domingo, 22 de janeiro de 2012

As 10 mais belas teorias já inventadas


Um famoso site de comentários científicos, Edge.com, resolveu fazer um diálogo aberto com mais de 200 pesquisadores, professores e especialistas em vários campos de conhecimento, para responder qual é, ao longo da história, a explicação científica preferida de cada um. Os entrevistados poderiam fazer a escolha baseados em quão profunda, bonita ou elegante eles consideravam cada teoria.
Os resultados, que incluem respostas de cientistas notáveis em várias áreas do conhecimento, foram mais diversificados do que se poderia imaginar. Algumas das teorias são amplamente conhecidas e todo mundo sabe pelo menos o básico do que tratam. Outras, no entanto, você talvez nunca tenha ouvido falar. Confira uma lista com dez das mais interessantes explicações científicas para o universo e para o ser humano:
10 – TEORIA DA RELATIVIDADE
O produto do estudo de Albert Einstein, no início do século XX, foi resultado de duas teorias que se complementam. Uma delas, a Relatividade Geral, é derivada dos estudos de Isaac Newton e enuncia que a gravidade, a grosso modo, é resultado do fato de um corpo de grande massa alterar a curvatura do espaço-tempo. Embora vários pontos da teoria da relatividade já tenham sido revistos ao longo do último século, os cientistas reconhecem seu valor no estudo da cosmologia moderna.
9 – COMO O CÉREBRO FUNCIONA
Neurologistas ainda não conhecem exatamente os mecanismos dos gânglios da base, um grupo de núcleos cerebrais que se interconectam com a maior parte do sistema nervoso. Esta área do cérebro seria livre da influência da consciência. Por essa razão, algumas decisões do ser humano não são tomadas de maneira tão racional: os gânglios é que fazem a primeira distinção entre o que é bom ou ruim e nos fazem optar rapidamente. Tempos depois (pode ser alguns minutos ou vários anos) é que a consciência avalia de fato o que foi decidido.
8 – FENÔMENO DA EMERGÊNCIA
O conceito lógico de emergência significa, basicamente, que não existe uma estrutura complexa por natureza. Em outras palavras: qualquer sistema, por mais complicado que pareça, pode ser “desmontado” numerosas vezes até chegar a mecanismos primariamente simples. Basta analisar, por exemplo, um formigueiro: se você observa uma única formiga, a interação dela com o meio em que vive é extremamente simples. Inseridas em uma colônia, contudo, passa a ser de grande complexidade e a fazer sentido na natureza.
7 – EFEITO PLACEBO E O REFLEXO CONDICIONADO
Em 1927, o físico Ivan Pavlov demonstrou na prática uma teoria que ficaria famosa e levaria seu nome. Ela enuncia, basicamente, que o corpo humano pode ser condicionado a responder de determinada maneira aos estímulos externos que recebe, e é possível forjar uma resposta do corpo apenas com um estímulo: o chamado reflexo condicionado. Mas nem todos sabem que essa teoria se aplica ao chamado efeito placebo dos medicamentos. Existem pessoas, por exemplo, que sentem a dor de cabeça passar antes que a aspirina que ingeriram possa fazer efeito: eles apenas acreditam que a aspirina alivia a dor e o corpo reage conforme esse estímulo.
6 – SISTEMAS CEREBRAIS FORA DE SINCRONIA
Alguns neurocientistas trabalham com a ideia de que o cérebro humano opera com dois sistemas paralelos, um cognitivo e o outro emocional. A teoria da falta de sincronia afirma que a adolescência e juventude são períodos em que as pessoas são inquietas e “explosivas”, justamente porque estes dois sistemas ainda não estão funcionando em sincronia no cérebro. Esse ajuste, conforme esta ideia, só ocorre entre os vinte e os trinta anos de idade.
5 – PERSONALIDADE MOLDADA PELO ACASO
Você já se perguntou se haveria nascido um ser humano totalmente diferente em seu lugar caso você não tivesse vencido a corrida dos espermatozóides? Esta é apenas uma das variáveis de uma teoria que enuncia, basicamente, que somos produto de uma série incontável de acasos. Os genes do pai e da mãe seriam apenas a primeira variável, mas há uma série de eventos biológicos antes e depois do nascimento que podem mudar, digamos, o “curso natural” das coisas.
4 – SOMOS AQUILO QUE FAZEMOS
Uma pessoa devolve uma carteira perdida porque é honesta ou é honesta pelo fato de ter devolvido uma carteira perdida? Segundo essa teoria, ambos os enunciados estão certos: as ações têm papel decisivo em definir a pessoa que somos. Colocado em outras palavras: se você pensa em devolver uma carteira, já sabe que está querendo ser honesto. E assim, automaticamente o é. Por essa razão, podemos passar a ser aquilo que fingimos ser; basta agir como tal.
3 – COMO OS GRUPOS AMPLIAM A VISÃO INDIVIDUAL
Durante as últimas eleições dos Estados Unidos, você deve ter visto que alguns estados são amplamente pró-republicanos e outros pró-democratas, e nem sempre era fácil achar algum que estivesse “em cima do muro”. Existe uma teoria que explica o motivo disso: dentro de um agrupamento, tendemos a absorver as ideias e a visão da coletividade. E mais: nós temos uma tendência natural a procurar pessoas que pensam como nós, e tentamos nos juntar a esse grupo. Em outras palavras, o ser humano prefere se aproximar de quem concorda com ele.
2 – TEORIA DA EVOLUÇÃO
Charles Darwin foi um dos cientistas mais lembrados pela votação do Edge.com. Suas postulações sobre a seleção natural, publicadas em “A Origem das Espécies” na metade do século XIX, continuam sendo base para a maior parte dos estudos evolutivos atualmente. Cientistas afirmam que poucas teorias, na história da humanidade, conseguiram dar conta de explicar um sistema complexo como a evolução humana com enunciados tão simples.
1 – TEORIA DO BIG BANG
A astronomia segue refletindo sobre o significado da teoria do Big Bang, a explicação mais famosa para o surgimento do universo. Cientistas modernos tentam enxergar além da suposta explosão: é possível que o universo observável pelos astrônomos seja apenas uma fração daquilo que o Big Bang originou. Ou então, olhando por outro ângulo, o “nosso” Big Bang seria apenas um evento entre vários, e poderia haver outros universos definidos por outras ocorrências. [MSN]
http://hypescience.com/as-10-mais-belas-teorias-ja-inventadas/
Hypescience

