quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Despertar dos Mágicos (51). Citamos a Golden Dawn e a Sociedade do Vril alemã.


- Estou satisfeito por ter voltado a essa comparação disse Cotgrave -, pois queria perguntar-lhe a que correspondem, na humanidade, essas proezas imaginárias das coisas de que fala. Mais uma vez, o que é então o pecado? Gostaria enfim de um exemplo concreto.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

Pela primeira vez, Ambrose hesitou:
-Já lhe disse, o verdadeiro mal é raro. O materialismo da nossa época, que muito fez para suprimir a santidade, talvez tenha feito ainda mais para suprimir o mal. Nós achamos a Terra tão confortável que não temos vontade nenhuma de subir nem de descer. Tudo se passa como se o especialista do Inferno estivesse reduzido a trabalhos puramente arqueológicos.
-No entanto, consta que as suas investigações se estenderam até à época presente?
- Vejo que está realmente interessado. Pois bem, confesso que na verdade reuni alguns documentos. . .
A Terra oca, o mundo gelado, o homem novo. -Nós somos inimigos do espírito. ¬
Contra a natureza e contra Deus. - A sociedade do Vril. - A raça que nos suplantará. Haushoffer e o Vril. - A idéia de mutação do homem. O Superior Desconhecido. -Mathers, chefe da Golden Dawn, encontra os Grandes Terrificantes. - Hitler diz que também os viu. -Uma alucinação ou uma presença real? - A porta aberta sobre outra coisa.b - Uma profecia de René Guénon. - O primeiro inimigo dos nazistas: Steiner.
A Terra é oca. Nós habitamos no interior. Os astros são blocos de gelo. Já caíram várias luas sobre a Terra. A nossa também cairá. Toda a história da humanidade se explica pela batalha entre o gelo e o fogo. O homem não está acabado. Está à beira de uma formidável mutação que lhe dará os poderes que os antigos atribuíam aos deuses. Existem no mundo alguns exemplares do homem novo, vindos talvez de além das fronteiras do tempo e do espaço.
Há alianças possíveis entre o Mestre do Mundo e o Rei do Medo, que reina numa cidade escondida algures no Oriente. Aqueles que tiverem um pacto modificarão por milênios a superfície da Terra e darão um sentido à aventura humana.
Tais são as teorias científicas e as concepções religiosas que alimentaram o nazismo original, nas quais acreditavam Hitler e os membros do grupo de que ele fazia parte, e que fortemente orientaram os fatos sociais e políticos da história recente. Isto pode parecer extravagante. Uma explicação da história contemporânea, mesmo parcial, a partir de tais idéias e crenças pode parecer repugnante. Mas achamos que nada é repugnante no exercício da verdade.
Sabe-se que o partido nazista se mostrou anti-intelectual de maneira franca, e mesmo ruidosa, que queimou os livros e classificou os físicos teóricos entre os inimigos judaico-marxistas. Em proveito de que explicações do mundo ele rejeitou as ciências ocidentais oficiais é o que muita gente ignora. Ainda menos se sabe em que concepção do homem se baseava o nazismo, pelo menos no espírito de alguns dos seus chefes. Mas, sabendo-o, situa-se melhor a última guerra mundial no quadro dos grandes conflitos espirituais; a história recupera o fôlego à Vítor Hugo da grandeza épica.
Lançam-nos o anátema como a inimigos do espírito, dizia Hitler. Pois bem, é verdade, é isso que nós somos. Mas num sentido bem mais profundo do que a ciência burguesa, no seu imbecil orgulho, jamais sonhou. É pouco mais ou menos o que Gurdjieff declarava ao seu discípulo Ouspensky, depois de terminado o processo da ciência: O meu caminho é o do desenvolvimento das possibilidades escondidas do homem. É um caminho contra a natureza e contra Deus.
Esta idéia das possibilidades escondidas do homem é essencial. Ela conduz muitas vezes à rejeição da ciência e ao desprezo pela humanidade vulgar. Ao nível desta idéia, muito poucos homens existem realmente. Ser é ser diferente. O homem vulgar, o homem em estado natural não passa de uma larva e o Deus dos cristãos não passa de um pastor de larvas.
O doutor Willy Ley, um dos maiores peritos do Mundo em matéria de foguetões, fugiu da Alemanha em 1933. Foi por seu intermédio que soubemos da existência, em Berlim, pouco antes do nazismo, de uma pequena comunidade espiritual de verdadeiro interesse para nós.
