quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Despertar dos Mágicos (61). Sobre a parede da casa Ipatieff, a czarina, antes da sua execução, teria desenhado uma cruz gamada, acompanhada de uma i


Segundo o nosso método, vamos agora apresentar informações e confirmações respeitantes a outros aspectos desprezados do socialismo mágico: a sociedade Tule, vértice da Ordem Negra, e a sociedade Ahnenerbe. Conseguimos reunir uma documentação bastante volumosa, cerca de um milhar de páginas.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

Mas essa documentação deveria ser mais uma vez verificada e copiosamente completada se quiséssemos realizar um trabalho claro, poderoso completo. De momento, isso está fora das nossas possibilidades: Para mais, não pretendemos tornar excessivamente pesado o presente volume, que só a título de exemplo do realismo fantástico se refere à história contemporânea. Eis portanto a seguir um breve resumo de algumas verificações esclarecedoras.
Num dia de Outono de 1923 morreu em Munique uma personagem singular, poeta, dramaturgo, jornalista, boêmio, que o nome de Dietrich Eckardt. Com os pulmões queimados pela perita, ele fizera, antes de entrar na agonia, a sua oração muito pessoal perante um meteorito negra da qual dizia: É a minha pedra de Kaaba, e que legou ao professor Oberth, um dos criadores da Astronáutica. Acabava de enviar um longo manuscrito ao seu amigo Haushoffer. Os seus assuntos estavam em ordem. Ele morria, mas a Sociedade Tule continuaria a viver e em breve transformaria o mundo e a vida sobre a Terra.
Em 1920, Dietrich Eckardt e outro membro da sociedade tule o arquiteto Alfred Rosenberg, travaram conhecimento com Hitler. Marcaram-lhe uma primeira entrevista na casa de Wagner, em Beirute. Durante três anos rodearão sem cessar o pequeno caporal da Reichswehr, dirigindo-lhe os pensamentos e os atos. Konrad Heiden escreve: Eckardt empreende a formação espiritual de Adolfo Hitler. Ensina-lhe a escrever e a falar. Os seus ensinamentos desenvolvem-se sobre dois planos: a doutrina secreta e a doutrina de propaganda. Narrou algumas das conversas que teve com Hitler em relação à segunda num curioso folheto intitulado O bolchevismo de Moisés a Lenine. Em junho de 1923, esse novo mestre, Eckardt, será um dos sete membros fundadores do partido nacional-socialista. Sete: número sagrado. No Outono, por altura da sua morte, diz: Sigam Hitler. Ele há-de dançar, mas a música foi escrita por mim. Nós concedemos-lhe os meios de comunicar com Eles... Não me lamentem: terei influenciado a história mais do que qualquer outro alemão. . .
A lenda de Tule remonta às origens do germanismo. Tratar-se-ia de uma ilha desaparecida, em qualquer parte no Extremo Norte. Na Groenlândia? No Lavrador? Como a Atlântida. Tule teria sido o centro mágico de uma civilização submersa. Para Eckardt e seus amigos, nem todos os segredos de Tule se teriam perdido. Seres intermediários entre o homem e as inteligências do Exterior disporiam, para os iniciados, de um reservatório de forças onde as podiam ir buscar para dar de novo à Alemanha o domínio do Mundo, para fazer da Alemanha a nação anunciadora da super-humanidade futura, das mutações da espécie humana.
Um dia agitar-se-ão legiões para destruir tudo o que constituiu obstáculo ao destino espiritual da Terra, e serão conduzidas por homens infalíveis, alimentados nas fontes da energia, guiados pelos Grandes Antigos. Tais são os mitos contidos na doutrina ariana de Eckardt e de Rosenberg, e que esses profetas de um socialismo mágico introduzem na alma mediúnica de Hitler. Mas a sociedade Tule talvez ainda não passe de uma bastante poderosa maquina nazista para misturar o sonho e a realidade. Depressa se transformará, sob outras influências e com outras personagens, num instrumento muito mais estranho: um instrumento capaz de alterar a própria natureza da realidade. Segundo parece, é com Karl Haushoffer que o grupo Tule vai adquirir o seu verdadeiro caráter de sociedade secreta de iniciados em contacto com o invisível, e se tornará o centro mágico do nazismo.