sábado, 21 de janeiro de 2012

Os 10 filmes mais odiados de 2011


Quem gosta de cinema sabe que 2011 foi repleto de filmes bons… e outros nem tanto. Alguns impressionaram, enquanto vários outros levaram as pessoas para fora das salas de cinema.
Mas os gostos estão longe de ser unânimes: enquanto algumas pessoas acharam um filme extremamente agradável, outras que assistiram a mesma produção acreditam que conheceram o inferno cinematográfico.
O site Wired entrevistou seus funcionários antenados em cinema para reunir os filmes mais odiados de 2011. Bem, eles não são necessariamente os piores filmes do ano – alguns tiveram boas críticas, por exemplo. Mas essas são opiniões pessoais – críticas cinematográficas – que algumas pessoas compartilham. Você concorda com elas? Comente e diga quais foram os piores filmes do último ano na sua opinião.
1 – LANTERNA VERDE (GREEN LANTERN)
Esse filme foi tão ruim que eu quase o bloqueei completamente da minha memória. Se eu tivesse um anel que pudesse fazer com que qualquer coisa que eu sonhasse se tornasse realidade e eu estivesse lutando contra uma entidade que está destruindo o universo, eu pensaria em algumas armas malucas e criativas para a batalha, e não algo chato como uma metralhadora. Pense “fora da caixa”, homem! (Christina Bonnington)
Pior parte: O anel do poder foi dado ao estúpido personagem de Ryan Reynolds.
Parte redentora: A excelente roupa de Ryan Reynolds para o Lanterna Verde.
2 – SUPER 8
Se eu quisesse assistir a um filme sobre a magia de alienígenas e adolescentes, eu voltaria no tempo para assistir algum Spielberg de 1984. Spielberg pelo menos soube como manter seus olhos no MacGuffin (termo cinematográfico. Um MacGuffin é um objeto que não têm a menor importância para quem assiste ao filme, mas pode ser “tudo” para a personagem da trama. É usado para “esquentar” ou “distrair” histórias), enquanto o diretor de Super 8, J.J. Abrams, constrói a estrutura do enredo em torno de um não ironicamente objeto de perseguição sem sentido. (Shannon Perkins)
Pior parte: O drogado olha encantado para o rosto das pessoas da cidade enquanto o alienígena se revela.
Parte redentora: O desastre do trem é legal.
3 – A ÁRVORE DA VIDA (THE TREE OF LIFE)
Aclamado pela crítica, A Árvore da Vida tem quase três horas em que o diretor Terrence Malick sacia seus piores impulsos e tortura os espectadores para que caiam em uma ilusão autoimposta que, se o que eles estão assistindo é Malick, o filme deve ser profundo.
Malick tem crescido tão enamorado com seu próprio questionamento sobre o mundo que ele acha que pode dispensar a narrativa, e mostra três horas de reflexões filosóficas que até mesmo um estudante universitário teria apedrejado, considerando superficial depois de cinco minutos.
É uma pena que ninguém tenha lhe dito que vergonha é este filme, especialmente porque se trata de um diretor que deu ao mundo três filmes incríveis: Terra de Ninguém, Além da Linha Vermelha e Cinzas no Paraíso. (Ryan Singel)
Pior parte: Vinte minutos com música dramática que supostamente mostra o nascimento do universo, incluindo uma luta de gorilas.
Parte redentora: A comédia não intencional mostrando um dinossauro tendo misericórdia. É um momento supostamente moral, e não Jurassic Park.
4 – OS AGENTES DO DESTINO (THE ADJUSTMENT BUREAU)
Eu entendo que “baseado em uma história de Philip K. Dick” é o jeito de dizer em Hollywood “sem terceiro ato”, mas mesmo assim, depois da criação de um universo perfeitamente aceitável, onde o destino é controlado por anjos burocráticos de chapéu, o filme não poderia pelo menos ter um final? Quer dizer, algo além de “er… hum… e depois todos eles viveram felizes para sempre!” (Adam Rogers)
Pior parte: Magia e poderes a partir de chapéus?
Parte redentora: Matt Damon conseguiu vender o filme.
5 – O BESOURO VERDE (THE GREEN HORNET)
Que desperdício de talento. Michel Gondry fez o excelente Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, mas o humor pelicular do diretor francês não funcionou nesse filme inspirado em quadrinhos. O geralmente confiável Seth Rogen estrelou, produziu e coescreveu o filme, mas as piadas forçadas do filme são cansativas. (Hugh Hart)
