terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Despertar dos Mágicos (65). O Superior não estará já em formação? Não estará já entre nós?


Pois é verdade, todos os meus amigos eram burgueses atrasados num mundo onde os homens, solicitados por imensos projetos à escala do cosmos, principiam a sentir-se obreiros da Terra. Fiquemos sobre a Terra!, diziam eles. Reagiam como os operários das fábricas de seda de Lião quando se descobriu a tecelagem: receavam perder o emprego. Na era que iniciamos, os meus amigos escritores sentem que as perspectivas sociais, morais, políticas e filosóficas da literatura humanista, ou do romance psicológico, em breve aparecerão como insignificantes.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

O grande efeito da literatura dita moderna é impedir-nos de ser realmente modernos. Bem se podem convencer de que escrevem para toda a gente. Sentem que está próximo o tempo em que o espírito das massas será atraído por grandes mitos, pelo projeto de formidáveis aventuras, e em que, continuando a escrever as suas pequenas histórias humanas, desiludirão as pessoas com acontecimentos falsos em vez de lhes contarem fantasias verdadeiras.
Nessa noite de 16 de Setembro de 1959, quando desci ao jardim e contemplei, com os meus olhos de homem maduro fatigados e ávidos, a Lua no céu profundo, portadora doravante do rasto humano, a minha emoção duplicou, pois pensava em outrora, todas as noites, no seu miserável jardinzinho dos arredores. E, como ele, achei-me a formular a mais vasta das perguntas: Homens deste mundo, seremos nós os únicos seres vivos? Meu pai fazia esta pergunta porque possuía uma grande alma, e também porque lera obras de um espiritualismo duvidoso, efabulações primárias. Eu formulava-a, lendo a Pravada e estrelas, de rosto erguido, uni-me a ele na mesma curiosidade que acompanha uma infinita dilatação do espírito.
Evoquei há pouco o aparecimento do mito dos discos voadores. É um fato social significativo. É evidente, porém, que não se pode dar crédito a essas astronaves de onde desembarcam homenzinhos que vão discutir com guarda-barreiras ou comerciantes de sandes. Marcianos, Saturninos ou Jupterianos são improváveis. Mas, resumindo o total dos conhecimentos reais sobre a questão o nosso amigo Charles-Nóel Martin escreve: A multiplicidade dos planetas habitáveis nas galáxias, e na nossa em particular, conduz a uma quase certeza de haver formas de vida excessivamente numerosas. Sobre todo o planeta de qualquer outro sol, mesmo as centenas de anos¬luz da Terra, se a massa e a atmosfera são idênticas, devem existir seres à nossa semelhança. Ora o cálculo demonstra que podem existir, apenas na nossa galáxia, dez a quinze milhões de planetas mais ou menos comparáveis à Terra. Harlow Shapley, no seu trabalho Homens e Estrelas, conta no Universo conhecido cem milhões de irmãs prováveis da nossa Terra. Tudo nos leva a crer que outros mundos são habitados, que outros seres povoam o Universo. No fim do ano de 1959 foram instalados laboratórios na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Sob a direção dos professores, Coccioni e Morrisson, pioneiros das grandes comunicações, ali se procuram os sinais que possivelmente nos dirigem outros seres vivos nos cosmos.
Mais do que a chegada de foguetões sobre os astros próximos, o contacto dos homens com outras inteligências, e talvez com outros psiquismos, poderia ser o acontecimento mais perturbante de toda a nossa história.
Se existem outras inteligências, algures, saberão elas da existência? Captarão e seguirão o eco longínquo das ondas de rádio e televisão que nós emitimos? Verão elas, com o auxílio de aparelhos, as perturbações produzidas sobre o nosso Sol pelos planetas gigantes Júpiter e Saturno? Enviarão elas engenhos em direção à nossa galáxia? O nosso sistema solar pôde ser atravessado inúmeras vezes por foguetões observadores sem que tivéssemos tido a menor percepção do fato. Já nem sequer conseguimos, na hora a que escrevo, detectar o nosso Lunik III, cujo aparelho emissor está avariado. Ignoramos aquilo que se passa nos nossos próprios domínios.
Teremos já sido visitados por seres habitantes do Algures? É muito provável que alguns planetas tenham recebido visitas. Porquê particularmente a Terra? Há bilhões de astros espalhados pelo campo dos anos-luz. Seremos nós os mais próximos? Todavia, é lícito imaginar que grandes estranhos podem ter vindo contemplar o nosso globo, talvez pousar nele, habitá-lo durante um tempo. A vida está presente sobre a Terra pelo menos há um bilhão de anos. O homem apareceu há mais de um milhão de anos, e as nossas recordações datam apenas de há quatro mil anos. Que sabemos nós? Talvez os monstros pré-históricos tenham erguido o seu longo pescoço à passagem de astronaves mas perdeu-se o rasto de tão fabuloso acontecimento...
O doutor Ralph Stair, do N.B.S. americano, ao analisar estranhas rochas hialianas na região do Líbano, as tectites, admite que estas poderiam ser provenientes de um planeta desaparecido, situado outrora entre Marte e Júpiter. Na composição das tectites descobriram-se isótopos radioativos de alumínio e berílio. Vários sábios dignos de crédito supõem que o satélite de Marte, Phobos, seria oco. Tratar-se-ia de um asteróide artificial colocado em órbita por Marte, por inteligências exteriores à Terra. Tal era a conclusão de um artigo da honesta revista Discovery, de Novembro de 1959. Tal é também a hipótese do professor soviético Chtlovski, especialista de radioastronomia.
Num retumbante estudo da Gazeta Literária, de Moscou, de Fevereiro de 1960, o professor Agrest, professor de ciências físico-matemáticas, declarava que as tectites, que só se poderiam ter formado em condições de temperatura muito elevada e de radiações nucleares potentes, talvez sejam vestígios da aterragem de projéteis-sondas vindos do cosmos. Há um milhão de anos teriam vindo visitantes. Para o professor Agrest (que não hesita, nesse estudo, em propor tão fabulosas hipóteses, mostrando desta forma que a ciência, no quadro de uma filosofia, podia e devia abrir-se tão amplamente quanto possível à imaginação criadora, às suposições audaciosas), a destruição de Sodoma e Gomorra teria resultado de uma explosão termonuclear provocada por viajantes do espaço, quer voluntariamente, quer devido a uma destruição necessária dos seus depósitos de energia antes da sua partida para o Cosmos.
Lê-se a seguinte descrição nos manuscritos do Mar Morto: Uma coluna de fumo e de poeira se elevou, semelhante a uma coluna de fumo que tivesse vindo do coração da Terra. Derramou uma chuva de enxofre e de fogo sobre Sodoma e Gomorra e destruiu a cidade, a planície inteira, todos os habitantes e a vegetação. E a mulher de Loth voltou-se e ficou transformada em estátua de sal. E Loth viveu em Isoar, depois instalou-se nas montanhas, porque tinha medo de continuar em Isoar.
As pessoas foram prevenidas para que abandonassem os locais da futura explosão, que não se demorassem nos sítios descobertos, que não contemplassem a explosão e se escondessem debaixo da terra... Os fugitivos que se voltaram ficaram cegos e morreram.
Nessa mesma região do anti-Líbano, um dos mais misteriosos monumentos é o terraço de Baalbeck. Trata-se de uma plataforma com blocos de pedra dos quais alguns medem mais de vinte metros de lado e pesam duas mil toneladas. Nunca foi possível explicar porquê, como, ou por quem essa plataforma foi construída. Para o professor Agrest não é improvável que nos achemos em presença dos vestígios de uma área de aterragem erigida pelos astronautas vindas dos Cosmos.
Finalmente, alguns relatórios da Academia das Ciências de Moscou a respeito da explosão de 30 de Junho de 1908, na Sibéria, sugerem a hipótese da desintegração de um navio interestelar em perigo.
Nesse dia 30 de Junho de 1908, às sete horas da manhã, um pilar de fogo surgiu por cima da taiga siberiana, elevando-se a 80 quilômetros de altitude. A floresta foi volatilizada num raio de 40 quilômetros, devido ao contacto de uma bola de fogo gigantesca com a terra. Durante várias semanas, por sobre a Rússia, a EuropaOcidental e a África do Norte flutuaram estranhas nuvens douradas que, durante a noite, refletiam a luz solar. Em Londres fotografam-se as pessoas a ler o seu jornal na rua à uma hora da madrugada. Ainda hoje, a vegetação não voltou a aparecer nessa região siberiana. As medidas tomadas em 1960 por uma comissão científica russa revelam que ali a taxa de radioatividade ultrapassa três vezes a taxa normal.
Se fomos visitados, ter-se-ão passeado entre nós os fabulosos exploradores? O bom senso reage: ter-nos-íamos apercebido. Nada é menos certo. A primeira regra de etnologia é não perturbar os animais que se observam. Zimanski, sábio alemão de Tubingen, aluno do genial Conrad Lorenz, estudou durante três anos os caracóis assimilando-lhes a linguagem e o comportamento psíquico de forma que os caracóis o tomavam realmente por um dos seus. Os nossos visitantes puderam agir da mesma maneira com os humanos. Esta idéia é revoltante: no entanto tem fundamento.
Terão vindo à Terra exploradores bem intencionados, antes da história humana conhecida? Uma lenda indiana fala dos Senhores de Dzyan, vindos do exterior para trazerem aos habitantes terrenos o fogo e o arco. Terá a própria vida nascido sobre a Terra ou teria sido depositada pelos Viajantes do Espaço? (A maior parte dos astrônomos e dos teólogos crêem que a vida da Terra principiou sobre a Terra. Mas o astrônomo de Cornell, Thomas Gold, pensa de forma diferente. Num relatório recebido em Los Angeles, no congresso dos sábios do espaço que se realizou em Janeiro de 1960, Gold sugeriu que a vida podia ter existido em qualquer outro sítio no Universo durante inúmeros bilhões de anos antes de criar raízes sobre a Terra. De que forma a vida atingiu a Terra e iniciou a sua longa ascensão em direção ao humano? Talvez tenha sido trazida pelos navios do espaço).
Teremos nós vindo de algures, interroga-se o biologista Loren Eiselev, teremos nós vindo de algures e estaremos a preparar-nos para regressar a casa com o auxílio dos nossos instrumentos? . . .
Uma palavra ainda a respeito do céu: a dinâmica estelar mostra que uma estrela não pode capturar outra. As estrelas duplas ou triplas, cuja existência se observa, deveriam portanto ter a mesma idade. Ora, a espectroscopia revela componentes de diversas idades em sistemas duplos ou triplos. Uma anã branca, velha de dez bilhões de anos,acompanha, por exemplo, uma gigante vermelha de três bilhões. É impossível, e no entanto é assim. Interrogamos a este respeito, Bergier e eu, uma quantidade de astrônomos e de físicos. Alguns, e não dos menores, não excluem a hipótese segundo a qual esses agrupamentos de estrelas anormais teriam sido formados por Vontades, por Inteligências. Vontades, Inteligências, que deslocariam estrelas e as reuniam artificialmente, fazendo assim saber ao Universo que a vida existe em tal região do céu para maior glória do espírito.
A vida existe sobre a Terra há cerca de um bilhão de anos. Gold fá-lo notar. Ela começou com formas de tamanho microscópico. Após um bilhão de anos, segundo a hipótese de Gold, o planeta semeado pode ter desenvolvido criaturas suficientemente inteligentes para viajarem mais além do espaço, visitando planetas férteis, mas virgens, semeando-os por sua vez com micróbios adaptáveis. De fato, essa contaminação é provavelmente o princípio normal da vida sobre qualquer planeta, incluindo a Terra. Viajantes do espaço -diz Gold - podem ter visitado a Terra há um bilhão de anos e, abandonadas as suas formas residuárias de vida, estas proliferaram de tal forma que os micróbios em breve terão outro agente (os humanos viajantes do espaço) capaz de os espalhar mais além sobre o campo de batalhas.
Que acontece nas outras galáxias que flutuam no espaço muito além dos limites da Via Láctea? O astrônomo Gold é um dos partidários da teoria do Universo em estado fixo. Quando começou então a vida? A teoria do Universo em estado fixo põe a hipótese de que o espaço não tem limites e que o tempo não tem princípio nem fim. Se a vida se propaga das antigas às novas galáxias, a sua história pode ser colocada no tempo eterno: é sem princípio nem fim.
Numa espantosa premonição da espiritualidade futura, Blanc de Saint-Bonnet escrevia: A religião ser-nos-á demonstrada através do absurdo. Já não será a doutrina desconhecida que ouviremos, já não será a consciência que não é ouvida que gritará. Os fatos falarão com a sua grande voz. A verdade deixará as altitudes da palavra, entrará no pão que comemos. A luz será fogo!
À idéia desmoralizante de que a inteligência humana talvez não seja a única a viver e agir no Universo veio juntar-se a idéia de que a nossa própria inteligência é capaz de explorar mundos diferentes do nosso, de lhes apreender as leis, de ir, por assim dizer, viajar e trabalhar do outro lado do espelho. Esta abertura fantástica foi realizada pelogênio matemático. É a falta de curiosidade e de conhecimento que nos fez julgar ser a experiência poética, depois de Rimbaud, o fato capital da revolução intelectual do mundo moderno. O fato capital é a explosão do gênio matemático, como aliás muito bem viu Valéry. O homem, daqui em diante, estará perante o seu próprio gênio matemático como perante um habitante do exterior.
As entidades matemáticas modernas vivem, desenvolvem-se, fecundam-se, em mundos inacessíveis, estranhos a toda a experiência humana. Em men Like Gods, H. C. Wells supõe que existem tantos universos como páginas num grande livro. Nós habitamos apenas uma dessas páginas. Mas o gênio matemático percorre a obra inteira: ele constitui a real e ilimitada potência de que dispõe o cérebro humano. Pois, viajando por outros universos, regressa dessas explorações carregado de utensílios eficazes para a transformação do mundo que habitamos. Ele possui a um tempo o ser e o criar. O matemático, por exemplo, estuda as teorias de espaços que exigem duas voltas completas para regressar à posição de partida. Ora é este trabalho, perfeitamente estranho a qualquer atividade na nossa esfera de existência, que permite descobrir as propriedades às quais obedecem as partículas elementares nos espaços microscópicos, e portanto fazer progredir a física nuclear que transforma a nossa civilização.
A intuição matemática, que abre o caminho para outros universos, altera concretamente o nosso. O gênio matemático, tão próximo do gênio da música pura, é ao mesmo tempo aquele cuja eficácia sobre a matéria é maior. É da algures absoluto que nasceu a arma absoluta. Enfim, elevando o pensamento matemático ao seu mais alto grau de abstração, o homem apercebe-se de que esse pensamento talvez não seja sua propriedade exclusiva. Descobre que os insetos, por exemplo, parecem ter consciência de propriedades do espaço, e que talvez exista um pensamento universal, que um canto do espírito superior se eleva talvez da totalidade do que é vivo...
Neste mundo, em que, para o homem, já nada é certo, nem ele próprio, nem o mundo tal como o definiam as leis e os fatos outrora admitidos, nasce a toda a velocidade uma mitologia. A cibernética fez surgir a idéia de que a inteligência humana é ultrapassada pela do cérebro eletrônico, e o homem vulgar sonha com o olho verde da máquina que pensa com a perturbação, o pavor do antigo egípcio ao pensar na Esfinge. O átomo reside no Olimpo, com o raio na mão. Mal tinham iniciado a construção da fábrica atômica francesa de Marcoule e logo as pessoas dos arredores julgaram ver os tomates estragar-se. A bomba perturba o tempo, faz-nos gerar monstros. Uma literatura chamada de ficção científica, mais abundante do que a literatura psicológica, compõe uma Odisséia no nosso século, com Marcianos e Homens Superiores, e aquele Ulisses metafísico que regressa a casa, depois de vencer o espaço e o tempo. À pergunta: Estaremos sós?, vem juntar-se a pergunta: Seremos os últimos? Deter-se-á a evolução no homem?
O Superior não estará já em formação? Não estará já entre nós?
E esse Superior, deveremos imaginá-lo como um indivíduo, ou como um ser coletivo, como a massa humana inteira em vias de fermentar e de coagular, arrastada toda para uma tomada de consciência da sua unidade e da sua ascensão? Na era das massas, o indivíduo morre, mas é a morte salvadora da tradição espiritual: morrer para nascer finalmente. Ele morre em consciência psicológica para nascer em consciência cósmica. Sente exercer-se sobre ele uma pressão formidável: morrer resistindo-lhe ou morrer obedecendo-lhe. Do lado da recusa, da resistência, está a morte total. Do lado da obediência está a morte-trampolim em direção à vida total, pois trata-se da transformação da multidão para a criação de um psiquismo unânime que regerá a consciência do Tempo, do Espaço e o apetite pela Descoberta.
Imagem: Assim, o homem superior não deixa seus pensamentos irem além da situação em ...
abrindoportasinteriores.blogspot.com