Hitler nasceu em Braunau-sobre-Inn, a 20 de Abril de 1889, às 17 e 30, no número 219 da Salzburger Vorstadt. Cidade fronteira austro-bávara, ponto de encontro de dois grandes estados alemães, foi mais tarde para o Führer uma cidade símbolo. A ela se liga uma singular tradição: é um viveiro de médiuns. É a cidade natal de Willy e Rudi Schneider, cujas experiências psíquicas fizeram sensação há perto de trinta anos. Hitler teve a mesma ama que Willy Schneider. Em 1940, Jean de Pange escrevia: Baunau é um centro de médiuns. Um dos mais conhecidos é Madame Stokhammes que, em 1920, desposou em Viena o príncipe Joaquim da Prússia. Era de Braunau que um espírita de Munique o barão Schrenk-Notzing, mandava vir os seus auxiliares, e um deles era justamente primo de Hitler. O ocultismo ensina que depois de terem conciliado forças ocultas, por meio de um pacto, os membros do grupo não podem evocar essas forças senão por intermédio de um mágico, o qual não poderá agir sem um médium. Tudo se passa como se Hitler tivesse sido o médium e Haushoffer o mágico.
Rauschning descreve assim o Führer: Somos obrigados a pensar nos médiuns. A maior parte do tempo são seres vulgares, insignificantes. Subitamente, como que lhes caem do céu poderes que os elevam acima da medida comum. Esses poderes são exteriores à sua personalidade real. São visitantes oriundos de outros planetas. O médium está possesso. Uma vez libertado, volta a cair na mediocridade. É sem dúvida desta forma que certas forças atravessam Hitler. Forças quase demoníacas das quais a personagem chamada Hitler não é mais do que a vestimenta momentânea. Essa reunião do banal e do extraordinário, eis a insuportável dualidade de que nos apercebemos logo que entramos em contacto com ele.
Este ser poderia ter sido inventado por Dostoievski. Tal é a impressão que provoca numa pessoa estranha a associação de uma confusão doentia e de um poder turvo. Strasser: Aquele que escuta Hitler vê surgir de súbito o Führer da glória humana... Aparece uma luz atrás de uma janela escura. Um senhor com um cômico bigode em vassoura transforma-se em arcanjo... Depois o arcanjo levanta vôo: apenas resta Hitler, que se volta a sentar, alagado em suor, com os olhos vítreos. Bouchez: Examinara-lhe os olhos, uns olhos que se tinham tornado mediúnicos... Por vezes, qualquer coisa se passava, semelhante a um fenômeno de ectoplasma: qualquer coisa parecia habitar o orador. Emanava um fluido. . . Depois voltava a ser pequeno, medíocre, até vulgar. Parecia fatigado, completamente exausto. François-Poncet (ex-embaixador na Alemanha) : Ele entrava numa espécie de transe mediúnico. O rosto refletia um encantamento extático.
Atrás do médium, sem dúvida não está apenas um homem, mas um grupo, um conjunto de energias, uma central mágica.
E o que nos parece fora de dúvida é que Hitler está animado por outra coisa além daquilo que exprime: por forças e doutrinas mal coordenadas mas infinitamente mais temíveis do que apenas a teoria nacional-socialista. Um pensamento muito maior do que o dele, que constantemente o excede, e do qual só dá ao povo, aos seus colaboradores, restos grosseiramente vulgarizados. Ressoador potente, Hitler sempre foi o tambor que se gabava de ser no processo de Munique, e sempre continuou a ser um tambor. No entanto, só reteve e utilizou aquilo que, ao acaso das circunstâncias, servia a sua ambição de conquista do poder, o seu sonho de domínio do Mundo, e o seu delírio: a seleção biológica do homem-deus.
