quinta-feira, 15 de julho de 2010

10 Tecnologias resistem bravamente à extinção



As tecnologias obsoletas, para as quais já existem substitutos mais eficazes, sumiram completamente do mapa? Bem, ainda não. Embora não sejam mais usados pela maioria, alguns aparelhos que eram muito úteis no século passado continuam em voga – alguns mais, outros menos -, por diversos motivos: falta de recursos para comprar aparelhos novos, utilidade ainda presente nos velhos, ou simplesmente saudades dos tempos antigos.

10 – TELEGRAMA

Foi uma das revoluções da comunicação no século XX. Em 1929, no ápice desse recurso de linguagem, foram enviados mais de 200 milhões de mensagem de pontos e traços, convertidos para letras – o famoso código Morse. Em 2006, no entanto, um dos pilares do telegrama foi definitivamente enterrado. A Western Union, instituição que mais transmitiu telegramas na história, fez sua última transmissão. Ainda se mandam telegramas, mas ele já perdeu todo o seu sentido prático; é apenas usado por entusiastas e radioamadores.

09 – MÁQUINAS DE ESCREVER

Esse aparelho deveria entrar em uma completa inutilidade com a massificação dos computadores, já que, se não é todo mundo que pode ter um computador, os profissionais que ganham a vida escrevendo de alguma forma têm acesso a esse recurso. Mesmo assim, nem todo mundo desistiu da máquina de escrever. Em Nova York (EUA), por exemplo, cerca de um milhão de máquinas de escrever ainda são mantidas em funcionamento, por aprendizado, saudosismo ou preservação da história.

08 – FAX

Embora a maioria tenha desistido de usar fax – que surgiu em 1947 e aparentemente mal durou meio século -, ele ainda tem utilidade real para algumas tarefas. Criado para transmitir, a longas distância, cópias idênticas de documentos (ou fac-símiles, daí vem a abreviação fax), ele segue tendo essa função para quem deseja comprovar a autenticidade de papéis importantes. E não são poucas pessoas, cerca de meio milhão de fax foram vendidos ano passado, para céticos profissionais da advocacia, de imobiliárias e corretoras de seguros. Para algumas atividades, o documento enviado por email, em pdf, ainda não tem a mesma confiabilidade do fax.

07 – TELEFONES “COM FIO”

Pode parecer loucura, mas o telefone comum, que é presença comum em nossas casas, já poderia ter sido totalmente suplantado pelos celulares e se tornado peça de museu. Mas há algumas razões para que a mudança ainda não tenha sido completada. Primeiro, o telefone da parede não tem uma bateria que precisa ser recarregada em poucos dias e não deixa de funcionar quando a companhia de luz não atende nossas necessidades. Além disso, muitas pessoas não gostam muito de todos os outros acessórios – calculadora, joguinhos, conversor de medidas e músicas – que vêm juntos, preferem um simples telefone. 95% dos idosos americanos ainda não adotaram o celular porque consideram o velho telefone mais confiável para pedir ajuda, para contatar a ambulância, a polícia ou a enfermeira. Ainda há cerca de 100 milhões de telefones funcionando nos EUA: os outros já passaram para o celular. A questão é até quando a original invenção de Graham Bell irá sobreviver.

06 – TOCA-DISCOS

Contrariando as previsões de que os CDs e o MP3 acabariam por varrer o disco de vinil do mapa completamente, essa mudança criou uma legião de fãs do grande disco preto. Uma gravadora americana fez um levantamento que contatou um aumento nas vendas dos discos de vinil do ano passado para cá – de 1,9 para 2,8 milhões de unidades -, mesmo agora que o império da música digital e portátil já se colocou sobre a indústria musical. Comparado à venda de CDs (374 milhões) e downloads de músicas na Internet (1,2 bilhões), esse número pode não representar muita coisa, mas os devotos do gramofone têm uma opção adaptada para a nova era: toca-discos digitais, que podem converter músicas do vinil para o seu PC, a fim de se ouvir no IPod. É um método menos violento de desapego…

05 – CAIXA REGISTRADORA

A caixa registradora parece estar com seus dias contados, já que as grandes lojas já adotaram sistemas computadorizados para as atividades do caixa. Um software que faz cálculos imediatos, contabiliza produtos e soma preços automaticamente é realmente uma facilidade comparada ao método manual das maquininhas do “dim-dim”. Esses sistemas computadorizados, no entanto, ainda são caros, razão pela qual muitos lojistas ainda não os adotaram.

04 – POLAROIDE

Em fevereiro de 2008, a fotografia digital fez uma vítima na sua caminhada rumo ao progresso. A empresa Polaroid, que produzia câmeras de fotografia instantânea – a foto é revelada na hora – foi á falência, derrotada pelas tendências do século XXI. Para que os amantes da foto instantânea possam continuar usando essa tecnologia, a Polaroid foi comprada por outra empresa, que agora continua a disponibilizar a foto instantânea.

03 – CDS E DVDS

Com a popularização das mídias digitais, que, em seu sistema de downloads e armazenamentos virtuais, têm colocado o IPod nas mãos de milhões de pessoas, os discos já estão ficando para trás. A tendência não poderia ser diferente, já que a mídia virtual apresenta maior capacidade, velocidade e facilidade do que estes; basta comparar, por exemplo, o armazenamento de um arquivo em um PenDrive com a gravação de um CD. Um dia, os CDs terão o mesmo destino dos disquetes – a nossa memória na era dos computadores.

02 – TELEVISÃO ANALÓGICA

Ainda vai levar um tempo para que a TV digital destrone completamente a analógica da sala de estar das pessoas. Só nos Estados Unidos, 90 milhões de tevês analógicas foram vendidas no último ano. As razões para essa resistência no mercado são durabilidade, preço baixo – bem mais baixo, pelo menos por enquanto – e também a qualidade das imagens. Parece besteira, mas os sinais digitais ainda estão em adaptação e alguns experimentos deram errado – a TV analógica, por enquanto, ainda é a mais garantida. Além disso, a manutenção da TV convencional é complicada, e as pessoas preferem simplesmente comprar outra; portanto, ainda há demanda.

01 – RADIOAMADOR

A CB (Banda do Cidadão) foi uma faixa de Rádio (27 MHz) disponibilizada pelo governo americano nos anos 50 para uso popular. A partir daí, pessoas de todas as partes do mundo passaram a poder usar as ondas de rádio por diversão, sem vínculo com nenhuma emissora. Essa atividade, hoje em dia, está caindo em desuso, mas ainda se pode conseguir uma licença para ser um Radioamador. [msnbc]

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HYPESCIENCE

terça-feira, 13 de julho de 2010

Foto espacial: luas de Saturno


O que aconteceu com Rhea, a maior lua de Saturno que aparece na foto? Nada! Na verdade, ela só está encoberta pelos anéis do planeta.