domingo, 11 de dezembro de 2011

O Despertar dos Mágicos (64. O diamante risca o vidro. Mas o borazon, cristal sintético, risca o diamante.



Eles pretendiam modificar a vida e misturá-la com a morte de uma forma diferente. Preparavam a vinda do Supremo desconhecido. Tinham uma concepção mágica do mundo e do homem. A isso sacrificaram toda a juventude do seu país e ofereceram aos deuses um oceano de sangue humano.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

Tinham feito tudo para se porem de acordo com a vontade das Potências. Odiavam a moderna civilização ocidental, quer fosse burguesa ou operária, aqui o seu humanismo insípido e além o seu materialismo limitado. Tinham de vencer, pois eram portadores de uma chama que os seus inimigos, capitalistas ou marxistas, há muito tinham deixado extinguir-se dentro deles, repousando sonolentos sobre uma concepção do destino inexpressiva e limitada. Seriam os mestres durante um milênio, porque estavam do lado dos magos, dos grandes sacerdotes, dos demiurgos...
E ei-los vencidos, espezinhados, julgados, humilhados por pessoas ordinárias que mastigam chewing-gum ou bebem vodka; pessoas sem qualquer espécie de inspiração sagrada, de crenças limitadas e com objetivos sem grandeza. Pessoas do mundo da superfície, positivas, racionais, morais, homens simplesmente humanos. Milhões de homenzinhos de boa vontade punham em posição crítica a vontade dos cavaleiros das trevas resplandecentes. A Leste, esses papalvos mecanizados, a Oeste, esses puritanos de esqueleto mole tinham construído em quantidades superiores tanques, aviões, canhões.
E possuíam a bomba atômica, eles que não sabiam nada a respeito das grandes energias ocultas! E agora, como os caracóis depois da tempestade, saídos da chuva de ferro, juízes de óculos, professores de direito humanitário, de virtude horizontal, doutores em mediocridade barítonos do Exército de Salvação, carregadores da Cruz Vermelha, ingênuos porta-vozes dos amanhãs que cantam ' iam a Nuremberg dar lições de moral primária aos Senhores, aos monges combatentes que tinham assinado um pacto com as Potências, aos Sacrificadores que liam no espelho negro, aos aliados de Schamballah, aos herdeiros do Graal! E enviavam-nos para a forca acusando-os de criminosos e loucos enraivecidos!
O que não podiam compreender os acusados de Nuremberg e os seus chefes que se haviam suicidado, é que a civilização que acabava de triunfar era, também ela e com maior certeza, uma civilização espiritual, um formidável movimento que, de Chicago a Tachkent, arrasta a humanidade para um destino mais alto. Eles tinham posto emdúvida a Razão e substituíram-lhe a magia. É que de fato a Razão cartesiana não engloba o todo do homem, o todo do seu conhecimento. Tinham-na posto a dormir. Ora o sono da razão gera os monstros. O que se passava no partido adversário é que a razão, de forma nenhuma adormecida, mas pelo contrário exaltada ao máximo, alcançava por um caminho mais alto os mistérios do espírito, os segredos da energia, as harmonias universais.
À força de racionalidade exigente, o fantástico aparece e os monstros gerados pelo sono da razão não passam da sua negra caricatura. Mas os juízes de Nuremberg, mas os porta-vozes da civilização vitoriosa não sabiam que aquela guerra fora uma guerra espiritual. Não tinham uma visão suficientemente elevada do seu próprio mundo. Apenas acreditavam que o Bem vencera o Mal, sem ter visto a profundidade do mal vencido e a grandeza do bem triunfante. Os místicos guerreiros alemães e japoneses julgavam-se mais mágicos do que na realidade eram. Os civilizados que os tinham vencido não tomaram consciência do superior sentido mágico que o seu próprio mundo adquiria. Eles falavam da Razão, da Justiça, da Liberdade, do Respeito pela Vida, etc., num plano que já não era o dessa segunda metade do século XX na qual o conhecimento se transformou, onde a passagem para outro estado da consciência humana se tornou perceptível.
É verdade que os nazistas deviam ganhar, se o mundo moderno não passasse do que ainda é aos olhos da maior parte de nós: a herança pura e simples do século XIX, materialista e cientista, e do pensamento burguês que considera a Terra um local onde devemos desfrutar o maior prazer possível. Existem dois diabos. Aquele que transforma a ordem divina em desordem, e o que transforma a ordem noutra ordem não divina.
A Ordem Negra devia vencer uma civilização que ela supunha caída ao nível dos apetites apenas materiais, dissimulados sob uma moral hipócrita. Mas ela não era apenas isso. Um rosto novo surgia durante o martírio que os nazistas lhe infligiam, como o Rosto sobre o Santo Sudário. Do aumento da inteligência nas massas à física nuclear, da psicologia dos vértices da consciência aos foguetões interplanetários, uma alquimia se operava, esboçava-se a promessa de uma transmutação da humanidade, de uma ascensão do ser vivo.
Talvez isso não se constatasse de forma evidente, e alguns espíritos medianamente profundos lamentavam os tempos muito antigos da tradição espiritual, mantendo desta forma um certo pacto com o inimigo no mais ardente de si próprios, devido à sua revolta contra este mundo no qual só viam uma mecanicidade cada vez mais invasora. Mas, ao mesmo tempo, homens como Teilhard de Chardin, por exemplo, tinham os olhos mais abertos. Os olhos da inteligência superior e os olhos do amor descobrem a mesma coisa sobre planos diferentes.
O impulso dos povos a caminho da liberdade, o canto de confiança dos mártires continham em gérmen essa grande esperança arcangélica. Essa civilização, tão mal interpretada do exterior pelos místicos adeptos do passado como do interior pelos progressistas primários, devia ser salva. O diamante risca o vidro. Mas o borazon, cristal sintético, risca o diamante. A estrutura do diamante é mais ordenada que a do vidro. Os nazistas podiam vencer. Mas a inteligência alerta pode ter uma ação criadora, edificando figuras da ordem mais puras do que as que brilham nas trevas.
Quando me esbofeteiam não apresento a outra face e também não dou um murro: atiro um raio. Era necessário que essa batalha entre os Senhores das camadas inferiores e os homenzinhos da superfície, entre as Potências obscuras e a humanidade em progresso, terminasse em Hiroshima com o sinal evidente da Potência sem discussão.
TERCEIRA PARTE
O HOMEM, ESSE INFINITO - UMA NOVA INSTITUIÇÃO
O Fantástico no fogo e no sangue. -As barreiras da incredulidade. -O primeiro foguetão. - Burgueses e obreiros da Terra. - Os fatos falsos e a ficção verdadeira. Os mundos habitados. - Os visitantes vindos do exterior - As grandes comunicações. - os mitos modernos. Do realismo fantástico em psicologia. -Para uma exploração do fantástico interior - Exposição do método. Uma concepção diferente da liberdade.
Quando saí da cave, Juvisy, a cidade da minha infância tinha desaparecido. Uma espessa bruma amarelada recobria um mar de caliça de onde saíam apelos e gemidos. O mundo dos meus jogos, das minhas amizades, dos meus amores e a maior parte das testemunhas do início da minha vida jaziam sob esse vasto campo lunar. Um pouco mais tarde, quando os socorros se organizaram, os pássaros, enganados pelos projetores, regressaram e, supondo que era dia, começaram a cantar nas moitas cobertas de poeira.
Outra recordação: numa manhã de Verão, três dias antes da Libertação, encontrava-me eu, com dez camaradas, numa casa particular próximo do bosque de Bolonha. Vindos de diversos acampamentos de juventude bruscamente abandonados, o acaso reuniu¬nos naquela última escola de quadros onde continuavam a ensinar-nos, imperturbavelmente, enquanto o mundo se desmoronava no meio do estrondo das armas e dos grilhões, a arte de fabricar marionetes, de representar comédias e de cantar. Naquela manhã, de pé no hall de um falso gótico, sob a orientação de um romântico chefe de coro, cantávamos a três vozes uma canção folclórica: Dêem-me água, dêem-me água, água, água para os meus dois cântaros. . . O telefone interrompeu-nos.
Alguns minutos depois, o nosso professor de canto fazia-nos entrar para uma garagem. Outros rapazes, de pistola em punho, vigiavam as entradas. Entre os velhos automóveis e os barris de óleo jaziam alguns jovens, crivados de balas, acabados de matar à granada: era o grupo de resistentes torturados pelos alemães na Cascata do Bosque. Tinham conseguido reaver os corpos. Encomendaram-se caixões. Partiram estafetas para prevenir as famílias. Era necessário lavar os cadáveres, limpar as poças de sangue, abotoar os casacos e as calças abertas pelas granadas, cobrir de papel branco e deitar dentro das suas caixas aqueles assassinados cujos olhos, as bocas e as feridas gritavam de pavor, dar àqueles rostos, àqueles corpos, uma aparência de morte decente; e naquele odor de matadouro, de esponja ou escova na mão, nós dávamos água, água, água...
Pierre Mac Orlan, antes dessa guerra, viajava em busca do fantástico social que encontrava no pitoresco dos grandes portos: tabernas de Hamburgo sob a chuva, cais do Tamisa, fauna de Antuérpia. Requinte encantador! Mas já fora de uso.
O fantástico deixou de ser uma ocupação de artista para se tornar, no meio do fogo e do sangue, a experiência vivida pelo mundo civilizado. O marroquineiro da nossa rua apareceu uma manhã estendido à porta de casa, com uma estrela amarela sobre o coração. O filho da porteira recebia mensagens de Londres em estilo surrealista e usava invisíveis galões de capitão. Uma secreta guerra de partidos colocava subitamente sujeitos enforcados nas varandas da aldeia. Vários universos, violentamente diferentes, se sobrepunham; uma aragem do acaso nos fazia passar de um para outro.
Bergier conta-me No campo Mauthausen usávamos a menção N. N., noite e nevoeiro. Nenhum de nós pensava sobreviver. A 5 de Maio de 1945, quando o primeiro jeep americano galgou a colina, um deportado russo, responsável pela luta anti-religiosa na Ucrânia que estava deitado ao meu lado, ergueu-se sobre um cotovelo e exclamou: Deus seja louvado!