Pior parte: Christoph Waltz faz um vilão sem sal. Saindo de sua vitória no Oscar por Bastardos Inglórios, Waltz deve ter tentado fazer algo interessante, mas parece que seu personagem nunca disse ou fez algo remotamente original.
Parte redentora: Cameron Diaz injetou uma faísca de envolvimento humano em seu personagem.
6 – CONTRA O TEMPO (SOURCE CODE)
Eu estava muito animado para ver esse filme porque eu era um grande fã de Moon (também dirigido por Duncan Jones). Mas Contra o Tempo foi bem menos do que isso. O filme ficou muito complicado e comercial. E honestamente, o que aconteceu com o pobre rapaz que Jake Gyllenhaal pegou o corpo? (Simon Lutrin)
Pior parte: Não explicaram o que aconteceu com o rapaz que Gyllenhaal pegou o corpo.
Parte redentora: Premissa aceitável, eu acredito.
7 – CHEFES INTRAGÁVEIS (HORRIBLE BOSSES)
Eu sou uma enorme fã de Charlie Day desde que assisti Always Sunny, mas percebi que daria um tiro em Chefes Intragáveis. É horrível por inúmeras razões.
Para começar, o filme sofre com uma premissa absurda: ele lança um trio de trabalhadores de classe média descontentes contra seus chefes abomináveis, e o grupo decide que a única opção que os resta para melhorar de vida é acabando com seus patrões.
Os personagens não são simpáticos o suficiente para que o espectador deseje que eles tenham sucesso, e, francamente, os patrões parecem mais interessantes do que os personagens principais. Fiquei esperando para rir nessa suposta comédia, mas acabei me sentindo estranha e desejando ter visto outra coisa. (Christina Bonnington)
Pior parte: Milhares de pessoas estão indo assistir esse filme pensando que é decente e ficam desejando ter esses 98 minutos de vida de volta.
Parte redentora: Jennifer Aniston está muito bem.
8 – TRANSFORMERS: O LADO OCULTO DA LUA (TRANSFORMERS: DARK OF THE MOON)
Como um fã do primeiro filme Transformers e crítico do segundo, eu fui ver esse filme com grandes expectativas. No entanto, após duas horas de esmagamento mental, o meu limite para explosões e diálogos inautênticos chegou ao fim. Me vi esperando que cada uma das batalhas entre robôs marcassem o fim misericordioso do filme. Após excessivos 154 minutos de explosões, a única coisa que isso me causou foi o desejo de alguns tampões de ouvido. (Michael Lennon)
Pior parte: Poderia ter terminado cerca de uma hora antes.
Parte redentora: Embora havia muitas explosões, elas foram bem feitas.
9 – O PREÇO DO AMANHÃ (IN TIME)
Eu amo filmes que me fazem refletir sobre grandes ideias. Eu também gosto de filmes de ficção científica em que bichos assassinos do espaço explodem tudo. O que eu não suporto: um filme maçante com uma premissa interessante, mas que se transforma em uma série de observações bobas. E é isso que O Preço do Amanhã faz. (Lewis Wallace)
Pior parte: Moralismo burro e trocadilhos sem parar sobre o tempo.
Parte redentora: Relógios digitais embutidos em antebraços são muito legais, mesmo que o conceito tenha sido emprestado de Fuga no Século 23.
10 – CADA UM TEM A GÊMEA QUE MERECE (JACK AND JILL)
Em amo Adam Sandler, mas sinceramente? Ele finge ser gordo e faz piadas sobre peidos… Ah não, Adam! Eu lembro de seu trabalho em Saturday Night Live, e foi pura comédia de qualidade. Eu cresci com Um Herdeiro Bobalhão e O Rei da Água, mas Cada um tem a gêmea que merece é um lixo. Além disso, Katie Holmes volta às telas com isso? Katie, demita seu agente, caso você ainda não tenha feito isso. Espero que a Colombia Pictures pague meu psiquiatra por arruinar minhas memórias de infância. (Michael Salvador)
Pior parte: Ver Adam Sandler em um terno que o deixa gordo.
Parte redentora: Eu gostei do uso das crianças no filme. Dá para rir com as coisas ridículas que essas crianças dizem na tela.[Wired]
http://hypescience.com/os-10-filmes-mais-odiados-de-2011/
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Cratera lunar gigante é revelada em fotos muito próximas