Essa foto foi tirada em Abril, pela sonda Cassini, que atualmente orbita Saturno. Ela conseguiu um ângulo bem diferente dos mais famosos anéis do sistema solar.

A lua menor, Janus, a que parece um asteróide, dá a impressão de estar flutuando sobre os anéis, mas na verdade está bem atrás deles. Janus é uma das menores luas de Saturno e mede apenas 180 km de comprimento. Rhea já é um satélite bem maior, medindo 1500 km de comprimento.

A sonda Cassini deve ficar pelas proximidades de Saturno até 2017 para estudar melhor o planeta, seus solstícios e equinócios e as conseqüentes mudanças de estações. [Nasa]

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HYPESCIENCE

G. K. Chesterton. O homem das cavernas. Aceitemos o homem como um fato, se nos é bastante um fato inexplicável


Seu entendimento tem tantas liberdades como limitações. Só ele, entre todos os animais, é capaz de agitar-se na famosa loucura que chamamos riso. Só ele, entre todos os animais, sente a necessidade de separar os seus pensamentos das realidades de seu próprio corpo, de ocultá-las, como se encontrasse ante uma mais alta possibilidade que cria o mistério do pudor.

http://www.permanencia.org.br/revista/Pensamento/chesterton1.htm

Podemos elogiar estes costumes, como naturais no homem, ou censurá-los como artificiais na Natureza. Mas, sempre permanecerão como o mesmo sentido de coisa única. Isto está comprovado pelo instinto popular chamado religião, em que pese aos laboriosos pedantes da vida simples. Os mais sofísticos de todos os sofistas são os “ginosofistas”. [8]

Porque, indubitavelmente, é antinatural o considerar-se o homem como um produto natural. É pecar contra o espírito, animalizá-lo – contra este espírito de realidade, que está feito do senso das proporções – E fico temeroso ao dizer “antinatural”, pois, enfim, se imaginamos que uma inteligência inumana ou impessoal pôde ter sentido ou captado a natureza geral do mundo não humano, com o vigor suficiente para poder ver que as coisas se desenvolveriam pela maneira que se desenvolveram, nada teria havido em todo esse mundo natural que preparasse essa inteligência para tal novidade tão natural.
O aparecimento do homem não lhe faria sequer o efeito benigno de um rebanho, entre cem, que descobre uma melhor pastagem, ou de uma andorinha, entre mil, que se extravia sob céus mais risonhos. Teria a impressão, não de uma modificação parcial das proporções, senão de um salto à quarta dimensão, como se uma vaca saltasse veloz, por cima da lua ou se um porco voasse. Para encontrar um paralelo, fora preciso não somente que as bestas escolhessem seus pastos, senão que construíssem, também, os seus estábulos; não somente que a andorinha descobrisse a Costa Azul, mas que edificasse a sua casa de veraneio.

Pois o fato mesmo dos pássaros fazerem ninhos relevaria, surpreendentemente, uma diferença inexplicável se o homem não fosse mais que um animal. Que, com efeito, cheguem a construir os ninhos que nós vemos e neles guarneçam, prova isso mais a essencial solução de continuidade entre o seu cérebro de passarinho e o cérebro humano do que se não edificassem nada. Neste caso, poderíamos lhes atribuir uma atitude filosófica, impregnada de quietismo ou de budismo, indiferente a tudo o que não é contemplação interior. Mas, desde o instante em que o pássaro edifica como o faz, regozija-se disso e gorjeia de contentamento, percebemos entre ele e nós outros um véu invisível, uma dessas vidraças contra as quais tantos pássaros se chocam em vão.

Imaginemos, agora, ao contrário, que o nosso observador abstrato, não humano, vê um pássaro construindo à maneira dos homens e que em um nada de tempo faz uso de sete estilos distintos de arquitetura que esse construtor empenado escolhe, com carinho, raminhos cortados e folhas ponteagudas para expressar a piedade aguda do gótico; mas, em troca, provê-se de largas folhagens e de barro escuro quando sombras humanas o induzem a empregar os pesados pilares de Baal e Astartéia [9] na decoração de um ninho que seja um verdadeiro jardim suspenso de Babilônia.

Suponhamos que faça estatuetas de argila com a figura dos voláteis mais reputados nas letras, ciências e artes, para adornar a fachada de sua moradia. Em uma palavra: suponhamos que um pássaro, entre mil, empreende, um belo dia, qualquer das ações que os homens têm levado a cabo desde a aurora dos tempos, e não duvidaremos dos sentimentos do idealizado espectador. Não verá neste pássaro uma sub-variedade em transe de diferenciar-se, segundo o curso normal da evolução das espécies, senão que um prodígio, um augúrio; o sinal não de um acontecimento futuro, senão de um fato realizado: o advento de um espírito semelhante ao espírito humano. Se não houvera Deus, nenhuma outra inteligência fora capaz de prevê-lo.

De fato, não há nem sombras de indicação de que a inteligência humana se tenha formado por evolução natural. Existe, quiçá, uma cadeia rompida de pedras e de ossamentas para sugerir vagamente certo desenvolvimento do corpo do homem; entretanto, nada de parecido existe referente ao seu espírito.
Não era, e foi; eis o que todos nós sabemos, que não encontra seu lugar em nenhuma parte no tempo nem no espaço, e que escapa, por conseguinte, ao domínio da história. Sendo a missão do historiador mais registrar do que explicar, não experimentará nenhum pudor aceitando este fato sem comentário biológico, por isso que é realidade. Pouco importa que o homem seja inverossímil: uma vez que é verdade e que é real, - é uma almofada macia para uma cabeça bem feita. “E” – e isto basta à maioria de nós outros.

Não obstante, haverá, sempre, espíritos curiosos, ávidos de conceber, para perguntar mais e querer ver, absolutamente, no homem, uma criação que não faça dele um monstro. A estes eu direi: Quereis, verdadeiramente, uma explicação realista que devolva o ser humano ao quadro original, sem o que será um escândalo para a vossa razão? Quereis assistir a uma “evolução” que concorde com a realidade de sua natureza física e moral? Quereis contemplá-lo, finalmente, na áspera lucidez de seu dia verdadeiro? Dirigi-vos a outra parte; remontai o curso de memórias simples e formidáveis e ide despertar os sonos dormidos, pois é preciso evocar muitas vezes outras causas afim de encontrar uma origem para o homem, e invocar outra autoridade para lhe dar uma figura razoável ou, unicamente, admissível. No termo da rota acha-se tudo o que é, a um mesmo tempo, horrível, familiar e esquecido, com rostos e braços espantosos e enfurecidos. Aceitemos o homem como um fato, se nos é bastante um fato inexplicável; aceitemo-lo como animal, se nos convêm viver em meio de animais fabulosos.