Todos os homens válidos foram repatriados em fortaleza voadora, e foi por isso que meencontrei, na madrugada de 19, no aeródromo de Heinz, na Áustria. O avião vinha da Birmânia.
É uma guerra mundial, não é verdade?, disse-me o radiotelegrafista. Transmitiu a meu pedido uma mensagem para o quartel-general aliado de Reims, depois mostrou-me o equipamento de radar. Havia toda a espécie de aparelhos cuja realização eu julgara impossível antes do ano 2000. Em Mauthausen, os médicos americanos tinham-me falado da penicilina. Em dois anos, as ciências tinham avançado um século. Tive uma idéia louca:
E a energia atômica? - Falam nisso, respondeu-me o radiotelegrafista. É bastante secreto, mas correm boatos. . .
Algumas horas depois encontrava-me no boulevar de Madeleine, com o meu fato de riscas. Seria Paris? Seria um sonho? Estava rodeado por pessoas, faziam-me perguntas. Refugiei-me no metropolitano e telefonei a meus pais: Esperem um momento já aí vou. Mas voltei a sair. Era mais importante que tudo. Em primeiro lugar precisava de encontrar o meu local favorito de antes da guerra: a livraria americanaBrentano's, na avenida da Ópera: Fiz uma entrada notável. Todos os jornais, todas as revistas, às braçadas... Sentado num banco das Tulherias, tentei reconciliar o universo presente com aquele que tinha conhecido. Mussolini fora pendurado num gancho. Hitler suicidara-se. Havia tropas alemãs na ilha de Oléron e nos portos do Atlântico. Então a guerra em França não terminara? As revistas técnicas eram perturbantes. A penicilina, que era o triunfo de sir Alexander Fleming, seria então uma coisa séria? Uma nova química surgira, a dos silicones, corpos intermédios entre o orgânico e o mineral.
O helicóptero, cuja impossibilidade fora demonstrada em 1940, era construído em série. A eletrônica acabava de fazer progressos fantásticos. A televisão em breve estaria tão difundida como o telefone. Desembarquei num mundo edificado pelos meus sonhos sobre o ano 2000. Vários textos eram-me incompreensíveis. Quem era esse marechal Tito? E essas Nações Unidas? E esse D. D. T.?
Bruscamente, comecei a compreender, em carne e espírito, que já não era nem prisioneiro, nem condenado à morte, e que tinha todo o tempo e toda a liberdade para compreender e para agir. Tinha, em primeiro lugar, toda aquela noite, se assim o desejasse... Devo ter ficado muito pálido. Uma mulher dirigiu-se-me e pretendeu levar-me a um médico. Fugi, corri para casa de meus pais, que encontrei lavados em lágrimas. Sobre a mesa da sala de jantar havia envelopes trazidos por ciclistas, telegramas militares e civis. Lião ia dar o meu nome a uma rua, era nomeado capitão, condecorado por diversos países, e uma expedição americana em busca de armas secretas na Alemanha pedia o meu auxílio. Por volta da meia-noite, meu pai obrigou¬me a ir para a cama. No momento de adormecer, a minha memória foi inexplicavelmente assaltada por duas palavras latinas: magna, mater.
No dia seguinte de manhã, ao acordar, encontrei-as de novo e compreendi-lhes o sentido. Na antiga Roma os candidatos ao culto secreto da magna mater tinham de passar através de um banho de sangue. Se sobreviviam, nasciam uma segunda vez.
Naquela guerra, todas as portas de comunicação entre todos os mundos se abriram. Uma formidável corrente de ar. Depois a bomba atômica projetou-nos na era atômica. No momento a seguir, os foguetões anunciavam-nos a era cósmica. Tudo se tornava possível. As barreiras da incredulidade, tão fortes no século XIX, acabavam de ser violentamente sacudidas pela guerra. Agora, desmoronavam-se por completo.
Em Março de 1954, o senhor Ch. Wilson, secretário americano do Ministério da Guerra, declarava: Os U.S.A., assim como a Rússia, possuem daqui para o futuro o poder de destruir o Mundo inteiro. A idéia do final dos tempos penetrava nas consciências. Separado do passado, receoso do futuro, o homem descobria o presente como um valor absoluto, essa pequena fronteira como uma eternidade recuperada. Viajantes do desespero, da solidão e do eterno partiam em jangadas pelos mares fora, Noés experimentais, pioneiros do próximo dilúvio, alimentando-se de plâncton e de peixes alados. Ao mesmo tempo afluíam em todos os países testemunhos sobre a aparição de discos voadores. O céu povoava-se de inteligências exteriores. Um modesto comerciante de sandes, chamado Adamsky, que tinha uma loja por baixo do grande telescópio do monte Palomar, na Califórnia, nomeia-se professor, declara que os venusianos o visitaram, conta as conversas trocadas num livro que obteve um dos maiores êxitos de venda do após-guerra e transforma-se no Rasputin da corte da Holanda. Num mundo igualmente visitado pelo trágico e pelo estranho, podemos perguntar a nós próprios como são feitas as pessoas que não têm fé e que também se não querem divertir.
Quando lhe falavam no fim do Mundo, Chesterton replicava: Porque me hei-de preocupar? O fim do Mundo já se deu várias vezes. Há um milhão de anos que os homens habitam a Terra, e sem dúvida sofreram mais de um apocalipse. A inteligência extinguiu-se e reacendeu-se diversas vezes. Um homem que se vê caminhar ao longe na noite, com uma lanterna na mão, é alternadamente sombra e fogo. Tudo nos incita a pensar que o fim do Mundo se deu mais uma vez e que fazemos agora uma nova aprendizagem da existência inteligente num mundo novo: o mundo das grandes massas humanas, da energia nuclear, do cérebro eletrônico e dos foguetões interplanetários. Talvez precisássemos de uma alma e de um espírito diferentes para esta Terra diferente.
A 16 de Setembro de 1959, às 22 h. e 2 m., todos os rádios de todos os países anunciaram que pela primeira vez um foguetão lançado da Terra acabava de pousar sobre a Lua. Eu escutava o Rádio Luxemburgo. O locutor deu a notícia e continuou para apresentar a emissão de variedades transmitida todos os domingos àquela hora e que se intitula Porta Aberta. . . Saí para o jardim para contemplar a Lua brilhante, o Mar de Serenidade sobre o qual repousavam desde há segundos os destroços do foguetão. O jardineiro também estava no jardim.
É tão belo como os Evangelhos, senhor.. . Ele concedia espontaneamente a verdadeira grandeza ao fato, colocava o acontecimento na sua dimensão. Sentia-me verdadeiramente próximo desse homem, de todos os homens simples que erguiam o rosto para o céu, naquele minuto, cheios de assombro, de uma imensa e confusa emoção. Feliz do homem que perde a cabeça, recuperá-la-á no céu! E ao mesmo tempo sentia-se extraordinariamente longe das pessoas do meu meio, de todos esses escritores, filósofos e artistas que se recusam a tais entusiasmos sob o pretexto de lucidez e de defesa do humanismo.
O meu amigo Jean Dutourd, por exemplo notável escritor apaixonado por Stendhal, dissera-me alguns dias antes: Continuemos sobre a Terra, não nos deixemos distrair com esses comboios elétricos para adultos. Outro amigo muito caro, Jean Giono, que eu fora visitar a Manosque, na Provença, contara-me que, ao passar por Colmar-les-Alpes, num domingo de manhã, vira o capitão do quartel e o padre a fazerem uma troca de amabilidades no átrio da igreja. Enquanto houver padres e capitães de quartéis que troquem amabilidades, haverá lugar neste mundo para a felicidade e estaremos melhor aqui do que na Lua. . .
Imagem: ... pois o olfato também abre as portas para a magia. autor desconhecido.
asmuitasfacesdeluka-luka.blogspot.com

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A maioria das pessoas mataria uma para salvar cinco


Você escolheria tirar a vida de alguém para salvar mais pessoas? Um novo estudo, com simulações 3D, descobriu que nove em cada dez pessoas diriam “sim”.
No experimento, os participantes usaram um sistema que os colocava em um plano 3D com pessoas digitais realísticas. Eles também usaram sensores nas pontas dos dedos, que monitoram a estimulação emocional.
No mundo virtual, as “cobaias” ficavam perto de uma mesa de comando de trilhos de trem. A ideia era que um vagão estava vindo, e os sujeitos deveriam escolher entre fazer nada, e deixar que o trem matasse cinco pessoas, ou puxar uma manivela e mudar a rota do trem para outro trilho, matando apenas uma.
Dos 147 participantes, 14 escolheram a primeira opção; desses, onze nem se mexeram, enquanto três puxaram a manivela, mas mudaram de ideia. Cerca de 90%, ou 133 pessoas, escolheram a segunda opção, matando apenas uma pessoa.
De acordo com os pesquisadores, o estudo sugere que geralmente violamos uma lei moral se isso significa minimizar os danos.
“O que descobrimos é que a lei ‘Não matarás’ pode ser ultrapassada se for por um bem maior”, comenta o pesquisador do estudo, Carlos David Navarrete, psicólogo da Universidade Estadual de Michigan.
Derivado de dilemas morais históricos, o novo experimento usa aspectos visuais e auditivos que tornam as consequências das decisões mais realísticas.
Aqueles que não puxaram a alavanca (e mataram cinco pessoas) foram mais afetados emocionalmente do que os que optaram pela outra opção. Apesar dos pesquisadores não saberem exatamente o porquê da maior atividade emocional, Navarrete sugere que seja causa da sensação de “congelamento” em situações de emergência.
“Penso que os humanos têm uma aversão a machucar os outros, podendo passar por cima de algo”, afirma Navarrete. “Pelo pensamento racional, podemos algumas vezes passar por cima da moral, ao pensar em quem podemos salvar, por exemplo. Mas para algumas pessoas, o aumento da ansiedade pode ser tanto que eles não fazem a escolha utilitarista, aquela para o bem maior”. [LiveScience]
http://hypescience.com/a-maioria-das-pessoas-mataria-uma-para-salvar-cinco/
Hypescience

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Despertar dos Mágicos (63. Poderia dizer-se que o século XIX foi um século racional e que o século XX é o dos cultos.


