições de resistência da barragem que se constrói, elabora-se um plano da barragem. Efetuaram-se todas as observações possíveis a respeito desse plano. Fornecem à máquina o conjunto dessas observações. Esta coordena, compara a uma velocidade inumana, estabelece todas as conexões possíveis entre essas mil observações de pormenor, e declara: Se não se reforçar o calço do terceiro pilar desmoronar-se-á em 1984.
A máquina analógica fixou, com o seu olho imóvel e infalível, o conjunto das reações da barragem, depois previu todos os aspectos da existência dessa barragem, assimilou essa existência e deduziu-lhe todas as leis. Ela viu o presente na sua totalidade, estabelecendo a uma velocidade que contrai o tempo todas as relações possíveis entre todos os fatores particulares, e pôde ver, simultaneamente, o futuro. No fim de contas, passou do saber ao conhecimento.
Ora pensamos que o cérebro pode, também ele, em certos casos, funcionar como uma máquina analógica. Quer dizer que ele deve poder:
1º - Reunir todas as observações possíveis a respeito de um caso;
2º - Estabelecer a lista das revelações constantes entre os múltiplos aspectos do caso;
3º - Transformar-se, por assim dizer, no próprio caso, assimilar-lhe a essência e descobrir a totalidade do seu destino.
Tudo isto, evidentemente, a uma velocidade eletrônica, realizando-se dezenas de milhares de conexões numa espécie de tempo atomizado. Esta série fabulosa de operações precisas, matemáticas, é o que por vezes chamamos uma iluminação, quando o mecanismo, por acaso, se põe em marcha. Se o cérebro pode funcionar como uma máquina analógica, pode, igualmente, trabalhar, não sobre a própria coisa, mas sobre uma maquete da coisa. Não sobre o próprio Deus, mas sobre um ídolo. Não sobre a eternidade, mas sobre uma hora. Não sobre a Terra, mas sobre um grão de areia. Quer dizer que deve poder, estabelecendo-se as conexões a uma velocidade que ultrapassa o raciocínio binário mais rápido, sobre uma imagem representando o papel de maquete, ver, como dizia Blake, o Universo num grão de areia e a eternidade numa hora.
Se isto se passasse assim, se a velocidade da classificação, de comparação, de dedução estivesse formidavelmente acelerada, se nossa inteligência se encontrasse, em certos casos, como a partícula no ciclotron, teríamos a explicação de toda a magia. A partir da observação de uma estrela a olho nu, um sacerdote maia teria podido reorganizar no seu cérebro o conjunto do sistema solar e descobrir Urano e Plutão sem telescópio (assim como o provam, parece, alguns baixos-relevos). A partir de um fenômeno no crisol, o alquimista poderia conseguir uma representação exata do átomo mais complexo e descobrir o segredo da matéria. Ter-se-ia a explicação da fórmula segundo a qual: O que está em cima é semelhante ao que está em baixo.
No domínio mais grosseiro da magia imitativa, compreender-se-ia de que forma o mágico pré-histórico, contemplando na sua gruta a imagem do bisão cerimonial, conseguia apreender o conjunto das leis do mundo bisão e anunciar à tribo a data, o local e as épocas favoráveis para a próxima caçada.
Os técnicos da cibernética construíram máquinas eletrônicas que funcionam primeiro aritmeticamente, depois analogicamente. Estas máquinas servem inclusivamente para o deciframento das linguagens cifradas. Mas os sábios são assim: eles recusam-se a imaginar que O que o homem criou possa também sê-lo. Estranha humildade!
Admitimos esta hipótese: o homem possui uma aparelhagem pelo menos igual, senão superior, a qualquer aparelhagem tecnicamente realizável, e destinada a atingir o resultado que se propõe qualquer técnica, a saber a compreensão e o manejo das forças universais. Por que motivo não possuiria ele uma espécie de máquina eletrônica analógica nas profundezas do seu cérebro? Sabemos atualmente que nove décimos do cérebro humano não são utilizados na vida consciente normal e o doutor Warren Penfield demonstrou a existência, em nós, desse vasto domínio silencioso. E se esse domínio silencioso fosse uma imensa sala de máquinas prestes a porem-se em movimento, à espera de uma ordem? Se assim fosse, a magia teria razão.
Temos correios: as secreções dos hormônios ramificam-se em mil locais do nosso corpo para provocar excitações. Temos um telefone: o nosso sistema nervoso; beliscam-me, eu grito; tenho vergonha, coro, etc. Porque não teríamos também um rádio? O cérebro emite talvez ondas que se propagam a grande velocidade e que, como as ondas hiperfreqüências que penetram nos condutores ocos, circulam no interior dos cilindros de mieline que são os nervos. Neste caso possuiríamos um sistema de comunicações e conexões desconhecido. O nosso cérebro emite talvez sem cessar tais ondas, mas os receptores não são utilizados, ou então não começam a funcionar senão em raras ocasiões, como esses postos de T.S.F. mal sintonizados que um choque torna por instantes sonoros.