Mas, se nos é necessário uma lógica, uma seqüência, então, precisaremos de um prodigioso prelúdio, de um crescendo de milagres desencadeados, para que, - engendrado em meio de trovões inconcebíveis, que estremeçam, até o sétimo céu – a ordem natural – o homem pareça, enfim, uma criatura comum.
(“The Everlasting Man”, 1o. cap., trad. Lourival Cunha, Editora O Globo de Porto Alegre, 1934.)
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Notas:
[1] Tosão de Ouro – Lenda maravilhosa no mundo grego. Veio do carneiro que levou pelos ares Phrixos e Helle à Colchida. Aí, depois de imolarem o carneiro a Zeus presentearam-no a Aetes, rei dos país, que o fazia guardar por um dragão. Deu origem à expedição dos argonautas organizada por Jasonos argonautas organizada por Jason. Jardim das Espérides – Jardim maravilhoso, cheio de pomos de ouro, guardado por um dragão de cem cabeças, onde viviam as três ninfas filhas da Noite – Aegles, Erithéa e Héspera. (N. do T.)
[2] Morris William – Poeta, pintor e crítico de arte inglês. O livro “Raízes das Montanhas”,1890 , consagrou toda a sua riqueza e gênio em melhorar as coisas visíveis e em propagar novos ideais.
[3] Balham – Subúrbio aristocrático de Londres.
[4] Vitória - época da rainha Vitória da Inglaterra.
[5] De outra gruta ... – O autor refere-se ao nascimento de Cristo no estábulo de Belém, cavado na terra.
[6] Mougle – Mowgli.
[7] Perogrullo – Personagem fantástica, a quem se atribuem verdades sediças.
[8] Ginosofistas – De gumnos, nu, e sophos sábio – Filósofo de uma seita da Índia, cujos membros viviam nus.
[9] Baal e de Astartéia – Templos erigidos ao deus Baal, Bel ou Belus dos fenícios e à sua mulher Astartéia – Baal era o deus supremo. Astartéia era considerada alternativamente como deusa virgem e deusa mãe.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

G. K. Chesterton. O homem das cavernas. as pinturas não provam que o


homem das cavernas vivesse nas cavernas
Se o menino ouvira falar disso, admitiria, então, que tais especulações podiam ser verdadeiras e não incompatíveis com os fatos verdadeiramente certos. Nada se opõe a que o artista tivesse outra feição característica além da de ser artista.

http://www.permanencia.org.br/revista/Pensamento/chesterton1.htm

O homem primitivo bem podia se comprazer tanto em surrar as mulheres como em pintar animais. O único que podemos afirmar é que os desenhos falam de seu caráter como artista e não como carrasco de mulheres. É possível que terminando de dar uma tunda em sua mãe ou na sua esposa lhe fosse agradável recrear-se, no murmúrio de um arroio e na contemplação de um cervo que bebia... Estas coisas não são impossíveis, mas, sim, improváveis. O senso comum do menino se limitaria a aprender dos fatos o que os fatos o ensinavam e ns cavernas quase não há outro fato verídico que o das pinturas. O menino não veria outra coisa senão que um homem representa animais com ocre vermelho, pela mesma razão que ele empregava o carvão nos seus desenhos.

O primitivo pintara um cervo como ele pintava cavalos; um cervo com a cabeça virada, levado pela mesma causa que o impelia a pintar porcos com os olhos cerrados: porque era difícil. O menino e o troglodita por serem humanos uniam-se na fraternidade dos homens. E esta fraternidade é mais nobre quando enlaça os abismos do tempo do que quando serve de ponte às distintas classes sociais. O que ele não veria na caverna seria um indício, sequer, da evolução. Se alguém lhe dissesse que aquelas pinturas haviam sido feitas por S. Francisco de Assis, pelo seu puro e santo amor aos animais, nada encontraria na caverna que contrariasse esse asserto.
Uma senhora amiga me sustentava, com bom humor, certa vez, que a caverna primitiva só servia para os bebês e que tinham pintado animais nas paredes para distraí-los, como nas escolas infantis que se adornam as paredes com coelhos e elefantes. É uma burla, de acordo. Mas, no entanto, atrai a nossa atenção para algumas suposições que, sem mais provas, aceitamos como verdadeiras.

Com efeito, as pinturas não provam que o homem das cavernas vivesse nas cavernas, da mesma forma que o descobrimento de uma adega subterrânea em Balham [3] não demonstrará nunca que a classe média da época vitoriana [4] vivia em baixo da terra. A caverna podia ter um destino especial como a adega. Podia ser uma espécie de capela religiosa ou de um refúgio em tempo de guerra, de um esconderijo de alguma sociedade secreta, ou, sabe Deus, quantas coisas mais. Mas, é indubitável que a sua artística decoração parece, mesmo, mais própria de um abrigo infantil do que de um âmbito revolucionário. Concebi um menino no subterrâneo. Tão fácil é conceber um outro qualquer, moderno ou da mais remota antiguidade, acariciando suavemente os animais pintados na rocha. Gesto carinhoso que pode ser o antecedente de outra gruta e de outro menino [5].

Mas, suponhamos que o menino não é discípulo de um sacerdote e sim de um professor, de um desses professores que simplificam a relação entre homens e animais com uma simples explicação evolucionista. Suponhamos que o menino se considera um simples Mougle [6]. Que significaria para ele a simplíssima lição dessas gravuras na rocha? Diria, naturalmente, que tendo descido muito, abaixo da terra, encontrara, aí, um lugar onde um homem pintara um cervo. Porém, muitíssimo mais teria que descer para encontrar um outro local em que um cervo teria pintado um homem. Parece, até, uma verdade de Perogrullo,[7] mas, entretanto, é uma grande verdade. Desça-se a profundidades incríveis; chegue-se a continentes submergidos, tão remotos como as mais remotas estrelas; transporte-se à lua; procure-se nos grandes abismos gelados, nas grotas colossais de pedras: - se encontrará, sim, pegadas de monstros de formas inconcebíveis. Mas, em nenhuma parte a afirmação positiva de que um dedo houvesse traçado uma linha inteligente na areia, nem sinais de que uma garra tentasse esboçar uma forma.