Foi Himmler o encarregado da organização da S.S., não como uma companhia policial, mas como uma verdadeira ordem religiosa, hierarquizada, dos irmãos leigos aos superiores.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

Nas altas esferas encontram-se os responsáveis conscientes de uma Ordem Negra, cuja existência aliás nunca foi oficialmente reconhecida pelo governo nacional-socialista. Mesmo no centro do partido falava-se daqueles que sabiam do círculo interior, mas nunca foi dada uma designação oficial. Parece certo que a doutrina, jamais completamente explicada, se baseava na crença absoluta em poderes que ultrapassam os poderes humanos vulgares. Nas religiões distingue-se a teologia, considerada uma ciência, da mística, intuitiva e incomunicável. Os trabalhos da sociedade Ahnenerbe, a que nos referiremos mais adiante, representam o aspecto teológico, a Ordem Negra o aspecto místico da religião dos Senhores de Tule.
O que é necessário compreender é que a partir do momento em que toda a obra de reunião e excitação do partido hitleriano muda de direção, ou antes, é mais severamente orientada no sentido da doutrina secreta (mais ou menos bem compreendida e aplicada, até aqui, pelo médium colocado nos postos de propaganda), já não estamos em presença de um movimento nacional e político. Na prática, os temas serão os mesmos, mas tratar-se-á apenas, da linguagem exotérica dirigida às multidões, de uma descrição dos objetivos imediatos, atrás dos quais há outros objetivos. Nada mais contou exceto a perseguição infatigável de um sonho pavoroso. Dali em diante, se Hitler tivesse tido à sua disposição um povo que pudesse, melhor do que o povo alemão, servir a exaltação do seu pensamento supremo, não teria hesitado em sacrificar o povo alemão. Não o seu pensamento supremo, mas o supremo pensamento de um grupo mágico agindo através dele. Brasillach reconhece que ele sacrificaria toda a felicidade humana, a sua e ainda por cima a do seu povo se o misterioso dever ao qual obedecia lho ordenasse.
Vou confiar-lhe um segredo, disse Hitler a Rauschning: estou a fundar uma ordem.Evoca os Burgs onde se realizará uma primeira iniciação. E acrescenta: É de lá que sairá a segunda categoria, a do homem medida e centro do mundo, do homem-deus. O homem-deus, a figura esplêndida do Ser, será como uma imagem do culto... Mas existem outras categorias de que me não é permitido falar.. .
Central de energia edificada em redor da central principal, a Ordem Negra isola do mundo todos os seus membros, seja qual for o grau iniciático a que pertençam. Bem entendido, escreve Poetel, não era mais do que um pequeno círculo de altos graduados e de grandes chefes S.S. que estavam ao corrente das teorias e das reivindicações essenciais. Os membros das diversas formações preparatórias só foram informados quando lhes foi imposto, antes de contraírem matrimônio, que pedissem autorização aos seus chefes, ou quando os colocaram sob uma jurisdição própria da Ordem, extremamente rigorosa aliás, mas cujo efeito era de os subtrair à competência da autoridade civil. Verificaram então que fora das leis da Ordem não tinham qualquer outro dever e que já não havia para eles existência privada.
Os monges combatentes, (Monge = grego monos = só), os S.S. com o emblema da caveira (que é preciso não confundir com outras organizações como a Waffen S.S., compostas por irmãos leigos ou por terciários da Ordem, ou ainda por mecânicas humanas construídas à semelhança do verdadeiro S.S como reproduções côncavas do modelo) receberão a primeira iniciação em Burgs. Mas primeiro terão passado pelo seminário, a Napola. Ao inaugurar uma dessas Napola, ou escolas preparatórias Himmler reduz a doutrina ao seu mais pequeno denominador comum: Crer, obedecer, combater e é tudo.
São escolas onde, como diz o Schwarze Korps de 26 de Novembro de 1942, se aprende a dar e a receber a morte.
Mais tarde, se disso são dignos, os cadetes recebidos nos Burgs compreenderão que receber a morte pode ser interpretado no sentido de matar o seu eu. Mas se não são dignos, é a morte física que receberão sobre os campos de batalha. A tragédia da grandeza é ter de pisar cadáveres. E que importa? Nem todos os homens têm existência verdadeira e há uma hierarquia da existência, do homem-fingido ao grande mago. Mal sai do nada o cadete volta para lá, depois de vislumbrar, para a sua salvação, o caminho que conduz à figura esplêndida do Ser... Era nos Burgs que se pronunciavam os votos, e que se entrava num destino sobre-humano irreversível. A Ordem Negra traduz em atos as ameaças do doutor Ley: Aquele a quem o partido retirar o direito à camisa negra - é preciso que cada um de nós o saiba -, não só perderá as suas funções como ainda será aniquilado, na sua pessoa, nas pessoas da sua família, de sua mulher e de seus filhos. Tais são as duras leis, as leis implacáveis da nossa Ordem.
Eis-nos fora do mundo. Já não se trata da Alemanha eterna ou do Estado nacional¬socialista, mas da preparação mágica, para a vinda do homem-deus, do homem-após¬o-homem que as Potências enviarão sobre a Terra, quando tivermos modificado o equilíbrio das forças espirituais. A cerimônia em que se recebia a runa S.S. devia assemelhar-se bastante ao que descreve Reinhold Schneider quando evoca os membros da Ordem Tectônica na grande sala do Remter de Marienburg, inclinando-se sob os votos que dali para o futuro fariam deles a Igreja Militante: Eles vinham de países de aspectos diversos, vinham de uma vida agitada. Entravam na austeridade limitada deste castelo e abandonavam os seus brasões pessoais cujas armas tinham sido usadas pelo menos por quatro antepassados. Agora, o seu brasão seria a cruz que impõe o combate mais grave deste mundo e assegura a vida eterna. Aquele que sabe não fala: não existe qualquer descrição da cerimônia iniciática nos Burgs, mas sabe-se que tal cerimônia se realizava. Chamavam-lhe a cerimônia da Atmosfera Densa, em alusão à atmosfera extraordinariamente tensa que reinava e não se dissipava senão depois de os votos terem sido pronunciados. Alguns ocultistas como Lewis Spence pretenderam ver nela uma missa negra na pura tradição satânica. Pelo contrário, Willi Frieschauer, no seu trabalho sobre Himmler interpreta a Atmosfera Densa como o momento de embrutecimento absoluto dos participantes. Entre estas duas teses há lugar para uma interpretação mais realista e portanto mais fantástica.
Destino irrevogável: foram concebidos planos para isolar o S.S. do mundo dos homens¬fingidos durante toda a sua vida. Projetaram a criação de cidades, de vilas de veteranos repartidas através do Mundo e que dependessem unicamente da administração e da autoridade da Ordem. Mas Himmler e os seus irmãos conceberam um sonho mais grandioso ainda. O mundo teria por modelo um Estado S.S. soberano. Na conferência da paz, diz Himmler, em Março de 1943, o mundo ficará a saber que a velha Borgonha
vai ressuscitar, esse país que outrora foi a terra das ciências e das artes e que a França relegou para a categoria de apêndice conservado em vinho fraco, O Estado soberano de Borgonha, com o seu exército, as suas leis, a sua moeda, os seus correios, será o Estado S.S. modelo. Compreenderá a Suíça francesa, a Picardia, a Champanha, o Franco-Condado, o Hainautl e o Luxemburgo. A língua oficial será o alemão, bem entendido. O Partido Nacional-Socialista não terá ali qualquer autoridade. Só a S.S. governará, e o mundo ficará ao mesmo tempo assombrado e maravilhado com esse Estado onde as concepções do mundo S.S. serão aplicadas.
O verdadeiro S.S. de formação iniciática situa-se, a seus próprios olhos, para além do bem e do mal. A organização de Himmler não conta com o auxílio fanático de sádicos que procuram a voluptuosidade do assassínio: conta com homens novos. Fora do círculo interior, que inclui os S.S. com o emblema da caveira, isto é, os chefes mais próximos da doutrina secreta, segundo a sua categoria, e cujo centro é Tule, o santuário, há o S.S. de tipo médio, que não passa de uma máquina sem alma, um autômato de serviço. É obtido com um fabrico Standard, a partir de qualidades negativas.
A sua produção não depende da doutrina, mas de simples métodos de preparação. Não se trata de suprimir a desigualdade entre os homens, mas pelo contrário de a ampliar e dela fazer uma lei protegida por barreiras intransponíveis, diz Hitler... Que aspecto terá a futura ordem social? Meus camaradas, vou dizer-lhes: haverá uma classe de senhores, haverá a multidão dos diversos membros do partido classificados hierarquicamente, haverá a grande massa dos anônimos, a coletividade dos servidores, dos perpetuamente menores e, mais abaixo ainda, a classe dos estrangeiros conquistados, os modernos escravos. E, acima de tudo isto, uma nova alta nobreza de que não posso falar. . . Mas estes planos devem ser ignorados pelos simples militantes.. .
O mundo é uma matéria a transformar para que dela emane uma certa energia, concentrada por magos, uma energia psíquica susceptível de atrair as Potências do Exterior, os Superiores Desconhecidos, os Mestres do Cosmos. A atividade da Ordem Negra não corresponde a nenhuma necessidade política ou militar: corresponde a uma necessidade mágica. Os campos de concentração provêm da magia de iniciação: são um ato simbólico, uma maquete. Todos os povos serão arrancados às suas raízes, transformados numa imensa população nômade, numa matéria bruta sobre a qual será lícito agir, da maneira que se quiser, e da qual brotará a flor: o homem em contacto com os deuses. É o modelo côncavo (como dizia Barbey d'Aurevilly: o inferno é o céu em côncavo) do planeta tornado o campo dos labores mágicos da Ordem Negra.
No ensinamento dos Burgs, uma parte da doutrina secreta é transmitida pela seguinte fórmula: Não existe senão o Cosmos, ou o Universo, ser vivo. todas as coisas, todos os seres incluindo o homem, não passam de formas diversas ampliando-se no decorrer das eras do universal vivo. Nós próprios não estaremos vivos enquanto não tomarmos consciência desse Ser que nos cerca, nos engloba e prepara através de nós outras formas. A criação não está terminada, o Espírito do Cosmos não encontrou o repouso, estejamos atentos às suas ordens, que nos serão transmitidas por deuses, a nós, magos bárbaros, padeiros da sangrenta e cega massa humana! Os fornos de Auschwitz: ritual.
O coronel S.S. Wolfram Sievers, que se limitara a uma defesa puramente racional, pediu, antes de entrar para a sala de enforcamento, que o deixassem celebrar, uma última vez o seu culto, murmurar misteriosas orações. Depois entregou o pescoço ao carrasco, Impassível.
Ele fora o administrador-geral da Ahnenerbe e como tal foi condenado à morte em Nuremberg. A sociedade de estudo para a herança dos antepassados, a Ahnenerbe, fora fundada a título privado pelo mestre espiritual de Sievers, Frederico Hielscher, místico amigo do explorador sueco Sven Hedin, o qual mantinha relações estreitas com Haushoffer. Sven Hedin, especialista do Extremo-Oriente, vivera muito tempo no Tibete e fora um intermediário importante na criação das doutrinas esotéricas nazistas. Frederico Hielscher nunca foi nazista e chegou mesmo a manter relações com o filósofo judeu Martin Buber.
Mas as suas teses profundas lembravam as posições mágicas dos grandes mestres do nacional-socialismo. Himmler, em 1935, dois anos depois da fundação, fez da Ahnenerbe uma organização oficial, ligada à Ordem Negra. Os objetivos declarados eram: Investigar a localização, o espírito, os atos, a herança da raça indo-germânica e comunicar ao povo, sob uma forma interessante, os resultados dessas investigações. A execução dessa missão deve fazer-se empregando métodos de precisão científica. Toda a organização racional alemã posta ao serviço do irracional. Em Janeiro de 1939, a Ahnenerbe estava pura e simplesmente incorporada à S.S. e os seus chefes integrados no estado-maior de Himmler. Nessa altura, ela dispunha de cinqüenta institutos dirigidos pelo professor Wurst, especialista dos antigos textos sagrados e que ensinara o sânscrito na Universidade de Munique.
Parece que a Alemanha gastou mais dinheiro com as investigações da Ahnenerbe do que a América com o fabrico da primeira bomba atômica. Essas investigações iam da atividade científica propriamente dita até ao estudo das práticas ocultas, da vivisseção praticada nos prisioneiros até à espionagem das sociedades secretas. Fizeram-se conferências com Skorzeny para organizar uma expedição cujo objetivo era roubar o Santo Graal, e Himmler criou uma secção especial, um serviço de informações encarregado dos domínios do sobrenatural.
A lista dos relatórios dispendiosamente estabelecidos pela Ahnenerbe confunde a imaginação: presença da confraria Rosa-Cruz, simbolismo da abolição da harpa no Ulster, significado oculto das torres góticas e dos chapéus altos de Eton, etc. Quando as tropas se preparam para evacuar Nápoles, Himmler multiplica as ordens para que não se esqueçam de levar a grande pedra tumular do último imperador Hohenstoffen. Em 1943, após a queda de Mussolini, o Reichsführer reúne numa vivenda dos arredores de Berlim os seis maiores ocultistas da Alemanha para descobrir o local onde o Duce está prisioneiro. As conferências de estado-maior principiam com uma sessão de concentração lógica. No Tibete, por ordem de Sievers, o doutor Scheffer estabelece múltiplos contactos com os lamas. Leva para Munique, para os estudos científicos, cavalos arianos e abelhas arianas cujo mel tem virtudes particulares.
Durante a guerra, Sievers organiza, nos campos de deportados, as horríveis experiências que desde então serviram de tema a vários livros negros. A Ahnenerbe enriqueceu-se com um instituto de investigações científicas de defesa nacional que dispunha de todas as possibilidades concedidas em Dachau.
O professor Hirt, que dirige esses institutos, arranja uma coleção de esqueletos tipicamente israelitas. Sievers encomenda ao exército invasor na Rússia uma coleção de crânios de comissários judeus. Quando, em Nuremberg, se evocam esses crimes, Sievers mantém-se alheio a qualquer sentimento humano normal, estranho a qualquer piedade. Está distante. Escuta outras vozes.
Hielscher representou sem dúvida um papel importante na elaboração da doutrina secreta. Fora dessa doutrina, a atitude de Sievers, tal como a dos outros grandes responsáveis, mantém-se incompreensível. Os termos monstruosidade moral, crueldade mental, loucura, nada explicam. A respeito do mestre espiritual de Sievers, quase nada se sabe. Mas Ernst Jünger refere-se-lhe no diário que manteve durante os seus anos de ocupação em Paris. O tradutor francês não reparou numa nota, a nossos olhos capital. É que de fato o sentido da mesma só se torna evidente dentro da explicação realista-fantástica do fenômeno nazista. a 14 de Outubro de 1943, Jünger escreve:
À noite, visita de Bogo. (Por prudência, Jünger dissimula as altas personalidades sob pseudônimos. Bogo é Hielscher, assim como Kniebolo é Hitler). Numa época tão pobre em forças originais, ele surge-me como uma das pessoas das minhas relações a respeito das quais mais refleti sem conseguir formar uma opinião. Supus outrora que ele entraria na história da nossa época como uma dessas personagens pouco conhecidas, mas de extraordinária subtileza de espírito. Agora penso que terá um papel mais importante. Muitos, se não a maior parte dos jovens intelectuais da geração que se tornou adulta após a grande guerra, sofreram a sua influência e muitas vezes passaram pela sua escola... Ele confirmou uma suspeita que há muito tempo alimento, a de que fundou uma igreja. Situa-se atualmente para lá da dogmática e já avançou muito na liturgia. Mostrou-me uma série de cantos e um ciclo de festas, o ano pagão, que engloba uma ordenança completa de deuses, de cores, animais, iguarias, pedras e plantas. Vi ali que a consagração da luz se celebra a 2 de Fevereiro. . .
E Jünger acrescenta, confirmando a nossa tese:
Pude constatar em Bogo uma modificação fundamental que me parece característica de todo o nosso escol: arremessa-se impetuosamente para os domínios metafísicos, com todo o entusiasmo de um pensamento formado pelo racionalismo. Isto já me tinha impressionado em Spengler e está entre os presságios favoráveis. Poderia dizer-se que o século XIX foi um século racional e que o século XX é o dos cultos. O próprio Kniebolo (Hitler) vive deles, daí a total incapacidade dos espíritos liberais em conceberem nem que seja uma pequena idéia do seu universo.
Hielscher, que não fora incomodado, depôs a favor de Sievers no processo de Nuremberg. Limitou-se, perante os juízes, a diversões políticas, expôs opiniões voluntariamente absurdas sobre as raças e as tribos ancestrais. Pediu licença para acompanhar Sievers ao patíbulo, e foi com ele que o condenado fez as orações particulares de um culto a que este nunca se referiu durante os interrogatórios. Depois voltou à sombra.
Imagem: Só Os Cultos Sobrevivem
cantinhodanina.spaceblog.com.br