Eu tinha sete anos. Encontrava-me na cozinha, ao lado de minha mãe, que lavava a louça. A minha mãe pegou num esfregão para retirar a gordura dos pratos, e pensou, nesse mesmo momento, que a sua amiga Raymonde chamava esse objeto uma relavote (de lavar, limpar). Eu estava a tagarelar, mas, nesse próprio segundo parei e disse: a Raymonde chama a isto uma relavote. Não me recordaria deste incidente se minha mãe, vivamente impressionada, não mo tivesse várias vezes recordado, como se tivesse adivinhado um grande mistério e sentido, num bafo de alegria, que eu era ela, e que recebera uma prova mais do que humana do meu amor. Mais tarde, quando eu a fazia sofrer, nos momentos de trégua ela evocava esses segundos do encontro, como que para se convencer de que qualquer coisa de mais profundo que o seu sangue passara dela para mim.
Sei bem tudo o que se deve pensar das coincidências, e mesmo dessas coincidências privilegiadas que Jung chama significativas, mas parece-me, por ter vivido momentos análogos com um amigo muito caro, com uma mulher amada apaixonadamente, que é necessário ultrapassar a noção de coincidência e ousar atingir uma interpretação mágica. Basta para isso chegar a um acordo sobre a palavra mágico.
Que se passou nessa cozinha, numa tarde dos meus sete anos? Creio que involuntariamente devido a um choque imperceptível, um ínfimo estremecimento comparável à onda ligeira que faz cair um objeto muito tempo em equilíbrio, um ínfimo estremecimento provocado por puro acaso, uma máquina, em mim próprio, tornada infinitamente sensível por milhares de impulsos de amor, desse simples, violento, exclusivo amor de infância, se pôs bruscamente a funcionar. Essa máquina do meu cérebro, na fábrica cibernética da Bela Adormecida, contemplou minha mãe. Viu-a, recolheu e classificou todas as facetas do seu pensamento, do seu coração, dos seus humores, das suas sensações; transformou-se na minha mãe; teve conhecimento da sua essência e do seu destino até esse instante.
Fixou, arrumou, a uma velocidade maior que a luz, todas as associações de sentimentos e de idéias que tinham desfilado em minha mãe desde o seu nascimento, e chegou à última associação, a do esfregão, de Raymonde e da relavote. E então eu exprimi o resultado do trabalho dessa máquina, que fora executado tão loucamente depressa que o seu próprio fruto me atravessava sem deixar vestígios, como os raios cósmicos nos atravessam, sem provocar qualquer sensação. Eu disse: Raymonde chama a isto uma relavote. Depois a máquina parou, ou então deixei de ser receptivo depois de o ter sido durante um milionésimo de segundo, prossegui a frase iniciada antes. Antes que o tempo parasse, ou melhor, se acelerasse em todos os sentidos, passado, presente, futuro; é a mesma coisa.
Eu viria a experimentar, noutras circunstâncias, coincidências da mesma natureza. Creio que é possível interpretá-las dessa forma. Pode ser que a máquina funcione constantemente, mas que nós só possamos ser receptivos ocasionalmente. Para mais, essa receptividade só pode ser raríssima. Talvez seja nula em certas pessoas. Desta forma há pessoas que têm sorte, e outras que a não tem. Os felizardos seriam aqueles que, por vezes, recebem uma mensagem da máquina: ela analisou todos os elementos da conjuntura, classificou, escolheu, comparou todos os efeitos e todas as causas possíveis e, descobrindo desta forma o melhor caminho do destino, pronunciou o oráculo, que foi recolhido sem que, nem ao de leve, a consciência suspeitasse desse trabalho formidável.
Esses são queridos dos deuses, de fato. Eles são de tempos a tempos ligados para a sua fábrica. Para só falar de mim, tenho aquilo a que se chama sorte. Tudo me leva a crer que os fenômenos que presidem a esta sorte são da mesma espécie que os fenômenos que presidem à história da relavote.
E assim nós começamos a aperceber de que a concepção mágica das relações do homem com outrem, com as coisas, com o tempo -que essa concepção não é completamente estranha a uma reflexão livre e viva sobre a técnica e a ciência modernas. É a modernidade que nos permite acreditar no mágico. São as máquinas eletrônicas que nos fazem tomar a sério o feiticeiro pré-histórico e o sacerdote maia. Se se estabelecerem conexões ultra-rápidas no domínio silencioso do cérebro humano e se, em certas circunstâncias, o resultado desse trabalho é captado pela consciência, determinadas práticas dessa magia imitativa, determinadas revelações proféticas, determinadas iluminações poéticas ou místicas, determinadas divinações, que levamos à conta do delírio ou acaso, serão de considerar como aquisições reais do espírito em estado de vigília.
