sábado, 26 de novembro de 2011

O Despertar dos Mágicos (60). O Universo não passava de uma ilusão e a sua estrutura podia ser modificada pelo pensamento ativo dos iniciados.



Seu filho, Americ Vespucius Symnes, era um dos seus adeptos e tentou, sem êxito, reunir essas notas num trabalho coerente. Acrescentou uma suposição segundo a qual, depois de os tempos mudarem, as Dez Tribos perdidas de Israel seriam descobertas, vivendo provavelmente no interior da mais exterior das esferas.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

Em 1870, outro americano, Cyrus Read Teed, proclama por sua vez que a Terra é oca. Teed era um espírito de grande erudição, especializado no estudo da literatura alquímica. Em 1869 na altura em que trabalhava no seu laboratório e meditava sobre os Livros de Isaías, tivera uma inspiração. Compreendera que habitamos, não sobre a Terra, mas no interior. Como essa visão vinha dar crédito a antigas lendas, criou uma espécie de religião e divulgou a sua doutrina fundando um pequeno jornal: A Espada de Fogo. Em 1894 reunira mais de quatro mil fanáticos. A sua religião chamava-se o Koresháme. Morreu em 1908, depois de anunciar que o seu cadáver não entraria em putrefação. Mas os seus adeptos tiveram de o mandar embalsamar ao fim de dois dias.
Essa idéia da Terra oca está ligada a uma tradição que se encontra em todas as épocas e em todos os locais. As mais antigas obras de literatura religiosa falam de um mundo separado, situado sob a crosta terrestre e que seria a morada dos mortos e dos espíritos. Quando Gilgamesh, herói lendário dos antigos Sumerianos e das epopéias babilônicas, vai visitar o seu antepassado Utnapishtim, desce às entranhas da Terra, e é ali também que Orfeu vai procurar a alma de Eurídice. Ulisses, ao atingir os limites do Ocidente, oferece um sacrifício a fim de que os espíritos dos antigos saiam das profundezas da Terra e o aconselhem. Plutão reina no fundo da Terra sobre os espíritos dos mortos. Os primeiros cristãos reúnem-se nas catacumbas e fazem dos abismos subterrâneos a morada das almas condenadas. As lendas germânicas exilam Vênus para o fundo da Terra. Dante coloca o inferno nos círculos inferiores. Os folclores europeus supõem haver dragões debaixo da terra e os japoneses imaginam nas profundezas da sua ilha um monstro cujos arrepios provocam tremores de terra.
Falamos de uma sociedade secreta pré-hitleriana, a Sociedade do Vril, que misturava essas lendas com as teses apresentadas pelo escritor inglês Bulwer Lytton no seu romance A Raça que nos há-de suplantar. Para os membros dessa sociedade, certos seres com um poder psíquico superior ao nosso habitam cavernas no centro da Terra. De lá sairão um dia para nos governar.
No fim da guerra de 1914, um jovem aviador alemão prisioneiro em França, Bender, descobre velhos exemplares do jornal de Teed, A Espada de Fogo, assim como brochuras de propaganda a favor da Terra oca. Atraído por esse culto e por sua vez inspirado, esclarece e desenvolve essa doutrina. De regresso à Alemanha, organiza um movimento, o Hohl Welt Lehre. Prossegue a tarefa de outro americano, Marshall B. Gardner, que, em 1913 publicara um trabalho para demonstrar que o Sol não estava por cima da Terra, mas no centro da mesma, e emitia raios que exercem uma pressão capaz de nos manter sobre a crosta côncava.
Para Bender a Terra é uma esfera da mesma dimensão que na geografia ortodoxa, mas é oca e a vida acha-se encostada à face interna pelo efeito de certas radiações solares. Para além, o rochedo até ao infinito. A camada de ar, no interior, tem uma altura de sessenta quilômetros, depois rarefaz-se até ao vazio absoluto do centro, onde se encontram três corpos: o Sol, a Lua e o Universo fantasma. Esse Universo fantasma é uma bola de gás azulado na qual brilham grãos de luz a que os astrônomos chamam estrelas. É noite sobre uma parte da concavidade terrestre quando essa massa azul passa diante do Sol, e a sombra dessa massa sobre a Lua produz os eclipses. Acreditamos num Universo exterior, situado por cima de nós, porque os raios luminosos não se propagam em linha reta: são curvos, à exceção dos infravermelhos. Esta teoria de Bender viria a tornar-se popular por volta de 1930. Dirigentes do Reich, oficiais superiores da Marinha e da Aviação acreditavam na Terra oca.