O menino, certo, não esperará encontrá-lo, como não esperará, jamais, ver um gato traçando a caricatura de um cão. E porque não encontra entre os animais o menor indício de uma arte embrionária? É a lição simples, muito simples que nos ensina a caverna com suas paredes pintadas; tão simples, que dá trabalho compreendê-la. – Que o homem se diferencia dos animais mais pela espécie e não por uma graduação. – E a prova está aqui: - todo o mundo acha possível e natural que um homem pinte a imagem de um macaco, ao passo que tomaria por uma burla, por uma brincadeira a afirmativa de que o macaco mais inteligente da criação houvesse logrado pintar a imagem de um homem.
Há alguma coisa que separa fundamentalmente o homem dos animais. A arte é patrimônio do homem. Esta é a verdade simples com que se deve começar a história dos princípios.

O evolucionista assombra-se, nas cavernas, com coisas demasiado grandes para serem vistas e demasiado simples para serem compreendidas. E, por isso, procura deduzir conseqüências indiretas e duvidosas dos detalhes das pinturas, porque não conseguiu ver o significado primordial do conjunto. Só obtém deduções teóricas sobre a ausência de religião ou a presença da superstição, acerca da existência de um governo de tribo, da caça, de sacrifícios humanos, etc., etc.

No próximo capítulo tratarei mais detalhadamente das origens pré-históricas das idéias humanas, e mui especialmente da idéia religiosa. Aqui só trato do caso concreto da caverna, como uma espécie de símbolo da verdade singela com que deve principiar a história. De tudo o que se descobriu nela, a única coisa que se releva de certo – é que o homem sabia pintar quadrúpedes e que os quadrúpedes não sabiam pintar homens. Se o homem que os pintava era tão animal como eles, ressalta como extraordinário, que soubesse fazer o que eles não sabiam e não sabem. Se o homem, ainda, era um produto de crescimento biológico, como qualquer outro animal, também é de estranhar sobremodo, que em nada se pareça com aqueles seus “semelhantes”. Enfim, o homem parece mais sobrenatural como um produto natural do que como um produto sobrenatural.

A razão que me levou a principiar esta história na caverna, como das especulações de Platão, é que ela ilustra particularmente o erro em que se fundam as introduções e prefácios evolucionistas em uso. É inútil começar dizendo que todas as coisas são conseqüências de um desenvolvimento gradual e lento. Porque, em um caso tão palmar como no das pinturas das cavernas pré-históricas, não se reconhece um único vestígio de tal desenvolvimento ou graduação. Os macacos não sabem começar uma pintura e os homens sabem acabá-la. O pitecantropo, não pintou um cervo e o Homo Sapiens conseguiu fazê-lo.

Tudo o que podemos dizer desta noção de reproduzir as coisas é que só existe no homem, e que não podemos falar desse assunto, sem tratar o homem como alguma coisa separada da natureza. Em outras palavras: toda a história deve começar pelo homem, como homem, pelo homem como algo absoluto e único. De como ele veio à terra ou de como todas as coisas se produziram na terra — é tarefa que pertence aos teólogos, filósofos e homens de ciência, e não aos historiadores.

Uma prova excelente deste misterioso asilamento é o que podemos chamar — o impulso da arte. Esta criatura foi diferente de todas as demais criaturas, porque foi tão criadora como criada. Nada, neste sentido, pode ser feito sob outra imagem que a imagem do homem. E a verdade é tão verdade, que, ainda sem nenhuma crença religiosa, deve ser admitida em forma de princípio moral ou metafísico. No próximo capítulo veremos este princípio aplicado a todas as hipóteses históricas e éticas evolucionistas, agora em moda; às origens do governo tribal ou crença mitológica. Porém, o exemplo mais claro e mais convincente é o do que o homem da caverna fez na caverna.
Este exemplo quer dizer que, de uma maneira ou de outra, alguma coisa nova apareceu na noite cavernosa da Natureza: uma inteligência que é bem como um espelho. E é bem como um espelho, porque se trata de um fenômeno de reflexão e nela, tão somente, podem ser vistas todas as outras formas, como sombras brilhantes de uma visão, porque, finalmente, e sobretudo – é a única coisa da sua espécie.

Outras coisas podem parecer-se com ela ou entre si em vários sentidos; outras coisas podem superá-la ou superarem-se entre si, igualmente, como no mobiliário de uma casa uma mesa pode ser redonda como um espelho ou um aparador maior do que ele. Mas, o espelho é a única coisa que pode conter todas as demais. O homem é o microcosmo; o homem é a medida de todas as coisas; o homem é a imagem de Deus. Estas são as únicas lições reais que há para aprender nas cavernas; e, já agora, é hora de deixá-las para sair em caminho aberto.
Não obstante, convém explicar, aqui, o que se quer dizer quando se afirma que o homem é a exceção, o espelho e a medida de todas as coisas. Mas, para vê-lo, tal como é, necessitamos, uma vez mais, defrontar-nos com aquela simplicidade que se pode limpar a si mesma das acumuladas nuvens da sofistaria.

A verdade mais singela acerca do homem é que ele é um ser muito estranho; parecendo, quase, um estrangeiro sobre a terra. Pela sua aparência externa mais parece um ser que haja trazido costumes desconhecidos de outras terras do que um ser natural desta que habitamos. Tem uma vantagem injusta e uma injusta desvantagem. Não pode se confiar a seus próprios instintos. É, ao mesmo tempo, um criador que possui mãos milagrosas e uma espécie de mutilado. Envolve-se em bandagens artificiais que se chamam vestidos; apóia-se em umas muletas que se chamam móveis.

domingo, 11 de julho de 2010

O que aconteceria se a Terra parasse de girar?


Você já se perguntou o que aconteceria se a Terra parasse de girar? Não são apenas os dias e as noites que acabariam. Confira a foto abaixo:

Essa é uma estimativa do que aconteceria com os nossos oceanos. Os nossos continentes virariam um só! Sem a força centrífuga que atua em nosso planeta por causa de sua rotação, a água se concentraria onde há mais gravidade. Ou seja, ela sairia do equador e ficaria próxima aos pólos do planeta, deixando a parte central do planeta completamente seca.

Lembramos que essa é uma estimativa relativa ao movimento de rotação, que a Terra faz em volta de si mesma, e não o movimento de translação, que ela faz em volta do Sol. O que aconteceria é que ainda teríamos o ano, mas não mais a divisão de dias. Estranho, certo?[Gizmodo]

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Por que os botões das roupas femininas e masculinas são em lados opostos?


Você já reparou que o botão das roupas femininas e masculinassão de direções diferentes? Isso faria sentido se a maioria dasmulheres fossem canhotas e os homens destros, mas na realidade, a maioria das pessoas são destras. Então, porque será que é assim?

