domingo, 10 de fevereiro de 2013

Asteróide do dia 15/02/13 passará, mas o perigo permanecerá

 

As pessoas mais impressionáveis, cujas esperanças de ver chegar o fim do mundo em dezembro não se realizaram, têm uma nova razão para se preocuparem. Em 15 de fevereiro, perto da Terra passará o asteroide DA14, de 45 metros. A maior aproximação será de 28 mil quilômetros. Uma passagem tão rente de um corpo celeste desse tamanho não foi vista desde os anos 90.

O próximo evento de fevereiro nos faz pensar de novo que a ameaça de asteroides e cometas para os habitantes da Terra é bastante real. O globo terrestre guarda alguns traços de tais desastres. É a famosa cratera no Arizona e outras duas crateras gigantes demais de 150 km em diâmetro: uma perto da península de Yucatán, e outra sob as areias do Saara. Se o asteroide DA14 de 45 metros alguma vez colidir com a Terra, ele causará muitos problemas, diz o docente do departamento de astronomia da Faculdade de Física da Universidade Estatal de Moscou, Vladimir Surdin.
“O atual asteroide de 45 metros é quase igual ao meteorito de Tunguska, que há 100 anos caiu na Terra. A sua explosão na atmosfera afetou a taiga, provocou incêndios numa área comparável à moderna Moscou. Assim, a caída de um corpo de dezenas de metros é perigosa, se acontece sobre áreas densamente povoadas. E é ainda pior, se cai no oceano – aí, um tsunami pode tornar a vida difícil para as zonas costeiras”.
Os astrônomos descobriram o DA14 há um ano e calcularam que, em 15 de fevereiro, sua órbita certamente não se cruzará com a da Terra. Muito pior é o caso dos corpos celestes de 10 metros de comprimento, que por enquanto podem ser detectados somente um dia antes de caírem na Terra. Um tal asteroide explodiu sobre uma área deserta da Indonésia em 2010, e a explosão foi três vezes mais potente do que a de Hiroshima. Cientistas se preocuparam em criar uma rede de monitoramento de asteroides. Com sua ajuda será possível detectar objetos espaciais perigosos duas semanas antes de caírem na Terra. Isto irá aumentar o tempo para a evacuação de pessoas. Telescópios de grande porte que observem pequenos asteroides a grandes distâncias da Terra ainda não existem, mas estão sendo construídos, diz Vladimir Surdin.
“Vários países estão unindo forças para instalar vários desses telescópios ao redor do mundo e até mesmo enviar para o espaço. O problema é que não podemos ver os asteroides e cometas que estão voando para a Terra do lado do Sol – ele deslumbra os instrumentos ópticos. Por isso, é necessário enviar telescópios para além do Sol, para o lado oposto da órbita da Terra, e observar de lá os asteroides”.
O primeiro telescópio especial Sentinel deve ser colocado em 2018 entre as órbitas da Terra e de Vênus. Os fundos para ele estão sendo recolhidos por uma fundação privada nos EUA. O aparelho irá funcionar na gama de infravermelhos e procurar asteroides escrutinando a diferença de temperatura entre suas superfícies e o fundo frio comum do espaço. No entanto, mesmo as mais avançadas ferramentas não irão resolver fundamentalmente o problema da ameaça de asteroides, diz um investigador principal do Instituto de Física da Academia de Ciências russa Serguei Bogachev.
“Atualmente estão sendo conduzidos muitos trabalhos em diferentes meios de controle do espaço circundante, mas tais sistemas não permitem evitar uma colisão com a Terra, somente informam. São sistemas de alerta, mas não de impedimento. A humanidade ainda não pode impedir uma colisão”.
Até hoje já foram inventadas cerca de duas dezenas de maneiras de lidar com objetos espaciais perigosos: propõe-se desviar o corpo celeste da sua perigosa rota em direção à Terra, instalando nele um motor de foguete, ou destruir o asteroide por meio de uma explosão. É possível que, no futuro, contra o DA14, vá ser necessário aplicar uma dessas técnicas defensivas pela primeira vez. Agora, sua órbita quase coincide com a da Terra, mas seus parâmetros irão mudar muito após a aproximação do nosso planeta. Da distância exata a qual ele passar pela Terra depende a probabilidade de subsequentes colisões. Por enquanto, o risco global até 2069 estima-se em uma chance em 3000.
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