Parece-nos absolutamente insensato que homens encarregados de dirigir uma nação possam, em parte, ter regulado a sua conduta segundo intuições místicas que negam a existência do nosso Universo. No entanto é necessário ver bem que, para o homem simples, para o alemão da rua cuja alma fora modelada pela derrota e pela miséria, a idéia da Terra oca, por volta de 1930, não era mais louca, no fim de contas, que a idéia segundo a qual um grão de matéria conteria fontes de energia ilimitada, ou que a idéia de um Universo com quatro dimensões. A ciência, a partir do final do século XIX, enveredava por um caminho que não era o do bom senso. Para espíritos primários, desgraçados e místicos, qualquer singularidade se tornava admissível e, de preferência, uma singularidade compreensível e consoladora como a da Terra oca. Hitler e os seus camaradas, homens saídos do povo e adversários da inteligência pura, deviam considerar as idéias de Bender mais admissíveis do que as teorias de Einstein, que punham a descoberto um Universo de infinita complexidade, de infinita delicadeza para quem quisesse abordá-lo. O mundo segundo Bender era aparentemente tão louco como o mundo de Einstein, mas para nele penetrar não era preciso mais do que uma loucura de primeiro grau. A explicação do Universo feita por Bender, embora tivesse premissas loucas, desenvolvia-se de maneira razoável. O louco perdeu tudo exceto a razão.
O Hohl Wrelt Lehre, que fazia da humanidade a única presença inteligente do Universo, que reduzia esse Universo apenas às dimensões da Terra, que dava ao homem a sensação de estar envolvido, encerrado, protegido, como o feto no útero da mãe, satisfazia certas aspirações da alma infeliz, concentrada no orgulho e cheia de raiva contra o mundo exterior. Além disso a única teoria alemã que era possível opor ao judeu Einstein. A teoria de Einstein baseia-se na experiência de Michelson e Morley, demonstrando que a velocidade da luz que se desloca no sentido da revolução terrestre é a mesma que a da luz perpendicular a essa revolução. Einstein deduz daí que não há portanto um meio que conduza a luz, mas que esta é composta por partículas independentes.
A partir desse dado, Einstein apercebe-se de que a luz se contrai no sentido do movimento e que é condensação de energia. Ele estabelece a teoria da relatividade do movimento da luz. No sistema Bender, a Terra, sendo oca, não se desloca. Nada há ali a ver com Michelson. A tese da Terra oca, aparentemente, explica a realidade tão bem como a tese de Einstein. Nessa época, nenhuma verificação experimental viera ainda corroborar o pensamento de Einstein, a bomba atômica não viera justificar esse pensamento de forma absoluta e aterradora. Os dirigentes alemães aproveitaram a ocasião para negar qualquer valor aos trabalhos do genial judeu e a perseguição contra os sábios israelitas e contra a ciência oficial começou. Einstein, Teller, Fermi e muitos outros grandes espíritos tiveram de se isolar. Receberam bom acolhimento nos Estados Unidos, dispuseram de dinheiro e de laboratórios bem equipados. A origem do poder atômico americano está nisso. Foi a subida das forças ocultas na Alemanha que concedeu a energia nuclear aos americanos.
O mais importante centro de estudos do exército americano encontra-se em Dayton, no Ohio. Em 1957 era anunciado que o laboratório que, nesse centro, é consagrado à domesticação da bomba de hidrogênio conseguira realizar uma temperatura de um milhão de graus. O sábio que levara a bom termo essa extraordinária experiência era o doutor Heinz Fisher, o homem que dirigira a expedição à ilha de Rügen para verificar a hipótese da Terra oca. Ele trabalhava livremente nos Estados Unidos desde 1945. Interrogado a respeito do seu passado pela imprensa americana, declarou: Os nazistas obrigavam-me a fazer um trabalho de louco, o que prejudicava consideravelmente as minhas investigações. Perguntamos a nós próprios o que teria acontecido e de que maneira teria evoluído a guerra se as pesquisas do doutor Fisher não tivessem sido interrompidas em proveito do místico Bender. . .
Após a expedição da ilha de Rügen, a autoridade de Bender, aos olhos dos dignitários nazistas, diminuiu, apesar da proteção de Goering, que sentia afeto por aquele antigo herói da aviação. Os horbigerianos, os partidários do grave Universo onde reina o gelo eterno. venceram-no. Bender foi mandado para um campo de concentração, onde morreu. Desta forma, a Terra oca teve o seu mártir. No entanto, muito antes dessa louca expedição, os discípulos de Horbiger atormentavam Bender com sarcasmos e pediam que os livros a favor da Terra oca fossem proibidos. O sistema de Horbiger tem as dimensões da cosmologia ortodoxa, e não é possível acreditar simultaneamente no cosmos onde o gelo e o fogo prosseguem a sua luta eterna e no globo oco preso num rochedo que se prolonga até ao infinito. Foi pedida a arbitragem de Hitler. A resposta merece reflexão:
Não temos a menor necessidade - disse Hitler - de uma concepção do mundo coerente. Ambos podem ter razão.