Imagens incríveis de uma cratera gigante da lua foram capturadas recentemente por um satélite da NASA.
Em novembro de 2011, a espaçonave LRO passou por cima da cratera Aristarchus, que se estende por 40 quilômetros e tem mais de 3,5 quilômetros de profundidade, mas as fotos só foram liberadas em 25 de dezembro.
A enorme cratera, que é também muito refletora, é facilmente visível a olho nu. Mas os detalhes revelados nas fotos são especiais, decorrentes de um voo muito baixo da LRO.
“A espaçonave estava apenas 26 quilômetros acima da superfície da lua, o que é duas vezes mais baixo do que o normal”, afirma Mark Robinson, principal responsável pela nave. “Para você ter um senso de escala, essa altitude é apenas duas vezes maior do que os jatos comerciais voam na Terra”.
Os cientistas pensam que a cratera se formou recentemente, em termos geológicos, quando um cometa ou asteroide bateu na lua, cavando um buraco na superfície.
A NASA lançou a LRO em 2009, em uma missão de mais de um bilhão de reais, para mapear a lua com detalhes nunca vistos antes. A espaçonave carrega sete instrumentos para estudar a superfície do satélite. [Space]
http://hypescience.com/cratera-lunar-gigante-e-revelada-em-fotos-muito-proximas/
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mulheres francesas vivem em caverna para escapar de radiação eletromagnética


Com certeza você já leu ou ouviu em algum lugar que a radiação eletromagnética a partir de telefones celulares e outros dispositivos são prejudiciais aos seres humanos – algumas reportagens arriscam dizer que podem causar câncer.

Se você não acredita que isso é possível, conheça a história de duas mulheres francesas que estão vivendo em uma caverna para fugir desses raios “do mal”.

Anne Cautain e Bernadette Touloumond sofrem de reações de hipersensibilidade a radiações eletromagnéticas. Afirmam ser eletrossensíveis.