Aliás, há vários anos que sabemos que a natureza não é razoável. Ela não se adapta à forma vulgar do funcionamento da inteligência. Para a parte do nosso cérebro normalmente utilizável, qualquer raciocínio é binário. Isto é negro ou branco. É sim ounão. É contínuo ou descontínuo. A nossa máquina de compreender é aritmética. Classifica e compara. Todo o Discurso do método se baseia nisso. Toda a filosofia chinesa do Ying e do Yang também (e o Livro das mudanças, único livro de oráculos do qual a antiguidade nos transmitiu as leis, é composto por figuras gráficas: três linhas contínuas, três descontínuas em todas as ordens possíveis). Ora, como o dizia Einstein no final da sua vida: Pergunto a mim próprio se a natureza joga sempre o mesmo jogo.
De fato, dá a impressão que a natureza escapa à máquina binária que é o nosso cérebro no seu estado de marcha normal. Desde Louis de Broglie fomos obrigados a admitir que a luz é simultaneamente contínua e quebrada. Mas nenhum cérebro humano conseguiu a representação de tal fenômeno, a compreensão a partir do interior, um conhecimento real. Admite-se. Sabe-se. Mas não se conhece. Imagine-se agora que, sobre um modelo da luz (toda a literatura e iconografia religiosas abundam em evocações da luz), um cérebro passa do estado aritmético ao estado analógico, no relâmpago do êxtase.
Transforma-se na luz. Ele vive o incompreensível fenômeno. Nasce com ele. Conhece¬ o. Ele chega onde a sublime inteligência de Broglie não consegue chegar. Depois volta a cair, o contacto com as máquinas superiores é cortado, essas máquinas que funcionam na imensa galeria secreta do cérebro humano. A sua memória apenas lhe restitui os restos do conhecimento que acaba de adquirir. E a linguagem é impotente até para traduzir esses restos. Talvez certos místicos tenham conhecido desta forma os fenômenos da natureza que a nossa inteligência moderna conseguiu descobrir e admitir, mas não logrou integrar.
E, da mesma forma que eu, o escriba perguntava Como, ou que coisa ela via, ou se via coisa corpórea. Ela respondia assim: eu via uma plenitude, uma claridade que me enchia de tal forma que não sei explicá-la ou dar qualquer similitude. . . Eis uma passagem daquilo que Ângela de Foligno ditou ao seu confessor, passagem essa absolutamente significativa.
O computador eletrônico, sobre uma maquete matemática de barragem ou de avião, funciona analogicamente. Em certa medida transforma-se nessa barragem ou nesse avião e dá a conhecer a totalidade dos aspectos da sua existência. Se o cérebro pode agir da mesma forma, começamos a compreender por que motivo o feiticeiro elabora uma estrutura invocando o inimigo que quer atingir ou desenha o bisão de que pretende descobrir o rasto. Espera diante desses esboços a passagem da sua inteligência do estado binário para o estado analógico, a passagem da sua consciência do estado ordinário para o estado de vigília superior. Ele aguarda que a máquina comece a trabalhar analogicamente, que se produzam, no domínio silencioso do seu cérebro, conexões ultra-rápidas que lhe revelarão a realidade total da coisa representada. Ele espera, mas não passivamente. Que faz então? Escolheu a hora e o local em função de ensinamentos antigos, de tradições que talvez sejam o resultado de uma série de experiências. Tal momento de tal noite, por exemplo, é mais favorável que outro tal momento de tal outra noite, talvez devido ao estado do céu, da radiação cósmica, da disposição dos campos magnéticos, etc.
Ele coloca-se numa determinada posição bem precisa. Faz certos gestos, uma dança especial, pronuncia certas palavras, emite sons, modula um sopro, etc. Ainda se não suspeitou que poderia tratar-se de técnicas (embrionárias, hesitantes) destinadas a provocar o estremecimento das máquinas ultra-rápidas contidas na parte adormecida do nosso cérebro. Os rituais talvez não sejam mais do que conjuntos complexos de disposições rítmicas susceptíveis de provocar uma atividade das funções superiores da inteligência. Uma espécie de voltas de manivela, mais ou menos eficazes. Tudo leva a crer que o funcionamento dessas funções superiores, desses cérebros eletrônicos analógicos, exigem ramificações mil vezes mais complicadas subtis que aquelas necessárias para a passagem do sono à lucidez.