Essa comunidade secreta fundamentara-se, literalmente, num romance do escritor inglês Bulwer Lytton: A Raça que nos há-de suplantar. Esse romance descreve homens cujo psiquismo é muito mais evoluído do que o nosso. Eles conquistaram poderes, sobre si próprios e sobre as coisas, que os tornam semelhantes a deuses. De momento, ainda se escondem. Habitam cavernas no centro da Terra. Em breve sairão para nos governar.
Eis tudo o que o doutor Willy Ley parecia saber. Acrescentava, sorrindo, que os discípulos julgavam possuir certos segredos para mudar de raça, para se tornarem iguais aos homens escondidos no interior da Terra. Métodos de concentração, toda uma ginástica interior para se transformarem. Iniciavam os seus exercícios contemplando fixamente uma maçã cortada ao meio. . . Nós prosseguimos as investigações.
Essa sociedade berlinense, à semelhança das lojas maçônicas, chamava-se: A Loja Luminosa ou Sociedade do Vril.
O Vril é a imensa energia de que nós não utilizamos senão uma ínfima parte na vida comum, o fator principal da nossa divindade possível. Aquele que se torna senhor doVril torna-se senhor de si próprio, dos outros e do mundo,. É a isso que devemos aspirar. É nesse sentido que devemos encaminhar os nossos esforços. Todo o resto faz parte da psicologia oficial, das morais, das religiões, do vento. O mundo vai modificar¬se. Os Senhores vão sair das entranhas da Terra. Se não tivermos feito uma aliança com eles, se não formos senhores, também nós, ficaremos entre os escravos, na estrumeira que servirá para fazer brotar as novas cidades.
A Loja Luminosa tinha adeptos na teosofia e nos grupos da Rosa-Cruz. Segundo Jack Belding, autor da curiosa obra Os Sete Homens de Spandau, Karl Haushoffer teria pertencido a essa Loja. Teremos muito que falar dele, e ver-se-á que a sua passagem por essa Sociedade do Vril esclarece certas coisas.
Talvez o leitor se recorde que descobrimos, atrás do escritor Arthur Machen, uma sociedade iniciática inglesa: a Golden Dawn. Essa sociedade neopagã, da qual faziam parte grandes inteligências, nascera da Sociedade da Rosa-Cruz inglesa, fundada por Wentworth Little em 1867. Little estava em comunicação com membros da Rosa-Cruz. Recrutou os seus adeptos, em número de 144, entre os dignitários maçons. Um dos adeptos era Bulwer Lytton. Bulwer Lytton, erudito genial, célebre em todo o Mundo pela sua narrativa Os últimos Dias de Pompéia, não esperava sem dúvida que um dos seus romances, dezenas de anos mais tarde, inspirasse na Alemanha um grupo místico pré¬nazista. No entanto, em obras como A Raça que nos há-de suplantar ou Zanoni, pretendia aludir às realidades do mundo espiritual, e mais especialmente do mundo infernal. Considerava-se um iniciado. Através da efabulação romanesca exprimia a certeza de que existem seres dotados de poderes sobre-humanos. Esses seres suplantar-nos-ão e conduzirão os eleitos da raça humana a caminho de uma formidável mutação.
É preciso prestar atenção a esta idéia de mutação de raça, pois viremos a reencontrá-la em Hitler, e ainda se não extinguiu. Encontra-se a mesma indicação em As Estrelas em Tempo de Guerra e de Paz de Louis de Wohl, escritor húngaro que dirigiu durante a guerra a secção de investigações sobre Hitler e os nazistas do Serviço de Informações inglês (não traduzido).
O objetivo de Hitler não é nem a criação da raça dos Senhores, nem a conquista do Mundo; isso são apenas os meios para realizar a grande obra sonhada por Hitler. O verdadeiro objetivo era fazer obra de criação, obra divina, o objetivo da mutação biológica; o resultado será uma ascensão da humanidade ainda não igualada, a aparição de uma humanidade de heróis, de semideuses, de homens-deuses. Dr. AchilleDelmas. É preciso também dar atenção à idéia dos Superiores Desconhecidos. Encontramo-la em todas as místicas negras do Oriente e do Ocidente. Habitando debaixo da terra ou vindos de outros planetas, gigantes semelhantes a esses que dormiriam sob uma carapaça de ouro nas criptas tibetanas, ou então presenças informes e terrificantes, tais como as descrevia Lovecraft, esses Superiores Desconhecidos evocados nos ritos pagãos e luciferinos existirão realmente? Quando Machen fala do mundo do Mal, cheio de cavernas e de habitantes crepusculares, é ao outro mundo, àquele onde o homem toma contacto com os Superiores Desconhecidos, que se refere, como discípulo do Golden Dawn. Parece-nos certo que Hitler partilhava dessa crença. Mais: que ele pretendia ter a experiência de contactos com os Superiores.