Os sintomas incluem dores de cabeça insuportáveis e uma queimação terrível, tanto que elas não conseguem viver no mundo “normal”.

Depois de tentar várias outras opções, uma caverna tornou-se a melhor opção para elas viverem. A caverna está localizada fora da cidade de Beaumugne, à beira do planalto Vercors, na França.

Para obter acesso à área, uma pequena escada precisou ser redimensionada e agarrada a uma corda. Uma placa “Celulares Proibidos” é exibida na encosta.

Anne diz que não pode estar perto de qualquer tipo de ondas eletromagnéticas, que podem ser de Wi-Fi, telefones celulares ou fios de alta tensão. Ela foi a primeira a se estabelecer na caverna , e agora faz 3 anos que está lá.

Ela se tornou alérgica à radiação em janeiro de 2009, quando Wi-Fi foi instalado na universidade onde trabalhava. Ela então começou a procurar por zonas sem essa radiação.

Por um tempo, Anne passou a noite dormindo em seu carro em um estacionamento suburbano. Logo, a radiação se espalhou para lá também. A caverna foi a única opção que lhe restou.

Bernadette se juntou a ela um pouco mais tarde. Elas recebem outros visitantes de tempos em tempos que vêm lá pela mesma razão, para escapar da radiação da qual seus corpos são alérgicos.

Embora a vida seja melhor para elas na caverna, as mulheres ainda não têm acesso ao ar livre ou à luz solar, coisas que mais sentem falta.

No interior das cavernas, elas têm algumas tábuas no chão para ajudá-las a manter seus pés secos.
Lonas de plástico no teto mantêm a umidade longe. Elas têm camas e uma mesa com algumas velas. Não há calor ou eletricidade. As mulheres cultivam seu próprio alimento orgânico fora de suas cavernas – maçãs, peras e abobrinhas.

Muitas pessoas pensam que elas são loucas. As mulheres já perderam alguns amigos e família por causa da condição.

A doença, no entanto, é muito pior do que você pode imaginar. Hipersensibilidade eletromagnética, ou EHS, agora é aceita como doença legítima. No entanto, o número de pessoas que sofrem com a condição é muito pequeno.

Anne diz que não adora seu estilo de vida. “Mas não tenho escolha. Em qualquer outro lugar, é um inferno”, explica. [OddityCentral]

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A ciência está certa sobre a incerteza quântica?


Em 1927, o físico alemão Werner Heisenberg anunciava seu princípio da incerteza. Essa postulação diz, basicamente, que não é possível medir todas as propriedades de uma partícula quântica (seja uma molécula, um átomo ou partícula subatômica) com precisão absoluta, porque a medição da primeira propriedade causa uma perturbação na partícula e compromete a medição das outras. Mas uma equipe de cientistas da Universidade Tecnológica de Viena (Áustria) propõe que esse princípio não funciona exatamente assim.
A equipe de pesquisadores austríacos é liderada por um cientista japonês, Yuji Hasegawa. O princípio básico dessa nova ideia, de acordo com ele, é que a interferência que acontece na medição das propriedades de uma partícula quântica não significa que haja necessariamente incerteza, ou pelo menos não da maneira que Heisenberg imaginava.
Vamos a um exemplo prático. Em sua época, o cientista alemão usava um experimento baseado em raios luminosos para medir a posição de um elétron em determinado instante. Mas para essa medição dar certo, é preciso lançar sobre o elétron uma pequena onda, que cause uma perturbação no seu estado natural. Essa perturbação altera o momento linear (o produto entre massa e velocidade da partícula) original do elétron.
Por isso, seria impossível medir, ao mesmo tempo, a posição e o momento linear do elétron, só se poderia medir um ou o outro.
Heisenberg acreditava que essa condição se aplicava apenas à mecânica quântica, mas os pesquisadores de Viena explicam que a incerteza também se observa em outros campos da física. Além disso, não se trata de um problema de medição: as partículas quânticas são incertas naturalmente. Em outras palavras, não daria mesmo para medir a posição e o momento linear de um elétron porque nem ele mesmo “sabe” onde está indo; não existe uma regularidade a ser mensurada.
Logo, os princípios precisam ser refeitos sobre essas duas variáveis: de um lado, a dificuldade de medição já identificada pelo princípio de Heisenberg. De outro, a “incerteza natural” de uma partícula quântica, que independe da dificuldade de medição. Para isso, usa-se as noções do “spin quântico”, que seria algo como as “coordenadas” de uma partícula quântica levando em conta sua natureza de movimento.
E foi isso que fizeram os pesquisadores de Viena: para fugir da medição clássica entre posição e momento linear, mediram o spin (giro) de um nêutron em dois experimentos consecutivos, e os números que foram aparecendo puderam dar uma visão mais abrangente do movimento da partícula. Dessa maneira, concluíram que existe de fato a incerteza no movimento das partículas quânticas. Mas isso não acontece porque as medições não podem dar conta, e sim pela própria natureza das partículas. [ScienceDaily]
http://hypescience.com/a-ciencia-esta-certa-sobre-a-incerteza-quantica/
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O Despertar dos Mágicos (71). Bodhidarma, fundador do budismo Zen, quando um dia estava em meditação