Planetas formados de diamantes en la Vía Láctea


Rosa M. Tristán | Madrid ELMUNDO.ES
Los diamantes, la piedra más preciada de este planeta, por lo que ha provocado sangrientas guerras, no es exclusiva de la Tierra. Investigadores de las Universidades de Manchester (Reino Unido) y de Ohio (EE. UU.) aseguran en un nuevo trabajo que en la Vía Láctea hay planetas de un tamaño mayor a nuestro -supertierras- que podrían estar compuestos hasta un 50% por diamantes.
El pasado mes de agosto, un equipo de CSIRO (Organización para la Investigación Industrial y Científica de la Mancomunidad de Australia) descubrió uno de estos astros diamante a 4.500 años de la Tierra, con sólo 60.000 kilómetros de diámetro, pero según este nuevo trabajo podrían ser muchos más de lo que se piensa. "Es difícil saber cuántos hay, pero pensamos que suponen un porcentaje de todos los planetas terrestres que existen", señala Wendy Panero a ELMUNDO.es, de la Universidad de Ohio.
Para llegar a esta conclusión, los científicos no miraron hacia el Cosmos, sino que realizaron un experimento en un laboratorio de la Universidad de Ohio, donde reconstruyeron las temperaturas y las presiones que hay bajo la corteza terrestre para determinar cómo se forman estas piedras preciosas y entender lo que pasa con el carbono que hay en otros planetas del Sistema Solar.
Ricos en carbono
Panero y su alumno Cayman Unterborn utilizaron las conclusiones de estos experimentos para construir modelos informáticos de cómo se forman los minerales en astros más ricos en carbono que el nuestro. "Es posible que planetas que tienen como 15 veces la masa de la Tierra tengan hasta un 50% compuesto por diamantes", asegura Unterborn, que presentó estos resultados en la reunión de la American Geophysical Union.
"Nuestras conclusiones sugieren que los planetas ricos en carbono pueden formar una corteza y un manto como ocurrió aquí, pero en su caso el núcleo sería como el acero y el manto tendría una composición muy similar a la de los diamantes", explica Panero. En la Tierra, sin embargo, el núcleo es sobre todo de hierro, mientras el manto es de silicatos minerales procedentes de los elementos que había en la nube de polvo que formó el Sistema Solar.
Estas 'joyas' cósmicas nunca podrían ser habitables. Su química es muy distinta de la que hace posible la vida. El interior se ha congelado con gran rapidez, no hay tectónica de placas, ni magnetismo, ni atmósfera. "Son planetas muy fríos y oscuros", asegura la geóloga.
Experimento de laboratorio
Panero y sus alumnos tomaron hierro, carbono y oxígeno y lo sometieron a una gran la presión y la temperatura que hay en el interior de la Tierra. Cuando observaban la muestra por el microscopio, el oxígeno se fusionó con el hierro, creando el óxido de hierro y los laterales de la muestra se convirtieron en diamantes.
Hasta ahora, ya se han descubierto más de 500 planetas fuera del Sistema Solar, pero se sabe muy poco aún sobre su composición interna. "Lo que hemos hecho es echar una mirada a los elementos volátiles, como el hidrógeno y el carbón, que interactúan dentro de la Tierra, porque cuando enlazan con oxígeno, usted consigue las atmósferas", argumenta Panero.
La investigación de Ohio sugiere que los planetas tipo Tierra, pero de diamante, se pueden formar en nuestra galaxia. Exactamente cuántos puede haber y su composición interna es algo que aún no se sabe.
Contacte con el autor del artículo vía Twitter. @Rosa M. Tristan

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Despertar dos Mágicos (61). Sobre a parede da casa Ipatieff, a czarina, antes da sua execução, teria desenhado uma cruz gamada, acompanhada de uma i


Segundo o nosso método, vamos agora apresentar informações e confirmações respeitantes a outros aspectos desprezados do socialismo mágico: a sociedade Tule, vértice da Ordem Negra, e a sociedade Ahnenerbe. Conseguimos reunir uma documentação bastante volumosa, cerca de um milhar de páginas.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

