quinta-feira, 28 de julho de 2011

Os maiores mistérios das luas do gigante Júpiter


O maior planeta do sistema solar, Júpiter, também possui a maior quantidade de luas: incríveis 64 satélites atualmente catalogados.

A maioria das luas são pedras pequenas e irregulares: aparentemente, asteroides capturados pela gravidade de Júpiter, que se espalham sobre o planeta gigante como abelhas em torno de uma colmeia.

Entretanto, quatro das luas de Júpiter são na verdade bastante substanciais – tanto que podem ser vistas através de um telescópio rudimentar. A prova disso é que o primeiro observador das luas foi o inventor do telescópio em si, o astrônomo italiano Galileu Galilei, o que as deixou conhecidas como as “luas de Galileu” em 1610: Io, Europa, Ganímedes e Calisto.

Juntas, essas quatro luas compreendem mais de 99,9% da massa dos satélites de Júpiter. Cada uma tem um caráter distintivo, e todas são enigmas científicos. Conheça alguns dos mistérios das principais luas de Júpiter:

Io, a lua hiperativa

Io é a mais próxima das luas galileanas de Júpiter. Esta proximidade ajuda a explicar a aparência infernal, enxofre-amarelada, vermelho-manchada e cheia de “elevações” da lua.

As elevações são, na verdade, vulcões. Io possui mais ou menos 400 vulcões ativos, bem como montanhas formadas por movimentos tectônicos. No geral, a lua é o objeto mais geologicamente ativo do nosso sistema solar.

A energia que impulsiona toda essa atividade vem em grande parte de um “cabo de guerra” gravitacional entre Júpiter e as outras três luas de Galileu (Io fica no meio da batalha). O constante alongamento e compressão que a lua sofre aquecem o seu interior, levando-a a escorrer lava, enxofre e cinzas para o espaço.

Porém, os cientistas acreditam que essa batalha entre o planeta e as luas não é tudo. Nós não sabemos o suficiente sobre Io e ainda não podemos avaliar adequadamente todo seu mecanismo. A lua é tão interessante que muitos astrônomos gostariam de considerar uma missão inteiramente dedicada a ela.

Europa, uma boa aposta para vida extraterrestre

No entanto, a lua de Júpiter que definitivamente está na lista para um dia conseguir sua própria missão é a Europa. Este objeto gelado e branco com listras marrons em sua superfície se destaca como um dos melhores candidatos para hospedar vida extraterrestre em nosso sistema solar.

Sob uma crosta de gelo de 3 a talvez 32 quilômetros de espessura, Europa provavelmente abriga um oceano de água salgada. Segundo modelos de astronomia, este oceano poderia ter o dobro do volume de todos os da Terra.

A questão é: esse oceano poderia permitir o desenvolvimento de vida de alguma forma? A ideia não é tão absurda. A flexão da maré de Júpiter poderia manter o interior da Europa quente. Esta energia poderia, por sua vez, suportar vida microbiana, análoga à encontrada em torno de fontes hidrotermais nos oceanos da Terra. Raios cósmicos do espaço que atingem o gelo da crosta da lua poderiam até liberar oxigênio para criar maiores formas de vida, como peixes.

Ganímedes, grande e estranhamente magnética

A maior lua de Júpiter, Ganímedes, é a maior lua do sistema solar. Na verdade, é até maior do que o planeta Mercúrio.

Outra distinção da lua é que ela é a única com a sua própria magnetosfera, que é uma região ao redor do objeto onde partículas carregadas do sol são desviadas por um campo magnético.

Os cientistas não sabem como essa magnetosfera foi criada. Eles acreditam que o fato é muito fascinante, pois não existe conhecimento de outro pequeno corpo que possua tal campo.

Pesquisadores sugerem que tal magnetosfera provavelmente foi feita de forma muito parecida com a da Terra, devido à convecção no núcleo de ferro líquido da lua. Saber como ela foi gerada ajudaria a compreender melhor o nosso próprio campo magnético.

Para finalizar, Ganímedes também pode ter um oceano escondido sob a sua crosta cinza, rochosa e gelada.

Machucada Calisto

A lua com órbita mais distante de Júpiter é Calisto. Ao contrário de Io e Europa (e mesmo Ganímedes até certo ponto), nas quais a atividade geológica “apagou” muitas crateras, Calisto carrega cicatrizes de impactos com meteoritos. A lua geologicamente morta é considerada o objeto com mais crateras no sistema solar.

A paisagem de Calisto é, portanto, uma das mais antigas do universo, com idade de cerca de quatro bilhões de anos. A análise de materiais de sua superfície seria como voltar no tempo, para o início do sistema solar.

Sendo assim, Calisto pode ser cheia de surpresas também: um oceano subterrâneo poderia existir na lua, mais uma possível morada para vida alienígena na vizinhança de Júpiter.

Restos de uma lua destruída

Desde a sua descoberta em 2000, uma pequena lua de apenas quatro quilômetros de diâmetro, designada S/2000 J 11, tem desaparecido.

Os astrônomos pensam que a pequena lua bateu em Himalia, a quinta maior lua de Júpiter depois das quatro galileanas.

O possível impacto parece ter criado uma faixa de material, observada em 2006, que pode até virado um novo anel em torno de Júpiter. Os tênues anéis do planeta, naturalmente, não recebem a mesma atenção dos badalados anéis de Saturno, mas, como Saturno, as luas desempenham um papel fundamental no fornecimento das partículas que compõem os discos gigantes de Júpiter.[Life'sLittleMysteries]

http://hypescience.com/os-maiores-misterios-das-luas-do-gigante-jupiter/

Hypescience