Ou seja uma inteligência analógica, ou a inspiração mística, ou o estado de contemplação absoluta. Assim, a idéia de Eternidade, a idéia de Transfinito, a idéia de Deus, etc., são talvez modelos estabelecidos por nós e destinados, noutro domínio da nossa inteligência, num domínio habitualmente adormecido, a dar as respostas em vista das quais nós as elaboramos.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

O que é preciso ver bem é que a idéia mais sublime é talvez o equivalente do desenho do bisão para o feiticeiro pré-histórico. Trata-se de uma maquete. Em seguida será necessário que as máquinas analógicas comecem a funcionar sobre esse modelo na zona secreta do cérebro. O feiticeiro passa, por transes, para a realidade do mundo bisão, descobre-lhe todos os aspectos de uma só vez e pode anunciar o lugar e a hora da próxima caçada. Isto é a magia no estado mais inferior. No estado superior, omodelo não é um desenho ou uma estatueta, nem sequer um símbolo. É uma idéia, é o produto mais perfeito da mais perfeita inteligência possível. Essa idéia só foi concebida em vista de outra etapa da investigação: a etapa analógica, segundo tempo de toda a investigação operacional.
O que nos parece é que a mais alta, a mais fervorosa atividade do espírito humano consiste em estabelecer modelos destinados a outra atividade do espírito, poucoconhecida e difícil de pôr em atividade. É neste sentido que se pode dizer: tudo é símbolo, tudo é signo, tudo é evocação de outra realidade. Isto abre-nos portas sobre o possível e infinito poder do homem. Isto não nos dá a chave de todas as coisas, contrariamente ao que crêem os simbologistas.
Da idéia de Trindade, da idéia do transfinido, à estatueta cravada de alfinetes do mago aldeão, passando pela cruz, a suástica, o vitral, a catedral, a Virgem Maria, os seres matemáticos, os números, etc., tudo é modelo, maquete de qualquer coisa que existe num universo diferente daquele onde essa maquete foi concebida. Mas as maquetes não são intercambiáveis: um modelo matemático de barragem fornecido ao computador eletrônico não é comparável a um modelo de foguetão supersônico. Nem tudo está em tudo. A espiral não está na cruz. A imagem do bisão não está na fotografia sobre a qualo médium se exercita, o ponto Ômega do P.e Teilhard não está no Inferno de Dante, o menir não está na catedral, os números de Cantor não estão nos números do Apocalipse. Se existem maquetes de tudo, nem todas as maquetes são como mesas gigognes, e não formam um todo desmontável que revele o segredo do Universo.
(Table gigognes mesa contendo uma série de mesas que entram umas nas outras) Se os modelos mais poderosos fornecidos à inteligência em estado de vigília superior são os modelos sem dimensão, quer dizer, as idéias, é preciso abandonar a esperança de encontrar a maquete do Universo na Grande Pirâmide ou sobre o pórtico de Notre-Dame. Se existe uma maquete do Universo inteiro, ela só poderia existir no cérebro humano, no cume extremo da mais sublime das inteligências. Mas não teria o Universo mais recursos do que o homem? Se o homem é um infinito, não seria o Universo o infinito mais qualquer coisa?
No entanto, descobrir que tudo é maquete, modelo, signo, símbolo, leva a descobrir uma chave. Não aquela que abre a porta do mistério insondável, e que aliás não existe, ou está ainda nas mãos de Deus. A chave, não de uma certeza, mas de uma atitude. Trata-se de fazer funcionar a inteligência diferente à qual essas maquetes são propostas. Trata-se portanto de passar do estado de vigília vulgar para o estado de vigília superior.
O estado desperto. Nem tudo está em tudo. Mas a vigília é tudo.
A NOÇÃO DO ESTADO DE VIGÍLIA
À maneira dos teólogos, dos sábios, dos magos e das crianças. - Cumprimentos a um especialista em suscitar obstáculos. - O conflito espiritualismo-materialismo, ou uma história de alergia. - A lenda do chá. - E se se tratasse de uma faculdade natural? - O pensamento como forma de caminhar e de sobrevoar. - Um suplemento aos direitos do homem. - Divagações sobre o homem desperto. - Nós, honestos bárbaros. . .