Mas essa documentação deveria ser mais uma vez verificada e copiosamente completada se quiséssemos realizar um trabalho claro, poderoso completo. De momento, isso está fora das nossas possibilidades: Para mais, não pretendemos tornar excessivamente pesado o presente volume, que só a título de exemplo do realismo fantástico se refere à história contemporânea. Eis portanto a seguir um breve resumo de algumas verificações esclarecedoras.
Num dia de Outono de 1923 morreu em Munique uma personagem singular, poeta, dramaturgo, jornalista, boêmio, que o nome de Dietrich Eckardt. Com os pulmões queimados pela perita, ele fizera, antes de entrar na agonia, a sua oração muito pessoal perante um meteorito negra da qual dizia: É a minha pedra de Kaaba, e que legou ao professor Oberth, um dos criadores da Astronáutica. Acabava de enviar um longo manuscrito ao seu amigo Haushoffer. Os seus assuntos estavam em ordem. Ele morria, mas a Sociedade Tule continuaria a viver e em breve transformaria o mundo e a vida sobre a Terra.
Em 1920, Dietrich Eckardt e outro membro da sociedade tule o arquiteto Alfred Rosenberg, travaram conhecimento com Hitler. Marcaram-lhe uma primeira entrevista na casa de Wagner, em Beirute. Durante três anos rodearão sem cessar o pequeno caporal da Reichswehr, dirigindo-lhe os pensamentos e os atos. Konrad Heiden escreve: Eckardt empreende a formação espiritual de Adolfo Hitler. Ensina-lhe a escrever e a falar. Os seus ensinamentos desenvolvem-se sobre dois planos: a doutrina secreta e a doutrina de propaganda. Narrou algumas das conversas que teve com Hitler em relação à segunda num curioso folheto intitulado O bolchevismo de Moisés a Lenine. Em junho de 1923, esse novo mestre, Eckardt, será um dos sete membros fundadores do partido nacional-socialista. Sete: número sagrado. No Outono, por altura da sua morte, diz: Sigam Hitler. Ele há-de dançar, mas a música foi escrita por mim. Nós concedemos-lhe os meios de comunicar com Eles... Não me lamentem: terei influenciado a história mais do que qualquer outro alemão. . .
A lenda de Tule remonta às origens do germanismo. Tratar-se-ia de uma ilha desaparecida, em qualquer parte no Extremo Norte. Na Groenlândia? No Lavrador? Como a Atlântida. Tule teria sido o centro mágico de uma civilização submersa. Para Eckardt e seus amigos, nem todos os segredos de Tule se teriam perdido. Seres intermediários entre o homem e as inteligências do Exterior disporiam, para os iniciados, de um reservatório de forças onde as podiam ir buscar para dar de novo à Alemanha o domínio do Mundo, para fazer da Alemanha a nação anunciadora da super-humanidade futura, das mutações da espécie humana.
Um dia agitar-se-ão legiões para destruir tudo o que constituiu obstáculo ao destino espiritual da Terra, e serão conduzidas por homens infalíveis, alimentados nas fontes da energia, guiados pelos Grandes Antigos. Tais são os mitos contidos na doutrina ariana de Eckardt e de Rosenberg, e que esses profetas de um socialismo mágico introduzem na alma mediúnica de Hitler. Mas a sociedade Tule talvez ainda não passe de uma bastante poderosa maquina nazista para misturar o sonho e a realidade. Depressa se transformará, sob outras influências e com outras personagens, num instrumento muito mais estranho: um instrumento capaz de alterar a própria natureza da realidade. Segundo parece, é com Karl Haushoffer que o grupo Tule vai adquirir o seu verdadeiro caráter de sociedade secreta de iniciados em contacto com o invisível, e se tornará o centro mágico do nazismo.
Hitler nasceu em Braunau-sobre-Inn, a 20 de Abril de 1889, às 17 e 30, no número 219 da Salzburger Vorstadt. Cidade fronteira austro-bávara, ponto de encontro de dois grandes estados alemães, foi mais tarde para o Führer uma cidade símbolo. A ela se liga uma singular tradição: é um viveiro de médiuns. É a cidade natal de Willy e Rudi Schneider, cujas experiências psíquicas fizeram sensação há perto de trinta anos. Hitler teve a mesma ama que Willy Schneider. Em 1940, Jean de Pange escrevia: Baunau é um centro de médiuns. Um dos mais conhecidos é Madame Stokhammes que, em 1920, desposou em Viena o príncipe Joaquim da Prússia. Era de Braunau que um espírita de Munique o barão Schrenk-Notzing, mandava vir os seus auxiliares, e um deles era justamente primo de Hitler. O ocultismo ensina que depois de terem conciliado forças ocultas, por meio de um pacto, os membros do grupo não podem evocar essas forças senão por intermédio de um mágico, o qual não poderá agir sem um médium. Tudo se passa como se Hitler tivesse sido o médium e Haushoffer o mágico.
Rauschning descreve assim o Führer: Somos obrigados a pensar nos médiuns. A maior parte do tempo são seres vulgares, insignificantes. Subitamente, como que lhes caem do céu poderes que os elevam acima da medida comum. Esses poderes são exteriores à sua personalidade real. São visitantes oriundos de outros planetas. O médium está possesso. Uma vez libertado, volta a cair na mediocridade. É sem dúvida desta forma que certas forças atravessam Hitler. Forças quase demoníacas das quais a personagem chamada Hitler não é mais do que a vestimenta momentânea. Essa reunião do banal e do extraordinário, eis a insuportável dualidade de que nos apercebemos logo que entramos em contacto com ele.
Este ser poderia ter sido inventado por Dostoievski. Tal é a impressão que provoca numa pessoa estranha a associação de uma confusão doentia e de um poder turvo. Strasser: Aquele que escuta Hitler vê surgir de súbito o Führer da glória humana... Aparece uma luz atrás de uma janela escura. Um senhor com um cômico bigode em vassoura transforma-se em arcanjo... Depois o arcanjo levanta vôo: apenas resta Hitler, que se volta a sentar, alagado em suor, com os olhos vítreos. Bouchez: Examinara-lhe os olhos, uns olhos que se tinham tornado mediúnicos... Por vezes, qualquer coisa se passava, semelhante a um fenômeno de ectoplasma: qualquer coisa parecia habitar o orador. Emanava um fluido. . . Depois voltava a ser pequeno, medíocre, até vulgar. Parecia fatigado, completamente exausto. François-Poncet (ex-embaixador na Alemanha) : Ele entrava numa espécie de transe mediúnico. O rosto refletia um encantamento extático.
Atrás do médium, sem dúvida não está apenas um homem, mas um grupo, um conjunto de energias, uma central mágica.
E o que nos parece fora de dúvida é que Hitler está animado por outra coisa além daquilo que exprime: por forças e doutrinas mal coordenadas mas infinitamente mais temíveis do que apenas a teoria nacional-socialista. Um pensamento muito maior do que o dele, que constantemente o excede, e do qual só dá ao povo, aos seus colaboradores, restos grosseiramente vulgarizados. Ressoador potente, Hitler sempre foi o tambor que se gabava de ser no processo de Munique, e sempre continuou a ser um tambor. No entanto, só reteve e utilizou aquilo que, ao acaso das circunstâncias, servia a sua ambição de conquista do poder, o seu sonho de domínio do Mundo, e o seu delírio: a seleção biológica do homem-deus.
Mas há outro sonho, outro delírio: modificar a vida sobre todo o planeta. Por vezes abre-se, ou antes, o pensamento interior excede-o, e filtra bruscamente por uma pequena abertura. Dizia a Rauschning: A nossa revolução é uma nova etapa, ou antes a etapa definitiva da evolução que conduz à supressão da história. . . Ou ainda: Não sabem nada de mim, os meus camaradas do partido não fazem a menor idéia dos sonhos que faço e do edifício grandioso do qual pelo menos os alicerces estarão edificados quando eu morrer. . . Há uma curva decisiva do mundo, eis-nos na charneira dos tempos... Haverá uma alteração do planeta que vós, os não iniciados, são incapazes de compreender. . . O que se está a passar é mais do que o aparecimento de uma nova religião. . .
Rudolf Hess fora o assistente de Haushoffer quando este professava na Universidade de Munique. Foi ele que estabeleceu o contacto entre Haushoffer e Hitler. (Fugiu de avião da Alemanha, para uma expedição delirante, depois de Haushoffer lhe ter dito que o vira voar, em sonhos, a caminho da Inglaterra. Nos raros momentos de lucidez que a sua inexplicável doença lhe permite, o prisioneiro Hess, último sobrevivente do grupo Tule, teria declarado formalmente que Haushoffer era o mágico, o mestre secreto.)
Após a revolta falhada, Hitler é encerrado na prisão de Landshurt. Levado por Hess, o general Karl Haushoffer visita quotidianamente Hitler, passa horas junto dele, desenvolve as suas teorias e delas extrai todos os argumentos favoráveis à conquista política. A sós com Hess, Hitler mistura para a propaganda externa as teses de Haushoffer e os projetos de Rosenberg, num conjunto imediatamente ditado para Mein Kampf.
Karl Haushoffer nasceu em 1869. Fez diversas estadias nas Índias e no Extremo-Oriente, foi enviado ao Japão e aí aprendeu a língua. Para ele a origem do povoalemão dera-se na Ásia Central e a permanência, a grandeza, a nobreza do mundo estavam asseguradas pela raça indo-germânica. No Japão, Haushoffer teria sido iniciado numa das mais importantes sociedades secretas budistas e ter-se-ia comprometido, em caso de malogro da sua missão, a executar o suicídio cerimonial.
Em 1914, Haushoffer, jovem general, faz-se notar por um extraordinário poder de predizer os acontecimentos: horas de ataque do inimigo, locais onde cairão as bombas, tempestades, alterações políticas em países de que nada se sabe. Terá Hitler possuído também esse dom de clarividência ou seria Haushoffer que lhe murmura-a as suas próprias inspirações? Hitler predisse com exatidão a data de entrada das suas tropas em Paris, a data da chegada a Bordéis dos primeiros arrombadores de bloqueio. Quando decide a ocupação da Renânia, todos os peritos da Europa, incluindo os alemães, estão persuadidos de que a França e a Inglaterra se oporão. Hitler prediz que não. Ele virá a anunciar a data da morte de Roosevelt.
Após a primeira grande guerra, Haushoffer retoma os seus estudos e parece dedicar-se exclusivamente à geografia política, funda a revista de Geopolítica e publica numerosos trabalhos. Muito curiosamente, esses trabalhos parecem baseados num realismo político acanhadamente materialista. Essa preocupação, em todos os membros do grupo, em empregar uma linguagem exotérica puramente materialista, em transportar para o exterior concepções pseudocientíficas baralha constantemente as cartas. O geopolítico sobrepõe-se a outra personagem, discípulo de Schopenhauer, inclinado para o budismo, admirador de Inácio de Loiola tentado pelo governo dos homens, espírito místico em busca de realidades ocultas, homem de grande cultura e de grande psiquismo. Parece muito provável que tenha sido Haushoffer a escolher a cruz gamada para emblema.
Na Europa, como na Ásia, a suástica foi sempre considerada um signo mágico. Viram nele o símbolo do Sol, fonte de vida e de fecundidade, ou do trovão, manifestação da cólera divina, que é necessário esconjurar. Ao contrário da cruz, do triângulo, do círculo ou do crescente, a suástica não é um símbolo elementar que possa ter sido inventado e reinventado em qualquer época da humanidade e em todos os pontos do globo comuma simbólica sucessivamente diferente. É o primeiro signo traçado com uma intenção precisa. O estudo das suas migrações põe o problema das primeiras eras, das origenscomuns nas diversas religiões, das relações pré-históricas entre a Europa, a Ásia e a América. O seu mais antigo rasto teria sido descoberto na Transilvânia e remontaria ao final da época da pedra polida.
Voltamos a encontrá-lo sobre centenas de fusos datando do século XIV antes de Cristo e nos vestígios de Tróia. Aparece na Índia no século IV antes de Cristo e na China no século v da nossa era. Vemo-lo um século mais tarde no Japão, no momento da introdução do budismo, que dela faz um emblema. Constatação capital: é completamente desconhecido ou só aparece a título acidental em toda a regiãosemítica, no Egito, na Caldeia, na Assíria, na Fenícia. É um símbolo exclusivamente ariano. Em 1891, Ernest Krauss chama a atenção do público germânico para este fato: Guido List, em 1908, descreve a suástica nas suas obras de divulgação como um símbolo de pureza do sangue e, ao mesmo tempo, como um signo de conhecimento esotérico, revelado pela decifração da epopéia rúnica de Edda. Na corte da Rússia, a cruz gamada é introduzida pela imperatriz Alexandra Feodorovna. Teria sido sob a influência dos teósofos? Ou antes sob a do médium Badmaiev, estranha personagem formada em Lassa e que em seguida estabeleceu numerosas ligações com o Tibete? Ora o Tibete é uma das regiões do Mundo onde a suástica - orientada quer para a direita, quer para a esquerda - é de uso corrente. Vem agora a propósito uma história bastante espantosa.
Sobre a parede da casa Ipatieff, a czarina, antes da sua execução, teria desenhado uma cruz gamada, acompanhada de uma inscrição. Teria sido tirada uma fotografia dessa inscrição, que depois se apressaram a apagar. Koutiepoff teria estado de posse de uma fotografia feita a 24 de Julho, ao passo que a fotografia oficial data de 14 de Agosto. Teria igualmente recebido em depósito o ícone descoberto sobre o corpo da czarina, no interior do qual se encontraria outra mensagem em que se aludia à sociedade secreta do Dragão Verde. Segundo o agente de informações, que viria a ser misteriosamente envenenado e que nos seus romances usava o pseudônimo de Teddy Legrand, Koutitepoff desaparecera sem deixar rasto; teria sido raptado e assassinado no iate de três mastros do barão Otto Bautenas, igualmente assassinado mais tarde. Teddy Legrand escreve: O grande barco branco chamava-se Asgard. Fora portanto batizado - teria sido fortuitamente?com um vocábulo com que as lendas islandesas designam o Reino do Rei de Tule. Segundo Trebich Lincoln (que na realidade afirmava ser o lama Djordni Den), a sociedade dos Verdes, parente da sociedade Tule, tinha as suas origens no Tibete. Em Berlim, um monge tibetano, a quem chamavam o homem das luvas verdes e que por três vezes anunciou na imprensa, com precisão, o número dos deputados hitlerianos enviados ao Reichstag, recebia regularmente Hitler. Era, segundo os iniciados, detentor das chaves que abrem o reino de Agartha.
Imagem: ... admirar o sol e esperar que a noite nos tragaa magia do desconhecido.
ireflexoes.blogspot.com

sábado, 26 de novembro de 2011

O Despertar dos Mágicos (60). O Universo não passava de uma ilusão e a sua estrutura podia ser modificada pelo pensamento ativo dos iniciados.



Seu filho, Americ Vespucius Symnes, era um dos seus adeptos e tentou, sem êxito, reunir essas notas num trabalho coerente. Acrescentou uma suposição segundo a qual, depois de os tempos mudarem, as Dez Tribos perdidas de Israel seriam descobertas, vivendo provavelmente no interior da mais exterior das esferas.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