O motivo remete aos costumes e à moda. Há muito tempo atrás, as pessoas usavam muito mais roupas do que hoje (assim como provavelmente tomavam menos banho).

Os homens podiam usar coletes, calças, polainas de lã e jaquetas. Já as mulheres, desde aquela época, incrementavam bem mais o vestuário: podiam usar uma dúzia ou mais de peças, como saias, calça esporte, vestidos, espartilhos e anquinhas.

Principalmente entre a classe alta, as empregadas domésticas e funcionários passavam horas vestindo a dona da casa. Logo, inverter os botões na roupa das mulheres tornava o trabalho mais rápido e mais fácil. Com os homens, que se vestiam sozinhos, a inversão não era necessária.

E por que esta tradição dura até hoje, se as mulheres claramente se vestem sozinhas? Por nenhuma razão, a não ser que é um costume e poucas pessoas sequer percebem ou reclamam dessa curiosidade. [Life's Little Mysteries]

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HYPESCIENCE

O engenhoso próton que encolheu


O próton, uma das mais conhecidas e básicas estruturas que formam a matéria, esteve guardando alguns segredos. Essa semana, cientistas descobriram que seu núcleo é 4% menor do que se achava. E o que isso muda na sua vida? Nós já explicamos:

Os prótons, como você deve lembrar das aulas de química e física, são partículas elementares de carga positiva. Juntamente com nêutrons e elétrons, eles formam os átomos que, por sua vez, formam o Universo.

Os cientistas descobriram que o próton é menor disparando raios laser em uma versão do átomo de hidrogênio (que consiste de um elétron e de um próton). O experimento deixou claro que o raio do próton é menor. E essa descoberta significa que a teoria que explica como a luz e a matéria interagem deve ser revisada ou então que a constante usada em muitos cálculos envolvendo prótons está errada.

E isso afeta várias áreas da ciência. Na astronomia, por exemplo, a forma com que se calcula os elementos químicos de outras galáxias usando espectroscopia pode estar errada!

Pode não parecer muito significativo para nós, meros mortais, mas segundo os físicos é uma discrepância muito séria que pode significar uma nova teoria de eletrodinâmica quântica.

A medida “errada” foi tirada há 10 anos atrás, em um instituto alemão. Ou seja, não só os alemães confiaram em um polvo para dizer que iriam perder as semifinais para a Espanha, mas também podem ter feito besteira com a mecânica quântica – com todo o respeito, afinal, durante 10 anos, ninguém conseguiu provar que eles estavam errados.

Agradecemos ao leitor Diego Willrich pela dica! Quer sugerir um tema para o HypeScience? Comente ou mande um e-mail! [LiveScience]

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HYPESCIENCE

Foto incrível: onde está Plutão?


Apesar de não ser mais considerado um planeta e sim um planeta anão, Plutão ainda tem muitos astrônomos em seu encalço. Nessa época é muito difícil avistá-lo, já que ele está passando pelo campo de estrelas de Sagitário e pelo centro da Via Láctea que, por serem muito povoados de estrelas, podem esconder o ex-planeta. E você, consegue vê-lo nessa foto?

Ele está bem no centro, marcado por dois pequenos riscos (um vertical e outro horizontal). Achou? Os astrônomos só conseguiram identificá-lo por ele estar atravessando uma nebulosa escura, a Banard 92, que o destacou dos demais astros.

A paisagem que preenche o resto da fotografia é o aglomerado de estrelas de Sagitário. [Nasa]

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HYPESCIENCE

Avião movido a energia solar voa à noite


Parece que estamos novamente em 1906. Nesse ano, Santos Dumont colocou para voar, pela primeira vez, o 14-bis, famigerado avião que deu o pontapé inicial de nossa história aeronáutica. Passou-se mais de um século, as aeronaves se modernizaram, mas a humanidade ficou mais uma vez apreensiva, temendo pela sorte de um vôo inédito. Dessa vez, a novidade era a força que movia a máquina: energia solar.

O palco dessa nova aventura foi a Suíça. Na última quarta-feira, dia 7, decolou nas proximidades da capital Berna um avião equipado com potentes células foto-sensíveis, que foram capazes de manter a máquina no ar mesmo com o cair da noite. Após 26 horas de vôo ininterrupto, o avião aterrissou perfeitamente em um aeroporto no interior suíço.

Um pouco de números: a aeronave de 15 toneladas, feita de fibra de carbono, contava com um painel solar de 63m de comprimento, instalado sobre as asas. No total, o painel contava com 12.000 células foto-sensíveis, que foram capazes de levar o avião, de 4 motores, a uma altura de 8.700m, quase as medidas do Monte Everest (8.848m), cume do planeta Terra. É um novo recorde mundial em duração e altura para um vôo à energia solar.

A próxima meta do grupo que desenvolveu a máquina é dar a volta ao mundo num desses aviões, objetivo que eles pretendem atingir em 2013. O que lhes dá esperança é o ineditismo de o avião ter passado a noite toda voando perfeitamente, sem apresentar falhas que acusassem a ausência dos raios solares. Quando o avião desceu, as baterias ainda tinham carga para mais três horas de vôo, o que anima a equipe. [BBC]

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Árvore chinesa floresce pela primeira vez em 90 anos


Os chineses devem ter muita paciência. Desde 1908, jardineiros esperaram que a árvore Chinese Goat Horn um dia mostrasse a sua flor caprichosa. Depois de 92 verões, este dia finalmente chegou.

Os primeiros brotos se abriram em uma flor branca mortalmente pálida, com um perfume muito leve, suave. As flores dão lugar a frutos fusiformes que lembram o chifre de um bode (horn of a goat), responsável pelo nome que a planta leva.

Muitos registros da árvore foram feitos. Existem apenas dois exemplares da semente original atualmente vivos; este e outro que se encontra no Castelo de Birr, County Offaly, na República da Irlanda. Todas as outras Chinese Goat Horn parecem ter morrido no meio do século 20. [BBC]

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Aquecimento global pode estar expulsando os crocodilos da água


Uma equipe de cientistas da Universidade de Queensland, na Austrália, está chegando à conclusão que os crocodilos poderão passar por maus bocados se as mudanças climáticas continuarem intensas. Para a pesquisa, eles reuniram 10 crocodilos e os avaliaram durante 15 dias no verão e 15 noinverno. Então, relacionaram o número de mergulhos em cada tipo de clima e cronometraram o tempo em que eles ficam submersos a cada vez.

No inverno, quando a temperatura da água também fica menor, os mergulhos duram, em média, dois minutos a mais do que no verão. Além disso, durante o inverno eles fazem cerca de 12 “mergulhos prolongados”, que duram mais de 50 minutos, durante a estação, enquanto no verão essa média é de apenas um mergulho em toda a temporada.