Consagrei um grande volume à descrição de uma sociedade de intelectuais que procurava alcançar, sob a orientação do taumaturgo Gurdjieff, o estado de vigília. Continuo a achar que é uma das pesquisas mais importantes. Gurdjieff dizia que o espírito moderno, nascido numa estrumeira, regressaria à estrumeira, e aconselhava odesprezo pelo século. É que de fato o espírito moderno nasceu do esquecimento, da ignorância da necessidade de uma tal procura. Mas Gurdjieff, homem de idade, confundia o espírito moderno com o cartesianismo crispado do século XIX. Para o verdadeiro espírito moderno, o cartesianismo já não é panacéia, e a própria natureza da inteligência deve ser reconsiderada.
De forma que, pelo contrário, a extrema modernidade pode levar os homens a meditar com vantagem sobre a possível existência de outro estado de consciência: de um estado de consciência desperta. Neste sentido, os matemáticos e os físicos de hoje dão as mãos aos místicos de ontem. O desprezo de Gurdjieff, como o de René Guénon, outro defensor, mas puramente teórico, do estado de vigília, não convém à época. E eu suponho que se Gurdjieff tivesse sido completamente esclarecido, não se teria enganado na época. Para uma inteligência que sente absoluta necessidade de uma transmutação, o nosso tempo não deve suscitar o desprezo, mas sim o amor.
Até agora foi em termos religiosos, esotéricos ou poéticos que o estado de vigília foi evocado. A incontestável vantagem de Gurdjieff foi mostrar que podia haver uma psicologia e uma fisiologia desse estado. Mas empregava de propósito uma linguagem obscura e encerrava os seus discípulos num verdadeiro claustro intelectual. Vamos tentar falar como homens da segunda metade do século XX, com os processos do exterior. A respeito de tal assunto faremos, evidentemente, aos olhos dos especialistas, figura de bárbaros. E a verdade é que nós somos um pouco bárbaros! Sentimos, no mundo de hoje, que se prepara uma alma nova para uma nova idade da Terra. A nossa forma de abordar a provável existência de um estado de vigília não será nem completamente religiosa, nem completamente esotérica, ou poética, nem completamente científica. Será um pouco de tudo isto simultaneamente, e trairá um pouco, aparentemente, todas as disciplinas. É isto o Renascimento: uma panela de água a ferver, onde mergulham, misturados, os métodos dos teólogos, dos sábios, dos mágicos e das crianças.
Numa manhã de Agosto de 1957 houve grande afluência de jornalistas à partida de umnavio que saía de Londres a caminho das Índias. Um senhor e uma senhora, de cerca de cinqüenta anos e de aspecto insignificante, tinham embarcado. Era o grande biólogo
J. B. S. Haldane, que, acompanhado de sua mulher, deixava para sempre a Inglaterra.
Estou farto deste país, e de uma quantidade de coisas deste país, dizia ele com suavidade. Especialmente do americanismo que nos invade. Vou procurar idéias novas e trabalhar em liberdade num país novo.
Assim começava uma nova etapa na carreira de um dos homens mais extraordinários da época. J. B. S. Haldane defendera Madrid, de espingarda na mão, contra os franquistas. Aderira ao partido comunista inglês, mas rasgara o seu cartão após o casoLysenko. E, agora, ia procurar a verdade nas Índias. Durante trinta anos, o seu humor negro fora inquietante. Respondera ao questionário de um jornal a respeito da decapitação do rei Carlos I de Inglaterra, que reacendera grandes controvérsias: Se Carlos I fosse um gerânio, ambas as partes teriam sobrevivido.