Em 1870, outro americano, Cyrus Read Teed, proclama por sua vez que a Terra é oca. Teed era um espírito de grande erudição, especializado no estudo da literatura alquímica. Em 1869 na altura em que trabalhava no seu laboratório e meditava sobre os Livros de Isaías, tivera uma inspiração. Compreendera que habitamos, não sobre a Terra, mas no interior. Como essa visão vinha dar crédito a antigas lendas, criou uma espécie de religião e divulgou a sua doutrina fundando um pequeno jornal: A Espada de Fogo. Em 1894 reunira mais de quatro mil fanáticos. A sua religião chamava-se o Koresháme. Morreu em 1908, depois de anunciar que o seu cadáver não entraria em putrefação. Mas os seus adeptos tiveram de o mandar embalsamar ao fim de dois dias.
Essa idéia da Terra oca está ligada a uma tradição que se encontra em todas as épocas e em todos os locais. As mais antigas obras de literatura religiosa falam de um mundo separado, situado sob a crosta terrestre e que seria a morada dos mortos e dos espíritos. Quando Gilgamesh, herói lendário dos antigos Sumerianos e das epopéias babilônicas, vai visitar o seu antepassado Utnapishtim, desce às entranhas da Terra, e é ali também que Orfeu vai procurar a alma de Eurídice. Ulisses, ao atingir os limites do Ocidente, oferece um sacrifício a fim de que os espíritos dos antigos saiam das profundezas da Terra e o aconselhem. Plutão reina no fundo da Terra sobre os espíritos dos mortos. Os primeiros cristãos reúnem-se nas catacumbas e fazem dos abismos subterrâneos a morada das almas condenadas. As lendas germânicas exilam Vênus para o fundo da Terra. Dante coloca o inferno nos círculos inferiores. Os folclores europeus supõem haver dragões debaixo da terra e os japoneses imaginam nas profundezas da sua ilha um monstro cujos arrepios provocam tremores de terra.
Falamos de uma sociedade secreta pré-hitleriana, a Sociedade do Vril, que misturava essas lendas com as teses apresentadas pelo escritor inglês Bulwer Lytton no seu romance A Raça que nos há-de suplantar. Para os membros dessa sociedade, certos seres com um poder psíquico superior ao nosso habitam cavernas no centro da Terra. De lá sairão um dia para nos governar.
No fim da guerra de 1914, um jovem aviador alemão prisioneiro em França, Bender, descobre velhos exemplares do jornal de Teed, A Espada de Fogo, assim como brochuras de propaganda a favor da Terra oca. Atraído por esse culto e por sua vez inspirado, esclarece e desenvolve essa doutrina. De regresso à Alemanha, organiza um movimento, o Hohl Welt Lehre. Prossegue a tarefa de outro americano, Marshall B. Gardner, que, em 1913 publicara um trabalho para demonstrar que o Sol não estava por cima da Terra, mas no centro da mesma, e emitia raios que exercem uma pressão capaz de nos manter sobre a crosta côncava.
Para Bender a Terra é uma esfera da mesma dimensão que na geografia ortodoxa, mas é oca e a vida acha-se encostada à face interna pelo efeito de certas radiações solares. Para além, o rochedo até ao infinito. A camada de ar, no interior, tem uma altura de sessenta quilômetros, depois rarefaz-se até ao vazio absoluto do centro, onde se encontram três corpos: o Sol, a Lua e o Universo fantasma. Esse Universo fantasma é uma bola de gás azulado na qual brilham grãos de luz a que os astrônomos chamam estrelas. É noite sobre uma parte da concavidade terrestre quando essa massa azul passa diante do Sol, e a sombra dessa massa sobre a Lua produz os eclipses. Acreditamos num Universo exterior, situado por cima de nós, porque os raios luminosos não se propagam em linha reta: são curvos, à exceção dos infravermelhos. Esta teoria de Bender viria a tornar-se popular por volta de 1930. Dirigentes do Reich, oficiais superiores da Marinha e da Aviação acreditavam na Terra oca.
Parece-nos absolutamente insensato que homens encarregados de dirigir uma nação possam, em parte, ter regulado a sua conduta segundo intuições místicas que negam a existência do nosso Universo. No entanto é necessário ver bem que, para o homem simples, para o alemão da rua cuja alma fora modelada pela derrota e pela miséria, a idéia da Terra oca, por volta de 1930, não era mais louca, no fim de contas, que a idéia segundo a qual um grão de matéria conteria fontes de energia ilimitada, ou que a idéia de um Universo com quatro dimensões. A ciência, a partir do final do século XIX, enveredava por um caminho que não era o do bom senso. Para espíritos primários, desgraçados e místicos, qualquer singularidade se tornava admissível e, de preferência, uma singularidade compreensível e consoladora como a da Terra oca. Hitler e os seus camaradas, homens saídos do povo e adversários da inteligência pura, deviam considerar as idéias de Bender mais admissíveis do que as teorias de Einstein, que punham a descoberto um Universo de infinita complexidade, de infinita delicadeza para quem quisesse abordá-lo. O mundo segundo Bender era aparentemente tão louco como o mundo de Einstein, mas para nele penetrar não era preciso mais do que uma loucura de primeiro grau. A explicação do Universo feita por Bender, embora tivesse premissas loucas, desenvolvia-se de maneira razoável. O louco perdeu tudo exceto a razão.
O Hohl Wrelt Lehre, que fazia da humanidade a única presença inteligente do Universo, que reduzia esse Universo apenas às dimensões da Terra, que dava ao homem a sensação de estar envolvido, encerrado, protegido, como o feto no útero da mãe, satisfazia certas aspirações da alma infeliz, concentrada no orgulho e cheia de raiva contra o mundo exterior. Além disso a única teoria alemã que era possível opor ao judeu Einstein. A teoria de Einstein baseia-se na experiência de Michelson e Morley, demonstrando que a velocidade da luz que se desloca no sentido da revolução terrestre é a mesma que a da luz perpendicular a essa revolução. Einstein deduz daí que não há portanto um meio que conduza a luz, mas que esta é composta por partículas independentes.
A partir desse dado, Einstein apercebe-se de que a luz se contrai no sentido do movimento e que é condensação de energia. Ele estabelece a teoria da relatividade do movimento da luz. No sistema Bender, a Terra, sendo oca, não se desloca. Nada há ali a ver com Michelson. A tese da Terra oca, aparentemente, explica a realidade tão bem como a tese de Einstein. Nessa época, nenhuma verificação experimental viera ainda corroborar o pensamento de Einstein, a bomba atômica não viera justificar esse pensamento de forma absoluta e aterradora. Os dirigentes alemães aproveitaram a ocasião para negar qualquer valor aos trabalhos do genial judeu e a perseguição contra os sábios israelitas e contra a ciência oficial começou. Einstein, Teller, Fermi e muitos outros grandes espíritos tiveram de se isolar. Receberam bom acolhimento nos Estados Unidos, dispuseram de dinheiro e de laboratórios bem equipados. A origem do poder atômico americano está nisso. Foi a subida das forças ocultas na Alemanha que concedeu a energia nuclear aos americanos.
O mais importante centro de estudos do exército americano encontra-se em Dayton, no Ohio. Em 1957 era anunciado que o laboratório que, nesse centro, é consagrado à domesticação da bomba de hidrogênio conseguira realizar uma temperatura de um milhão de graus. O sábio que levara a bom termo essa extraordinária experiência era o doutor Heinz Fisher, o homem que dirigira a expedição à ilha de Rügen para verificar a hipótese da Terra oca. Ele trabalhava livremente nos Estados Unidos desde 1945. Interrogado a respeito do seu passado pela imprensa americana, declarou: Os nazistas obrigavam-me a fazer um trabalho de louco, o que prejudicava consideravelmente as minhas investigações. Perguntamos a nós próprios o que teria acontecido e de que maneira teria evoluído a guerra se as pesquisas do doutor Fisher não tivessem sido interrompidas em proveito do místico Bender. . .
Após a expedição da ilha de Rügen, a autoridade de Bender, aos olhos dos dignitários nazistas, diminuiu, apesar da proteção de Goering, que sentia afeto por aquele antigo herói da aviação. Os horbigerianos, os partidários do grave Universo onde reina o gelo eterno. venceram-no. Bender foi mandado para um campo de concentração, onde morreu. Desta forma, a Terra oca teve o seu mártir. No entanto, muito antes dessa louca expedição, os discípulos de Horbiger atormentavam Bender com sarcasmos e pediam que os livros a favor da Terra oca fossem proibidos. O sistema de Horbiger tem as dimensões da cosmologia ortodoxa, e não é possível acreditar simultaneamente no cosmos onde o gelo e o fogo prosseguem a sua luta eterna e no globo oco preso num rochedo que se prolonga até ao infinito. Foi pedida a arbitragem de Hitler. A resposta merece reflexão:
Não temos a menor necessidade - disse Hitler - de uma concepção do mundo coerente. Ambos podem ter razão.
O que conta não é a coerência e a unidade do conjunto, mas sim a destruição dos sistemas provenientes da lógica, das formas de pensamento racional, é o dinamismo místico e a força explosiva da intuição. Há lugar, nas trevas cintilantes do espírito mágico, para mais de uma centelha.
Levam-nos água ao nosso horrível moinho. - O jornal dos Loiros. - O padre Lenz. - Uma circular da Gestapo. A última prece de Dietrich Eckardt. - A lenda de Tule. Um viveiro de médiuns. - Haushoffer o mágico. -Os silêncios de Hess. - A suástica e os mistérios da casa Ipatiev. Os sete homens que queriam modificar a vida. - Uma colônia tibetana. - As exterminações e o ritual. - Está mais escuro do que imaginais.
Vivia em Kiel, após a guerra, um honesto médico dos seguros sociais, perito junto dos tribunais, bem-humorado, que chamava Fritz Sawade. No final do ano de 1959, uma voz misteriosa preveniu o médico de que a justiça ia ser obrigada a prendê-lo. O médico fugiu, vagueou durante oito dias e depois rendeu-se. Tratava-se na realidade do Obersturmbannführe S.S. Werner Heyde. O professor Heyde fora o organizador médico do programa de eutanásia que, de 1940 a 1941, fez 200 vítimas alemãs e serviu de prefácio à exterminação dos estrangeiros nos campos de concentração.
A propósito dessa prisão, um jornalista francês, que é ao mesmo tempo um excelente historiador da Alemanha hitleriana escreveu:
O caso Heyde, como muitos outros, assemelha-se aos icebergs cuja parte visível é a menos importante... A eutanásia dos fracos, dos incuráveis, o extermínio em massa de todas as comunidades susceptíveis de contaminar a pureza do sangue germânico foram realizados com uma obstinação patológica, uma convicção de natureza quase religiosa que parecia atingir a demência. A tal ponto que numerosos observadores dos processos alemães do após-guerra - autoridades científicas ou médicas pouco capazes de admitirem como provas mistificações - acabaram por pensar que a paixão política constituía uma explicação bastante fraca e que era necessário que entre tantos executantes e tantos chefes, entre Himmler e o último guarda de campo de concentração, tivesse imperado uma espécie de elo místico.
A hipótese de uma comunidade iniciática, subjacente ao nacional-socialismo, impôs-se pouco a pouco. Uma comunidade verdadeiramente demoníaca, regida por dogmas ocultos, bem mais aperfeiçoados do que as doutrinas elementares de Mein Kampf ou do Mito do século XX, e servida por ritos cujos vestígios isolados não se notam, mas cuja existência parece incontestável para os analistas (e recordamos que se trata de sábios e de médicos) da patologia nazista. Eis a água para este horrível moinho.
Todavia não pensamos que se trate de uma única sociedade secreta, solidamente organizada e ramificada, nem de um dogma único, nem de um conjunto de ritos organicamente constituído. A pluralidade e a incoerência parecem-nos, bem pelo contrário, significativas dessa Alemanha subterrânea que tentamos descrever. A unidade e a coesão em qualquer assunto, mesmo místico, parece indispensável a um ocidental cheio de positivismo e de cartesianismo. Mas aqui estamos fora desse Ocidente; trata-se antes de um culto multiforme, de um estado de superespírito (ou de subespírito) absorvendo diversos ritos, crenças mal ligadas entre si. O importante é manter um fogo secreto, uma chama viva; tudo serve para a alimentar.
Nesse estado já nada é impossível. As leis naturais são interrompidas, o mundo torna¬se fluido. Chefes S.S. declaravam que a Mancha é muito menos larga do que o indicam os Atlas. Para eles, como para os sábios hindus de há dois mil anos, como para o bispo Berkeley no século XVIII, o Universo não passava de uma ilusão e a sua estrutura podia ser modificada pelo pensamento ativo dos iniciados.
O que para nós é possível é a existência de um puzzle mágico, de uma forte corrente luciferina a respeito da qual demos algumas indicações nos capítulos anteriores. Tudo isto pode servir para explicar um grande número de fatos horríveis, de uma forma mais realista que a dos historiadores convencionais que apenas querem ver, atrás de tantos atos cruéis e insensatos, a megalomania de um sifilítico, o sadismo de um grupo de neuróticos, a obediência servil de uma multidão de cobardes.
Imagem: A chave do segredo está em acabar com a ilusão do tempo.
universonatural.wordpress.com

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Despertar dos Mágicos (59). visto tudo ser oco neste mundo, tanto os ossos como os cabelos, os caules das plantas, etc., que os planetas também o er


Em Estalingrado não é o comunismo que triunfa sobre o fascismo, ou antes, não é só isso. Analisando de mais longe, quer dizer, com a perspectiva necessária para abarcar o sentido de tão amplos acontecimentos, é a nossa civilização humanista que faz parar o desenvolvimento de outra civilização, luciferina, mágica, não feita para o homem mas para qualquer coisa acima do homem.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