Depois dos trabalhos de Von Frisch, sabe-se que as abelhas têm uma linguagem: desenham no espaço figuras matemáticas infinitamente complicadas, durante o vôo, e comunicam desta forma entre si as informações necessárias à vida da colméia. Tudo leva a crer que o homem, para estabelecer comunicação com os seus poderes mais elevados, deve pôr em jogo uma série de impulsos pelo menos tão complexos, tão tênues e tão estranhos àquilo que habitualmente determina os seus atos intelectuais.
As rezas e os rituais perante os ídolos, perante as figuras simbólicas das religiões, seriam portanto tentativas para captar e orientar energias subtis (magnéticas, cósmicas, rítmicas, etc), para provocar o movimento da inteligência analógica que permitiria ao homem conhecer a divindade representada.
Se assim é, se existem técnicas para obter do cérebro um rendimento sem medida comum com os resultados da inteligência binária, mesmo que se tratasse da maior, e se essas técnicas apenas foram procuradas até aqui pelos ocultistas, compreende-se que a maior parte das importantes descobertas práticas e científicas, antes do século XIX, tenham sido feitas por estes.
A nossa linguagem, assim como o nosso passado, procede do funcionamento aritmético, binário, do nosso cérebro. Nós classificamos em sim, não, positivo, negativo, estabelecemos as comparações e deduzimos. Se a linguagem nos serve para ordenar
o nosso pensamento por sua vez inteiramente ocupado em organizar, é necessário verificar que ela não é um elemento criador exterior, um atributo divino. Ela não vem acrescentar um pensamento ao pensamento. Se eu falo ou escrevo, refreio a minha máquina. Não a posso descrever senão observando ao ralenti. Portanto apenas exprimo a minha tomada de consciência binária do mundo e mesmo assim quando essa consciência cessa de funcionar à velocidade normal. A minha linguagem é apenas testemunho do ralenti de uma visão do mundo também limitada ao binário. Esta insuficiência da linguagem é evidente e intensamente ressentida. Mas que dizer da insuficiência da própria inteligência binária?
A existência interna, a essência das coisas escapa-lhe. Pode descobrir que a luz é contínua e descontínua simultaneamente, que a molécula do benzeno estabelece entre os seus seis átomos relações duplas e no entanto mutuamente exclusivas; admite-o, mas não o pode compreender, não pode integrar ao seu próprio movimento a realidade das estruturas profundas que examina. Para o conseguir ser-lhe-ia necessário mudar de estado, seria preciso que outras máquinas diferentes das habitualmente usadas começassem a funcionar no cérebro, e que o raciocínio binário fosse substituído por uma consciência analógica que revestisse as formas e assimilasse os ritmos inconcebíveis dessas estruturas profundas. Talvez isso se produza, na intuição científica, na inspiração poética, no êxtase religioso e noutros casos que ignoramos. O recurso à consciência desperta, quer dizer, a um estado diferente do estado de vigílialúcida, é o leitmotiv de todas as antigas filosofias. É também o leitmotiv dos maiores físicos e matemáticos modernos, para quem qualquer coisa se deve passar na consciência humana para que ela passe do saber ao conhecimento.
Não é portanto surpreendente que a linguagem, que não consegue senão testemunhar uma consciência do mundo em estado de vigília lúcida normal, seja obscura desde que se trate de exprimir essas estruturas profundas, quer se trate da luz, da eternidade, do tempo, da energia, da essência do homem, etc. No entanto, distinguimos duas espécies de obscuridade. Uma provém de que a linguagem é o veículo de uma inteligência quese aplica a examinar essas estruturas sem nunca as poder assimilar. É o veículo de uma natureza que esbarra em vão com outra natureza. Quando muito, apenas traz o testemunho de uma impossibilidade, o eco de uma sensação de impotência e de exílio. A sua obscuridade é real. Trata-se apenas da obscuridade. A outra provém do fato que o homem que tenta exprimir-se experimentou, por instantes, outro estado de consciência. Viveu por um momento na intimidade dessas estruturas profundas.Conheceu-as. É o místico do tipo São João da Cruz, o sábio iluminado do tipo Einstein ou o poeta inspirado do tipo William Blake, o matemático arrebatado do tipo Galois, o filósofo visionário do tipo Meyrink.
Depois da queda, o vidente é incapaz de comunicar. Mas a partir daí, ele exprime a certeza positiva de que o Universo seria controlável e manejável se o homem pudesse combinar tão intimamente quanto possível o estado de vigília e o estado de supervigília. Qualquer coisa de eficaz, o perfil de um instrumento soberano aparece em tal linguagem. Fulcanelli, ao falar do mistério das Catedrais, Wiener, ao falar da estrutura do Tempo, são obscuros, mas aqui a obscuridade não é a obscuridade: ela é o sinal de que qualquer coisa brilha algures.