O que preocupa os cientistas é o aquecimento global. Os crocodilos necessitam ter um número regular de mergulhos, porque é debaixo d’água que eles conseguem alimento, descansam e evitam predadores (sim, eles têm predadores. Se duvida, vá ao pantanal observar a quantidade de caçadores de pele de jacaré que habitam o local. Mas os crocodilos também têm os deles, tais como hipopótamos), ou seja, eles necessitam dos mergulhos sazonais.

O problema é que o metabolismo desses répteis aumenta junto com a temperatura. Quanto mais quente a água estiver, mais rapidamente ele queima oxigênio, tendo que voltar à tona cada vez mais cedo do que o normal. Se o aquecimento seguir se agravando, chegará um ponto em que eles mal poderão mergulhar, e aí enfrentarão sérios problemas. [New Scientist]

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Foto espacial: um incrível grupo de galáxias


As galáxias do universo, normalmente, formam grupos: a nossa Via Láctea, por exemplo, fica no “Grupo Local de Galáxias” (nome criativo, certo?). Na foto você vê um grupo menor, o Grupo Compacto Hickson 87 (HCG 87) – ele é interessante porque, na verdade, ele está, de certa forma, se auto-destruindo.

Basicamente as galáxias do HCG 87 estão se aproximando – elas têm uma órbita de 100 milhões de anos em volta de um mesmo centro mas, aos poucos, estão se direcionando para esse centro.

Várias estrelas da nossa galáxia também estão à vista, mais distantes. A foto foi tirada pelo Hubble, em 1999. Fotos como essa ajudam astrônomos a entender como as galáxias se formam e evoluem. [Nasa]

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Fazendeiro chinês que usava canhão de petróleo é neutralizado



Vocês lembram de Yang Youde, o fazendeiro vingador, que usava um canhão de petróleo para proteger suas terras? Falamos sobre ele aqui. Parece que a história não terminou muito bem para ele.

Autoridades chinesas não acharam divertido ver um fazendeiro atacando seus funcionários com um canhão. Segundo relatos não só o chinês perdeu suas terras como seu irmão foi espancado e ficou cego de um olho após ser torturado por homens desconhecidos. Yang foi entrevistado por oficiais e depois passou 51 dias na “cadeia escura” – lugar onde presos chineses são jogados sem poderem apelar para recursos legais.

Segundo as autoridades responsáveis, a prisão de Yang foi parte de uma “educação política” – mas temos a impressão que o lugar em que ele ficou não se parecia em nada com uma instituição educacional. [Gizmodo]

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A melhor forma não-nuclear de armazenar energia


O que você obtém quando mistura xenônio, fluorido e submete a mistura a uma pressão semelhante à do centro da Terra? A ultra-bateria, capaz de armazenar mais energia condensada do que qualquer outra bateria no planeta!

O material usado para fazer a bateria é o difluorido de xenônio (XeF2), um cristal branco usado, atualmente, para unir condutores de silicone. O cristal então é colocado em um recipiente pequeno, que mede apenas 5 x 7,5cm – o recipiente possui dois pequenos fragmentos de diamante que pressurizam a substância em um espaço diminuto.

Normalmente, as moléculas do xenônio, por ser um gás nobre, ficam muito longe uma das outras, mas a pressão exercida pela célula faz com que elas se juntem. Quando a pressão alcança a marca de “um milhão de atmosferas”, as moléculas formaram estruturas metálicas em 3 dimensões, armazenando toda a energia mecânica (e uma quantidade enorme de energia).

Segundo especialistas, essa é a forma de armazenamento de energia condensada mais efetiva (sem contar a energia nuclear). As possíveis aplicações do material vão desde supercondutores até combustível.[io9]

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sexta-feira, 9 de julho de 2010

G. K. Chesterton. O homem das cavernas.


Se desejarmos ver, realmente, este aspecto da manhã do mundo será, por todos os conceitos, preferível conceber a história do seu descobrimento como uma legenda da terra do sol nascente.

http://www.permanencia.org.br/revista/Pensamento/chesterton1.htm

Será preferível narrar o conto do que se descobriu, com a simplicidade do conto dos heróis que encontraram o Tosão de ouro ou do Jardim das Hespérides [1]. Há que fugir das névoas da controvérsia para encontrar as cores vivas e as linhas destacadas de um verdadeiro amanhecer. Os investigadores modernos deviam descrever seus descobrimentos no estilo límpido da narrativa dos primeiros viajantes, despido dessas extensas palavras alusivas e de um sentido confuso e indireto.

Um sacerdote e um menino penetraram, há algum tempo, no subterrâneo de uma montanha e passaram através de uma espécie de túnel que conduzia a um labirinto de corredores.
Passaram por caminhos que pareciam intransitáveis; desceram gargantas que eram como poços, como se estivessem enterrados vivos, sem esperança de ressurreição. Tudo isto não é mais do que o lugar comum de tais valorosas explorações; porém, do que se necessita, é de alguém que foque sobre tais histórias uma luz primária, e, então, o lugar comum deixará de sê-lo. Porque, não há de duvidar, existe alguma coisa de simbólico no fato de que os primeiros que entraram em tão oculto mundo foram precisamente, um sacerdote e um menino, os tipos da antiguidade e da infância do mundo.
Ainda que, nesta conjectura, mais me refiro ao simbolismo do menino do que ao do sacerdote.

Que alegria para o menino entrar, como Peter Pan, em baixo de um teto formado pelas raízes de todas as árvores, e seguir baixando, baixando até chegar ao ponto que William Morris chamava as verdadeiras raízes das montanhas![2]
Suponhamos alguém de posse desse sentido simples da realidade, que forma parte da inocência, seguindo, nessa viagem, até o fim, não pelo egoísmo de deduzir ou de demonstrar alguma coisa, senão, simplesmente, pelo prazer de realizar a aventura.

A secreta câmara rochosa, iluminada depois de inumeráveis anos, mostrou em suas paredes grandes desenhos e pinturas, feitos com argilas de diferentes cores. Eram desenhos e pinturas realizados, não só por um homem, senão por um artista. Com todas as limitações imposta pela época, aqueles artistas primitivos demonstravam um grande amor pela linha curva ondulante, amor que reconhecerá, imediatamente, qualquer pessoa que saiba ou intente desenhar. Aqueles desenhos demonstravam o gênio experimental e aventureiro do artista, o espírito de quem não evita senão procura a dificuldade. Sobretudo, no caso daquele cervo pintado com a cabeça voltada para a anca, numa atitude que freqüentemente surpreendemos nos cavalos, e que muitos desenhistas de animais só reproduzem com dificuldades. Uma multidão de detalhes semelhantes denota o interesse e, sem dúvida, o prazer com que o artista, mas também como naturalista. Isto é: como naturalista verdadeiramente natural.