Não há diferenças essenciais entre as causas dos atos civilizadores da U.R.S.S. e dos Estados Unidos. A Europa dos séculos XVIII e XIX forneceu o motor que ainda serve. Não faz exatamente o mesmo barulho em Nova Iorque e em Moscou, e é tudo. No fundo, era de fato um mundo inteiro que estava em guerra contra a Alemanha, e não uma aliança momentânea de inimigos fundamentais. Um só mundo que acredita no progresso, na justiça, na igualdade e na ciência. Um só mundo que tem a mesma visão do cosmos, a mesma compreensão das leis universais e que reserva para o homem no Universo o mesmo lugar, nem grande nem pequeno demais. Um só mundo que acredita na razão e na realidade das coisas. Um só mundo

que devia desaparecer completamente para dar lugar a outro de que Hitler se sentia o anunciador.
É o pequeno homem do mundo livre, o habitante de Moscou, de Boston, de Limoges ou de Liège, o pequeno homem positivo, racionalista, mais moralista que religioso, desprovido do sentido metafísico, sem apetite para o fantástico, aquele que Zaratustra classifica como um homem-fingido, uma caricatura, é esse pequeno homem saído da coxa do burguês médio que irá destruir o grande exército destinado a abrir o caminho ao super-homem, ao homem-Deus, senhor dos elementos, dos climas e das estrelas. E, por um curioso capricho da justiça - ou da injustiça - é esse pequeno homem de alma tacanha que, anos mais tarde, vai lançar para o céu um satélite, e inaugurar a era interplanetária. Estalingrado e o lançamento do Sputnik são bem, como dizem os Russos, as duas vitórias decisivas, e eles aproximaram-nas uma da outra ao celebrar, em 1957, o aniversário da sua revolução Foi publicada pelos jornais uma fotografia de Goebbels. Eles acreditavam que íamos desaparecer. Era necessário que triunfássemos para criar o homem interplanetário.
A resistência desesperada, louca, catastrófica de Hitler, no momento em que, como era evidente, tudo estava perdido, só se explica pela expectativa do dilúvio descrito pelos horbigerianos. Se não fosse possível modificar a situação por processos humanos, restava a possibilidade de provocar o julgamento dos deuses. O dilúvio sobreviria, como um castigo, para a humanidade inteira. A noite ia de novo cobrir o globo e tudo ficaria sepultado por tempestades de água e granizo. Hitler, diz Speer com horror, tentava deliberadamente fazer com que tudo morresse com ele. Já não era mais que um homem para quem o fim da sua própria vida significava o fim de todas as coisas. Goebbels, nos seus últimos editais, saúda com entusiasmo os bombardeiros inimigos que destroem o seu país: Sob os destroços das nossas cidades aniquiladas estão enterradas as estúpidas realizações do século XIX. Hitler faz reinar a morte: prescreve a destruição total da Alemanha, manda executar os prisioneiros, condena o seu antigo cirurgião, manda matar o cunhado, pede a morte para os soldados vencidos, e desce ele próprio ao túmulo. Hitler e Goebbels, escreve Trevor Roper, convidaram o povo alemão a destruir as suas cidades e as suas fábricas, a fazer ir pelos ares os seus diques e as suas pontes, a sacrificar os caminhos de ferro e todo o material circulante, e tudo isto em proveito de uma lenda, em nome de um crepúsculo dos deuses. Hitler pede sangue, envia as suas últimas tropas para o sacrifício: As perdas nunca parecem bastante elevadas, diz ele. Não são os inimigos da Alemanha que ganham, são as forças universais que se preparam para destruir a Terra, punir a humanidade, porque a humanidade preferiu o gelo ao fogo, as potências da morte às potências da vida e da ressurreição.
O céu vai vingar-se. Ao morrer, resta apenas reclamar o grande dilúvio. Hitler oferece um sacrifício à água: manda inundar o metropolitano de Berlim, onde morrem 300 000 pessoas refugiadas nos subterrâneos. É um ato de magia iniciática: esse gesto provocará movimentos de apocalipse no céu e na Terra. Goebbels publica um último artigo antes de matar, no Bunker, a mulher, os filhos e de se matar a ele próprio. Intitula o seu edital de despedida: E mesmo que assim fosse. Diz que o drama não se representa à escala da terra, mas do cosmos. O nosso fim será o fim de todo o Universo.
Eles erguiam o seu pensamento demencial em direção aos espaços infinitos, e morreram num subterrâneo. Julgavam preparar o homem-deus ao qual os elementos iriam obedecer. Acreditavam no ciclo de fogo. Venceriam o gelo, tanto na Terra como no céu, e os seus soldados morriam ao deitar as calças abaixo, com o ânus congelado. Alimentavam uma visão fantástica da evolução das espécies, aguardavam formidáveis mutações. E as últimas notícias do mundo exterior foram dadas pelo guarda-mor do Jardim Zoológico de Berlim, que, empoleirado numa árvore, telefonava ao Bunker. Poderosos, esfaimados e orgulhosos, profetizavam: A grande era do mundo renasce, Os anos de ouro reaparecem.
Como uma serpente, a Terra Renova os seus fatos gastos pelo Inverno Mas há sem dúvida uma profecia mais profunda que condena os próprios profetas e os vota a uma morte mais do que trágica: caricatural. No fundo dos seus subterrâneos, ouvindo o rumor cada vez mais forte dos tanques, terminavam a sua vida arrebatada e má entre as revoltas, dores e súplicas com que termina a visão de Shelley que se intitula Hellas: Oh! esperai! O ódio e a morte deverão reaparecer? Esperai! Deverão os homens matar e morrer? Esperai! Não esgoteis até ao sedimento.
A urna de uma amarga profecia! O mundo está cansado do passado. Oh! Oxalá morra ou repouse enfim!
A Terra é oca. - Vivemos no interior. - O Sol e a Lua estão no centro da Terra. - O radar ao serviço dos magos. -Uma religião nascida na América. - O seu profeta alemão era aviador. - O anti-Einstein. - Um trabalho de louco. - A terra côncava, os satélites artificiais e os alérgicos à noção do infinito. - Uma arbitragem de Hitler. - Para além da coerência.
Estamos em Abril de 1942. A Alemanha lança todas as suas forças na guerra. Nada, segundo parece, poderia afastar os técnicos, os sábios e os militares da sua tarefa imediata. No entanto uma expedição organizada, com a concordância de Goering, Himmler e Hitler, deixa o Reich em grande segredo. Os membros dessa expedição são alguns dos melhores especialistas do radar. Sob a orientação do doutor Heinz Fisher, conhecido pelos seus trabalhos sobre os raios infravermelhos, desembarcam na ilha báltica de Rügen. Tinham-nos munido dos mais aperfeiçoados aparelhos de radar. No entanto, esses aparelhos ainda são raros nessa época e estão divididos pelos pontos nevrálgicos da defesa alemã. Mas as observações a que se vão dedicar na ilha de Rügen são consideradas, pelo alto estado-maior da marinha, capitais para a ofensiva que Hitler prepara sobre todas as frentes.
Assim que chega, o doutor Fisher manda apontar os radares para o céu, sob um ângulo de 45 graus. Aparentemente, nada há a revelar na direção escolhida. Os outros membros da expedição supõem que se trata de uma experiência. Ignoram o que esperam deles. O objetivo das investigações ser-lhes-á revelado mais tarde. Constatam, intrigados, que os radares continuam apontados durante vários dias. É então que recebem a seguinte notícia: o Führer tem bons motivos para supor que a Terra não é convexa, mas côncava. Nós não habitamos o exterior do globo, mas o interior. A nossa posição é comparável à de moscas a caminharem no interior de uma bola. O objetivo da expedição é demonstrar cientificamente essa verdade. Por reflexão de ondas de radar propagando-se em linha reta obter-se-ão imagens de pontos extremamente afastados no interior da esfera.
O segundo objetivo da expedição é obter por reflexão imagens da armada inglesa ancorada em Scapaflow.
Martin Gardner narra essa louca aventura da ilha de Rügen no seu livro In the name of Science. O próprio doutor Fisher viria a referir-se-lhe, depois da guerra. O professor Gerard S. Kuiper, do observatório do monte Palomar, consagrou, em 1946, uma série de artigos à doutrina da Terra oca que presidira a essa expedição. Escrevia ele em Popular Astronomy: Personalidades importantes da marinha alemã e da aviação acreditavam na teoria da Terra oca. Pensavam especialmente que ela seria útil para marcar a posição exata da armada inglesa, visto que a curvatura côncava da Terra permitiria observar a grande distância, por intermédio dos raios infravermelhos, menos curvos que os raios visíveis. O engenheiro Willy Ley narra os mesmos fatos no seu estudo de Maio de 1947: Pseudociências entre os Nazistas.
É extraordinário, mas autêntico: altos dignitários nazistas, peritos militares negaram pura e simplesmente o que parece uma evidência para uma criança do nosso mundo civilizado, como seja que a Terra é uma bola cheia e que nós estamos à superfície. Por cima de nós, pensa a criança, estende-se um Universo infinito, com as suas miríades de estrelas e as suas galáxias. Por baixo de nós estão os rochedos. Quer seja francesa, inglesa, americana ou russa, nesse ponto a criança está de acordo com a ciência oficial e também com as religiões e as filosofias admitidas. As nossas morais, as nossas artes, as nossas técnicas baseiam-se nessa visão que a experiência parece verificar. Se procuramos aquilo que melhor pode assegurar a unidade da civilização moderna, é na cosmogonia que o encontraremos. Sobre o essencial, quer dizer, sobre a situação do homem e da Terra no Universo, estamos todos de acordo, quer sejamos marxistas ou não. Só os nazistas não estavam de acordo.
Para os partidários da Terra oca que organizaram a famosa expedição paracientífica da ilha de Rügen, habitamos no interior de uma bola presa numa grande quantidade de rochedo que vai até ao infinito. Vivemos agarrados sobre a superfície côncava. O céu está no centro dessa bola: é uma massa de gás azulada, com pontos de luz brilhante que tomamos por estrelas. Ali só há o Sol e a Lua, mas infinitamente mais pequenos do que dizem os astrônomos ortodoxos. O Universo limita-se a isso. Estamos sós, e envolvidos por rochedos.
Vamos ver como nasceu essa visão das lendas, da intuição e da imaginação. Em 1942, uma nação comprometida numa guerra na qual a técnica é soberana pede à ciência que alimente a mística, à mística que enriqueça a técnica. O doutor Fisher, especialista do infravermelho, recebe como missão a ordem de pôr o radar ao serviço dos magos.
Quer em Paris, quer em Londres, nós temos os nossos pensadores excêntricos, os nossos descobridores de cosmogonias extravagantes, os nossos profetas de toda a espécie de fantasias.
Escrevem opúsculos, freqüentam as lojas dos velhos livreiros, cavaqueiam em Hyde Park ou na Sala de Geografia do Boulevar Saint-Germain. Na Alemanha hitleriana vemos pessoas dessa espécie mobilizar as forças da nação e a aparelhagem técnica de um exército em guerra. Vemo-las influenciar os altos estados-maiores, os chefes políticos, os sábios. É que estamos em presença de uma civilização completamente nova, baseada no desprezo pela cultura clássica e pela razão. Nessa civilização, a intuição, a mística, a inspiração poética são colocadas exatamente no mesmo plano que a investigação científica e o conhecimento racional. Quando ouço falar de cultura pego no meu revólver, diz Goering. Esta frase terrível tem dois sentidos: o literal, onde se vê Goering-Ubu partir a cabeça aos intelectuais, e um sentido mais profundo e também mais verdadeiramente prejudicial àquilo a que chamamos a cultura, onde se vê Goering atirar balas explosivas que são a cosmogonia horbigeriana, a doutrina da Terra oca ou a mística do grupo Tule.
A doutrina da Terra oca nasceu na América no princípio do século XIX. A 10 de Abril de 1818, todos os membros do Congresso dos Estados Unidos, os diretores das Universidades e alguns grandes sábios receberam a seguinte carta: São Luís, Território do Missouri, América do Norte, 10 de Abril:
Ao mundo inteiro, Declaro que a Terra é oca e habitável interiormente. Ela contém diversas esferas sólidas, concêntricas, colocadas uma dentro da outra, e é aberta no pólo de 12 a 16 graus. Com prometo-me a demonstrar a realidade do que afirmo e estou pronto a explorar o interior da Terra se o mundo aceita auxiliar-me no meu empreendimento. CLEVES SYMNES, antigo capitão de infantaria de Ohio.
Sprague de Camp e Willy Ley, na sua bela obra Do Atlântico ao Eldorado, resumem da seguinte forma a teoria e a aventura do antigo capitão de infantaria: Symnes afirmou, visto tudo ser oco neste mundo, tanto os ossos como os cabelos, os caules das plantas, etc., que os planetas também o eram e que no caso da Terra, por exemplo, podiam distinguir-se cinco esferas colocadas umas no interior das outras, todas habitáveis, tanto no interior como no exterior e todas equipadas com vastas aberturas polares pelas quais os habitantes de cada esfera podem ir de qualquer ponto do interior para outro, ou para o exterior, como uma formiga que percorresse o interior e depois o exterior de uma taça de porcelana... Symnes organizava as suas tournées de conferências como se fossem campanhas eleitorais. Quando morreu deixou montões de notas e provavelmente o pequeno modelo de madeira do globo de Symnes, que se encontra atualmente na Academia das Ciências Naturais de Filadélfia.