Mas há outro sonho, outro delírio: modificar a vida sobre todo o planeta. Por vezes abre-se, ou antes, o pensamento interior excede-o, e filtra bruscamente por uma pequena abertura. Dizia a Rauschning: A nossa revolução é uma nova etapa, ou antes a etapa definitiva da evolução que conduz à supressão da história. . . Ou ainda: Não sabem nada de mim, os meus camaradas do partido não fazem a menor idéia dos sonhos que faço e do edifício grandioso do qual pelo menos os alicerces estarão edificados quando eu morrer. . . Há uma curva decisiva do mundo, eis-nos na charneira dos tempos... Haverá uma alteração do planeta que vós, os não iniciados, são incapazes de compreender. . . O que se está a passar é mais do que o aparecimento de uma nova religião. . .
Rudolf Hess fora o assistente de Haushoffer quando este professava na Universidade de Munique. Foi ele que estabeleceu o contacto entre Haushoffer e Hitler. (Fugiu de avião da Alemanha, para uma expedição delirante, depois de Haushoffer lhe ter dito que o vira voar, em sonhos, a caminho da Inglaterra. Nos raros momentos de lucidez que a sua inexplicável doença lhe permite, o prisioneiro Hess, último sobrevivente do grupo Tule, teria declarado formalmente que Haushoffer era o mágico, o mestre secreto.)
Após a revolta falhada, Hitler é encerrado na prisão de Landshurt. Levado por Hess, o general Karl Haushoffer visita quotidianamente Hitler, passa horas junto dele, desenvolve as suas teorias e delas extrai todos os argumentos favoráveis à conquista política. A sós com Hess, Hitler mistura para a propaganda externa as teses de Haushoffer e os projetos de Rosenberg, num conjunto imediatamente ditado para Mein Kampf.
Karl Haushoffer nasceu em 1869. Fez diversas estadias nas Índias e no Extremo-Oriente, foi enviado ao Japão e aí aprendeu a língua. Para ele a origem do povoalemão dera-se na Ásia Central e a permanência, a grandeza, a nobreza do mundo estavam asseguradas pela raça indo-germânica. No Japão, Haushoffer teria sido iniciado numa das mais importantes sociedades secretas budistas e ter-se-ia comprometido, em caso de malogro da sua missão, a executar o suicídio cerimonial.
Em 1914, Haushoffer, jovem general, faz-se notar por um extraordinário poder de predizer os acontecimentos: horas de ataque do inimigo, locais onde cairão as bombas, tempestades, alterações políticas em países de que nada se sabe. Terá Hitler possuído também esse dom de clarividência ou seria Haushoffer que lhe murmura-a as suas próprias inspirações? Hitler predisse com exatidão a data de entrada das suas tropas em Paris, a data da chegada a Bordéis dos primeiros arrombadores de bloqueio. Quando decide a ocupação da Renânia, todos os peritos da Europa, incluindo os alemães, estão persuadidos de que a França e a Inglaterra se oporão. Hitler prediz que não. Ele virá a anunciar a data da morte de Roosevelt.
Após a primeira grande guerra, Haushoffer retoma os seus estudos e parece dedicar-se exclusivamente à geografia política, funda a revista de Geopolítica e publica numerosos trabalhos. Muito curiosamente, esses trabalhos parecem baseados num realismo político acanhadamente materialista. Essa preocupação, em todos os membros do grupo, em empregar uma linguagem exotérica puramente materialista, em transportar para o exterior concepções pseudocientíficas baralha constantemente as cartas. O geopolítico sobrepõe-se a outra personagem, discípulo de Schopenhauer, inclinado para o budismo, admirador de Inácio de Loiola tentado pelo governo dos homens, espírito místico em busca de realidades ocultas, homem de grande cultura e de grande psiquismo. Parece muito provável que tenha sido Haushoffer a escolher a cruz gamada para emblema.