Citamos a Golden Dawn e a Sociedade do Vril alemã. Falaremos mais adiante do grupo de Tule. Não temos a loucura de pretender explicar a história por meio das sociedades iniciáticas. Mas veremos, curiosamente, que tudo teve importância e que através do nazismo, foi o outro mundo que exerceu autoridade sobre nós durante alguns anos. Ficou vencido. Mas não morreu, nem do outro lado do Reno, nem noutros sítios. Isso não é horroroso, a nossa ignorância é que é horrorosa.
Já fizemos notar que Samuel Mathers fundara a Golden Dawn. Mathers pretendia estar em comunicação com esses Superiores Desconhecidos e ter estabelecido os contactos em companhia de sua mulher, irmã do filósofo Henri Bergson. Eis a seguir uma passagem do manifesto aos Membros da segunda ordem, que ele escreveu em 1896: A respeito desses Chefes Secretos, aos quais me refiro e de que recebi as instruções da Segunda Ordem que vos comuniquei, nada vos posso dizer. Nem sequer sei os seus nomes terrenos e só muito raramente os vi com os seus corpos físicos... Eles encontram-se fisicamente no tempo e no lugar antecipadamente fixados. Na minha opinião, creio que são seres humanos que habitam a Terra, mas que possuem poderes terríveis e sobre-humanos. . . As minhas relações físicas com eles mostraram-me quão difícil é para um mortal, por muito evoluído que seja, suportar-lhes a presença. Não quero dizer que, durante esses raros encontros que com eles tive, o efeito em mim produzido tenha sido o de depressão física intensa que se segue à perda do magnetismo. Pelo contrário, sentia-me em contacto com uma força tão terrível que só a posso comparar ao efeito provocado numa pessoa que esteve perto de um relâmpago durante uma violenta trovoada, acompanhado por uma grande dificuldade em respirar. . . À prostração nervosa de que falei juntavam-se suores frios e perdas de sangue pelo nariz, boca e, por vezes, pelos ouvidos.
Hitler conversava um dia com Rauschning, chefe do governo de Dantzig, a respeito do problema da mutação da raça humana. Rauschning, que não possuía a chave de tão estranha preocupação, interpretava as frases de Hitler como frases de um criador de gado que procurasse melhorar o sangue alemão.
Mas não pode fazer outra coisa senão auxiliar a natureza, dizia ele, abreviando ocaminho a percorrer! É preciso que a própria natureza lhe dê uma nova variedade. Até agora, só raramente o criador obteve bons resultados, em relação à espécie animal, no desenvolvimento das mutações, quer dizer, em criar ele próprio novos caracteres.
- O homem novo vive entre nós! Já chegou! - exclamou
Hitler em tom triunfante. - Isto não lhe basta? Vou dizer-lhe um segredo. Eu vi o homemnovo. É intrépido e cruel. Tive medo diante dele.
Ao pronunciar estas palavras, acrescenta Rauschning, Hitler tremia num ardor extático.
E Rauschning conta também esta cena estranha, a respeito da qual se interroga em vão o doutor Achille Delmas, especialista de psicologia aplicada. De fato, neste caso, a psicologia não se aplica:
Uma pessoa da intimidade de Hitler disse-me que ele acorda durante a noite soltandogritos convulsivos. Pede socorro, sentado na beira da cama, como que paralisado. É possuído por um pânico que o faz tremer a ponto de sacudir a cama. Profere vociferações confusas e incompreensíveis. Arqueja como se estivesse a sufocar. A mesma pessoa relatou-me uma dessas crises com pormenores em que me recusaria a acreditar se a fonte não fosse de tanta confiança. Hitler estava de pé no seu quartocambaleante, olhando em redor com ar desvairado. É ele! É ele! Ele esteve aqui!, gemia. Os lábios tremiam-lhe. O suor escorria abundantemente. De súbito pronunciou números sem qualquer sentido, depois palavras, restos de frases. Era pavoroso. Empregava termos curiosamente reunidos, absolutamente extraordinários. Depois, novamente, voltara a ficar silencioso, mas continua a mexer os lábios. Tinham-no então friccionado, e fizeram-no tomar uma bebida. Depois, subitamente, berrou: Ali, ali no canto! Está ali! Batia com o pé no chão e soltava gritos. Tranqüilizaram-no dizendo-lhe que nada se passava de anormal; e ele acalmou-se pouco a pouco. Em seguida, dormira várias horas e voltara a ser quase normal e suportável.