Não será necessário indicar, senão de passagem, que nada, nessa caverna, sugere a atmosfera pessimista da caverna, segundo as narrações em voga.
Certamente que não é ideal de um caráter não humano passar o tempo pintando animaizinhos nas paredes. Quando novelistas, pedagogos e psicólogos falam do troglodita, não podem concebê-lo em relação com o que existe, realmente, em suas cavernas. Quando o novelista escreve: “Saltavam chispas no cérebro de Dagmar Doubledick, o qual sentia despertar em si o homem das cavernas”, o leitor sofreria uma grande desilusão se soubesse que nas cavernas nada mais existe do que inofensivos desenhos de animais.

Quando o psicanalista escreve a um parente dizendo que “os instintos adormecidos do homem das cavernas podem levá-lo a um ato de violência”, não se refere ao instinto de pintar à aquarela nem de desenhar com simplicidade, diretamente do natural, cabeças de gado pastando mansamente.
Entretanto, sabemos, positivamente, que o troglodita fazia estas coisas inocentes, e, em troca, não temos a menor prova de que realizasse as ferocidades de que se nos fala. Em outros termos: o homem das cavernas se nos apresenta freqüentemente como um simples mito ou, melhor, como uma vacuidade, porque o mito é, ao menos, a representação imaginativa de uma verdade.

Em resumo: tudo quanto se diz da brutalidade do homem das cavernas não é mais do que pura confusão, que não tem apoio em nenhuma evidência científica, e que só serve, de certo modo, para desculpar o moderno espírito de anarquia. O cavalheiro que necessite castigar a uma mulher, que o faça sem desonrar o homem das cavernas, de quem sabemos, apenas, coisa muito diferente – que pintava coisas muito agradáveis nas paredes.
Mas, não é esta a lição de moral que se deduz dessas pinturas. É uma lição muito mais vasta e muito mais simples, tanto assim, que, até, pode parecer pueril. E, com efeito, no mais elevado sentido da palavra, é, mesmo, pueril.
Por isso, precisamente, tratei de vê-la neste apólogo com os olhos de um menino. O fato de maior consideração, com que se defrontou esse menino que entrou na caverna, é tão grande que, talvez, por isso mesmo seja difícil acreditá-lo.

Se ele era uma ovelha do rebanho espiritual do sacerdote, pode-se presumir que fora educado no cultivo do senso comum, desse senso comum que, freqüentemente se nos aparece sob a forma de tradição. Neste caso, reconheceria, simplesmente, a obra do troglodita, como obra de um homem, interessante, desde logo, mas não incrível, por tratar-se de um primitivo. Veria, sem dúvida, o que, de fato, ali havia para ver, não caindo na tentação de ver o que não existia, excitado por uma inclinação evolucionista ou por qualquer outra especulação da moda.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Extraterrestres invadem Luanda


Uma nave extraterrestre acaba de aterrar em Luanda. Sabe-se que é para reabastecimento de provisões, porque neste momento em que vos escrevo, eles espoliam-nos pelo sistema de teletransportação, a energia eléctrica, a água e a comida. Estão a sugar-nos, melhor, a espoliarem-nos tudo.

Entretanto, há notícias confirmadas da aterragem de várias naves em diversos locais da cidade de Luanda. A luta é desigual, porque os invasores decerto vindos de outra galáxia, são muito poderosos.

Apelamos por socorro a todas as nações e povos do planeta Terra.

Ajudem-nos a combater estes invasores antes que seja tarde de mais.

G. K. Chesterton. O homem das cavernas. O homem não significa uma evolução


O incidente, de outro lado, impressionou-me como uma parábola. Muitas histórias modernas da humanidade começam pela palavra evolução. É que existe um não sei que de brando, de suave, de gradativo, de tranqüilizador, talvez, não só na palavra como na própria idéia.

http://www.permanencia.org.br/revista/Pensamento/chesterton1.htm

Desde logo, não é esta uma palavra prática, nem a idéia resultante uma idéia aproveitável. Ninguém poderá imaginar como o nada evolucionando pudesse se converter em alguma coisa. Nem mesmo se explicando como uma coisa pode se converter em outra. É muito mais lógico começar dizendo: “No princípio, Deus criou o céu e a terra”, mesmo quando só se queira dizer: “No princípio, certo poder inconcebível iniciou um processo inconcebível também”.
Porque Deus é, por natureza, um nome de mistério, e ninguém pode imaginar como foi criado o mundo, do mesmo modo que ninguém se sente capaz de criá-lo. Mas, a palavra “evolução” parece ter certa tendência a substituir “explicação”, e são muitos os que entendem que ela os dispensa de reflexionar, como são, também, muitos os que acreditam, de boa fé, já terem lido “A origem das espécies”.
Aquela noção de suavidade, de consolador, de gradativo e lento, constitui uma grande parte da sua grande ilusão. Digamos agora, que se trata tanto de uma ilusão como de um absurdo.

A lentidão nada tem que ver nesta questão. Um fato não é mais ou menos inteligível, segundo a velocidade em que se executa. Para um homem que não acredita nos milagres, um milagre lento será tão incrível como um outro imediato, fulminante. A feiticeira grega pôde converter os marinheiros em porcos ao simples contato da sua varinha mágica. Porém, ver um marinheiro desses, nosso amigo, convertendo-se paulatinamente, em porco, não seria, de certo, muito mais tranqüilizador. O nigromante medieval lançava-se no espaço, do alto de uma torre. Mas, ver um velho senhor passeando vagarosamente pelo espaço, também, despertaria a nossa atenção.
Não obstante, o materialismo histórico parece não poder despegar-se desse erro que consiste em acreditar que uma dificuldade fica iludida explicando-a por meio de um lento decorrer do tempo. A questão se estriba na falsa sensação de facilidade que se produz pela mera sugestão de ir devagar. Como se tranqüilizássemos a uma senhora idosa, que pela primeira vez toma um automóvel, assegurando-lhe que este irá devagarzinho.