Na Europa, como na Ásia, a suástica foi sempre considerada um signo mágico. Viram nele o símbolo do Sol, fonte de vida e de fecundidade, ou do trovão, manifestação da cólera divina, que é necessário esconjurar. Ao contrário da cruz, do triângulo, do círculo ou do crescente, a suástica não é um símbolo elementar que possa ter sido inventado e reinventado em qualquer época da humanidade e em todos os pontos do globo comuma simbólica sucessivamente diferente. É o primeiro signo traçado com uma intenção precisa. O estudo das suas migrações põe o problema das primeiras eras, das origenscomuns nas diversas religiões, das relações pré-históricas entre a Europa, a Ásia e a América. O seu mais antigo rasto teria sido descoberto na Transilvânia e remontaria ao final da época da pedra polida.
Voltamos a encontrá-lo sobre centenas de fusos datando do século XIV antes de Cristo e nos vestígios de Tróia. Aparece na Índia no século IV antes de Cristo e na China no século v da nossa era. Vemo-lo um século mais tarde no Japão, no momento da introdução do budismo, que dela faz um emblema. Constatação capital: é completamente desconhecido ou só aparece a título acidental em toda a regiãosemítica, no Egito, na Caldeia, na Assíria, na Fenícia. É um símbolo exclusivamente ariano. Em 1891, Ernest Krauss chama a atenção do público germânico para este fato: Guido List, em 1908, descreve a suástica nas suas obras de divulgação como um símbolo de pureza do sangue e, ao mesmo tempo, como um signo de conhecimento esotérico, revelado pela decifração da epopéia rúnica de Edda. Na corte da Rússia, a cruz gamada é introduzida pela imperatriz Alexandra Feodorovna. Teria sido sob a influência dos teósofos? Ou antes sob a do médium Badmaiev, estranha personagem formada em Lassa e que em seguida estabeleceu numerosas ligações com o Tibete? Ora o Tibete é uma das regiões do Mundo onde a suástica - orientada quer para a direita, quer para a esquerda - é de uso corrente. Vem agora a propósito uma história bastante espantosa.
Sobre a parede da casa Ipatieff, a czarina, antes da sua execução, teria desenhado uma cruz gamada, acompanhada de uma inscrição. Teria sido tirada uma fotografia dessa inscrição, que depois se apressaram a apagar. Koutiepoff teria estado de posse de uma fotografia feita a 24 de Julho, ao passo que a fotografia oficial data de 14 de Agosto. Teria igualmente recebido em depósito o ícone descoberto sobre o corpo da czarina, no interior do qual se encontraria outra mensagem em que se aludia à sociedade secreta do Dragão Verde. Segundo o agente de informações, que viria a ser misteriosamente envenenado e que nos seus romances usava o pseudônimo de Teddy Legrand, Koutitepoff desaparecera sem deixar rasto; teria sido raptado e assassinado no iate de três mastros do barão Otto Bautenas, igualmente assassinado mais tarde. Teddy Legrand escreve: O grande barco branco chamava-se Asgard. Fora portanto batizado - teria sido fortuitamente?com um vocábulo com que as lendas islandesas designam o Reino do Rei de Tule. Segundo Trebich Lincoln (que na realidade afirmava ser o lama Djordni Den), a sociedade dos Verdes, parente da sociedade Tule, tinha as suas origens no Tibete. Em Berlim, um monge tibetano, a quem chamavam o homem das luvas verdes e que por três vezes anunciou na imprensa, com precisão, o número dos deputados hitlerianos enviados ao Reichstag, recebia regularmente Hitler. Era, segundo os iniciados, detentor das chaves que abrem o reino de Agartha.
Imagem: ... admirar o sol e esperar que a noite nos tragaa magia do desconhecido.
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