O que conta não é a coerência e a unidade do conjunto, mas sim a destruição dos sistemas provenientes da lógica, das formas de pensamento racional, é o dinamismo místico e a força explosiva da intuição. Há lugar, nas trevas cintilantes do espírito mágico, para mais de uma centelha.
Levam-nos água ao nosso horrível moinho. - O jornal dos Loiros. - O padre Lenz. - Uma circular da Gestapo. A última prece de Dietrich Eckardt. - A lenda de Tule. Um viveiro de médiuns. - Haushoffer o mágico. -Os silêncios de Hess. - A suástica e os mistérios da casa Ipatiev. Os sete homens que queriam modificar a vida. - Uma colônia tibetana. - As exterminações e o ritual. - Está mais escuro do que imaginais.
Vivia em Kiel, após a guerra, um honesto médico dos seguros sociais, perito junto dos tribunais, bem-humorado, que chamava Fritz Sawade. No final do ano de 1959, uma voz misteriosa preveniu o médico de que a justiça ia ser obrigada a prendê-lo. O médico fugiu, vagueou durante oito dias e depois rendeu-se. Tratava-se na realidade do Obersturmbannführe S.S. Werner Heyde. O professor Heyde fora o organizador médico do programa de eutanásia que, de 1940 a 1941, fez 200 vítimas alemãs e serviu de prefácio à exterminação dos estrangeiros nos campos de concentração.
A propósito dessa prisão, um jornalista francês, que é ao mesmo tempo um excelente historiador da Alemanha hitleriana escreveu:
O caso Heyde, como muitos outros, assemelha-se aos icebergs cuja parte visível é a menos importante... A eutanásia dos fracos, dos incuráveis, o extermínio em massa de todas as comunidades susceptíveis de contaminar a pureza do sangue germânico foram realizados com uma obstinação patológica, uma convicção de natureza quase religiosa que parecia atingir a demência. A tal ponto que numerosos observadores dos processos alemães do após-guerra - autoridades científicas ou médicas pouco capazes de admitirem como provas mistificações - acabaram por pensar que a paixão política constituía uma explicação bastante fraca e que era necessário que entre tantos executantes e tantos chefes, entre Himmler e o último guarda de campo de concentração, tivesse imperado uma espécie de elo místico.
A hipótese de uma comunidade iniciática, subjacente ao nacional-socialismo, impôs-se pouco a pouco. Uma comunidade verdadeiramente demoníaca, regida por dogmas ocultos, bem mais aperfeiçoados do que as doutrinas elementares de Mein Kampf ou do Mito do século XX, e servida por ritos cujos vestígios isolados não se notam, mas cuja existência parece incontestável para os analistas (e recordamos que se trata de sábios e de médicos) da patologia nazista. Eis a água para este horrível moinho.
Todavia não pensamos que se trate de uma única sociedade secreta, solidamente organizada e ramificada, nem de um dogma único, nem de um conjunto de ritos organicamente constituído. A pluralidade e a incoerência parecem-nos, bem pelo contrário, significativas dessa Alemanha subterrânea que tentamos descrever. A unidade e a coesão em qualquer assunto, mesmo místico, parece indispensável a um ocidental cheio de positivismo e de cartesianismo. Mas aqui estamos fora desse Ocidente; trata-se antes de um culto multiforme, de um estado de superespírito (ou de subespírito) absorvendo diversos ritos, crenças mal ligadas entre si. O importante é manter um fogo secreto, uma chama viva; tudo serve para a alimentar.
Nesse estado já nada é impossível. As leis naturais são interrompidas, o mundo torna¬se fluido. Chefes S.S. declaravam que a Mancha é muito menos larga do que o indicam os Atlas. Para eles, como para os sábios hindus de há dois mil anos, como para o bispo Berkeley no século XVIII, o Universo não passava de uma ilusão e a sua estrutura podia ser modificada pelo pensamento ativo dos iniciados.
O que para nós é possível é a existência de um puzzle mágico, de uma forte corrente luciferina a respeito da qual demos algumas indicações nos capítulos anteriores. Tudo isto pode servir para explicar um grande número de fatos horríveis, de uma forma mais realista que a dos historiadores convencionais que apenas querem ver, atrás de tantos atos cruéis e insensatos, a megalomania de um sifilítico, o sadismo de um grupo de neuróticos, a obediência servil de uma multidão de cobardes.
Imagem: A chave do segredo está em acabar com a ilusão do tempo.
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