Mr. H. G. Wells reconheceu-se profeta – e nesta questão o foi à sua custa. – É curioso: seu primeiro conto fantástico foi a mais completa resposta ao seu último livro de história. A máquina do tempo destruiu, antecipadamente, todas as conclusões fundadas na mera relatividade desse mesmo tempo. Naquela sublime fantasia o protagonista viu as árvores crescerem como foguetes, a vegetação estender-se como um incêndio verde, e o sol cruzar do Oriente para o Ocidente com a velocidade de um meteoro. Porém, a questão não está em como se produzem os fenômenos e sim no por quê se produzem. E este por quê não é nada mais do que uma questão religiosa ou, pelo menos, uma questão filosófica ou de metafísica.
Não se pode considerar resolvido o problema substituindo a mudança rápida das coisas por uma transformação lenta, como não se modifica essencialmente o argumento de uma película cinematográfica focando-a com mais ou menos velocidade.
O que se necessita para se defrontar com estes problemas da existência primitiva é alguma coisa assim como um espírito primitivo. Ao reconstituir esta visão das primeiras coisas eu pediria ao leitor que fizesse comigo uma espécie de experiência de simplicidade. E fique registrado que ao dizer simplicidade não quero dizer estupidez, e sim essa expressão de claridade que percebe melhor as coisas vivas do que as palavras de sentido duvidoso como a – “evolução”. Para isto, o melhor seria fazer girar a manivela da máquina do tempo um pouco mais depressa e ver crescer a erva e elevarem-se as árvores até o céu, se tal experiência pode dar uma idéia viva e gráfica de todo o problema. O que sabemos é que as árvores e a erva crescem e que ocorrem, paralelamente, um grande número de outras coisas extraordinárias. Que umas raras criaturas se mantêm no ar agitando uma espécie de leques de diferentes formas e tamanhos; que outras navegam imersas no mais profundo das águas, ao passo que há as que andam em cima da terra com quatro pés e, a mais rara de todas, a que caminha com dois.

Estes são fatos e não teorias. Comparados com eles, a evolução, o átomo e até o sistema solar, não são mais que hipóteses. O tema, pois é histórico e não filosófico. Só é necessário relevar que nenhum filósofo nega que existe um mistério nas duas grandes transições: - a origem do universo e a origem do princípio da vida. Muitos outros acrescentam, ainda, a esses, com razão, um terceiro vinculado à origem do homem.
Em outras palavras: foi construída uma terceira ponte sobre um terceiro abismo do incompreensível quando se produziu o fenômeno que chamamos razão e o que chamamos vontade. O homem não significa uma evolução senão – uma revolução. Que tenha uma espinha dorsal e outras partes da estrutura semelhante às dos pássaros e peixes, isto é óbvio, seja qual for a significação do fato. Mas se o considerarmos como um quadrúpede que se mantém de pé sobre as patas de trás, as conseqüências dessa nossa consideração serão mais fantásticas que se o figurássemos, de pé, ou erguido, sobre a cabeça.

Apresentarei um exemplo que sirva de introdução à teoria do homem, ao mesmo tempo em que ilustre o meu asserto de que é necessária uma certa ingenuidade infantil para compreender devidamente a infância do mundo. Ilustrará, também, minha afirmativa de que um misto de ciência popular e de sabedoria de jornal tem confundido de tal maneira os fatos, acerca das primeiras coisas, por forma que já nem mais acertamos em ver quais delas foram, em verdade, as primeiras. Ilustrará, ainda, conquanto só no sentido mais conveniente tudo quanto quero dizer ao falar da necessidade de ver as ásperas diferenças que dão forma à história, ao invés de nos engolfarmos em todas essas generalizações sobre a lentidão e identidade. Porque, com efeito, necessitamos do que chama Mr. Wells – um esboço da história. Nesse ponto, podemos nos arriscar a dizer, com a frase de Mr. Montalini – que a história evolucionista não tem esboço. – Sobretudo, enfim, meu exemplo ilustrará a asserção de que – quanto mais consideramos o homem como animal, menos animal ele nos parece.

Novelas e jornais nos falam freqüentemente de um personagem popular chamado cavernícola, isto é, o homem das cavernas. Tem se tornado muitíssimo nosso familiar tanto no seu aspecto público como no privado. Fala-se muito a sério da sua psicologia nas novelas psicológicas e na medicina desse mesmo gênero. Parece, segundo todas as minhas leituras, que o homem das cavernas passava a vida surrando a sua mulher, em particular, e, em geral, a todas as mulheres que lhe chegavam ao alcance.
Até agora, não me pude convencer da verdade desse asserto. Não sei em notícia de que jornal primitivo ou processo de divórcio pré-histórico se funda.

Tão pouco acerto em achar a probabilidade disso, ainda considerando o fato a priori. Dizem-nos, sempre, de uma maneira gratuita, sem explicação nem autoridade, que o homem primitivo fazia a corte à sua mulher dando-lhe pauladas na cabeça.
É um pouco estranho, não resta dúvida, que aquelas damas insistissem na necessidade de apanhar antes de se entregarem ao homem. Não compreenderei nunca em como sendo o homem tão rude era a mulher tão sagaz.

Concedamos que o homem primitivo fosse uma besta. Porém, nada nos induz a crer que fosse ele mais besta do que as próprias bestas. E é bem certo que o amor entre as girafas e os românticos idílios entre os hipopótamos decorriam sem necessidade daqueles cavalheiros recorrerem a tais processos de carícias.
Mas, o mais curioso é isto: - que enquanto dez mil línguas, mais ou menos científicas e literárias, se ocupam desse pobre homem, no seu aspecto feroz, esquecem ou desdenham o único aspecto em que ele nos aparece como criatura sensível e digna de estimação. Realmente, têm-se interessado por tudo que se refere ao homem das cavernas, menos pelo que ele fez nessas cavernas. E, entretanto, não nos faltam evidências palpáveis de que ele fez nelas alguma coisa de importante. Não é muito, como não o é quanto se refere à idade pré-histórica: mas, diz respeito ao verdadeiro homem das cavernas e não ao personagem literário a que se dá esse nome, acompanhando do seu inseparável porrete. O que se encontrou nas cavernas não foi esse pedaço de pau, com as cabeças amassadas das mulheres. A caverna não era assim, uma alcova de Barba Azul, cheia de esqueletos de esposas assassinadas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Foto incrível: acima da Aurora Austral


Esta foto foi tirada no dia 29 de maio, 350 quilômetros acima dooceano Índico – é a visão que os astronautas a bordo da EstaçãoEspacial Internacional tiveram.

Conhecida como Aurora Austral ou como “luzes do sul”, essas luzes são vistas em grandes altitudes. Ao norte, no pólo, o mesmo fenômeno acontece, mas é conhecido como Aurora Boreal.

Tanto no norte como no sul, a causa dessas luzes é a mesma coisa: partículas energizadas da magnetosfera que se acumulam nos pólos da Terra. Para produzir o brilho esverdeado que vemos na foto essas partículas encontram átomos de oxigênio em altitudes de 100 km ou mais. [Nasa]

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