Depois de pronunciar um violento discurso no Clube dos Ateístas, recebera uma carta de um católico inglês que lhe assegurava que Sua Santidade o Papa não estava de acordo. Adaptando imediatamente essa respeitosa fórmula, escrevera ao ministro da Guerra: Vossa Ferocidade, ao ministro do Ar: Vossa Velocidade e ao presidente da liga racionalista: Vossa Impiedade. Nessa manhã de Agosto, os seus camaradas da esquerda também não deviam estar descontentes com a sua partida. Pois, embora defendesse a biologia marxista, Haldane nem por isso deixava de reclamar o alargamento do campo de prospecção da ciência, o direito à observação dos fenômenos não de acordo com o espírito racional. Respondia-lhes, com uma tranqüila insolência: Estudo o que é realmente esquisito em químico-física, mas não desprezo nada nos outros domínios.
Insistira há muito tempo para que a ciência estudasse sistematicamente a noção de vigília mística. Desde 1930, nos seus livros A Desigualdade do Homem e Os Mundos Possíveis, a despeito da sua posição de sábio oficial, declarara que o Universo era talvez mais estranho do que se supunha, e que os testemunhos poéticos ou religiosos sobre um estado de consciência superior ao estado de vigília vulgar deviam ser objeto de uma investigação científica.
Tal homem devia fatalmente embarcar um dia para a Índia, e não seria de admirar que os seus trabalhos futuros versassem sobre assuntos como Eletroencefalografia e Misticismo ou Quarto estado da consciência e metabolismo do gás carbônico. São coisas possíveis da parte de um homem cuja obra inclui já um Estudo das aplicações do espaço de dezoito dimensões aos problemas essenciais da genética.
A nossa psicologia oficial admite dois estados de consciência: sono e vigília. Mas, das origens da humanidade aos nossos dias, abundam os testemunhos sobre a existência de estados de consciência superiores ao estado de vigília. Haldane foi possivelmente o primeiro sábio moderno a examinar objetivamente esta noção de superconsciência.
Estava dentro da lógica da nossa época de transição que esse homem aparecesse, tanto aos seus inimigos espiritualistas como aos seus amigos materialistas, como um especialista em suscitar obstáculos.
Da mesma forma que Haldane, devemos manter-nos completamente estranhos ao velho debate entre espiritualistas e materialistas. Esta é a atitude verdadeiramente moderna. Não colocarmo-nos acima do debate. Não existe acima nem abaixo: não tem volume nem sentido.
Os espiritualistas acreditam na possibilidade de um estado superior de consciência. Vêem nisso um atributo da alma imortal. Os materialistas protestam mal se lhes oferece ocasião, e agitam o nome de Descartes. Nem uns nem outros vão analisar de perto, com espírito isento de preconceitos. Ora deve haver outra forma de considerar o problema. Uma forma realista, no sentido que nós damos ao termo: um realismo integral, quer dizer, que tem em conta os aspectos fantásticos da realidade. Aliás poderia dar-se o caso de que este velho debate apenas aparentemente tivesse qualquer parcela de filosófico. Pode ser que não seja mais do que uma disputa entre pessoas que, funcionalmente, reagem de maneira diferente em relação a um fenômeno natural. Qualquer coisa como uma discussão caseira entre o senhor que gosta do vento e a senhora que o detesta.
O embate de dois tipos humanos: no interior, nada susceptível de provocar luz. Se assim fosse realmente, quanto tempo perdido em controvérsias abstratas, e como teríamos razão em nos afastar do debate para abordar, com espírito selvagem, a questão do estado de vigília!
Vejamos a hipótese:
A passagem do sono para a vigília produz um certo número de modificações no organismo. Por exemplo, a tensão arterial muda, o influxo nervoso modifica-se. Se existe, como pensamos, digamos um estado de supervigília, um estado de consciência superior, a passagem também deve ser acompanhada de diversas transformações.
Ora sabemos todos que, para certos homens, o fato de emergir do sono é doloroso ou pelo menos violentamente desagradável. A medicina moderna apercebe-se do fenômeno e distingue dois tipos humanos a partir da reação ao despertar. O que é o estado de superconsciência, de consciência realmente desperta? Os homens que fizeram a experiência descrevem-no, no regresso, com dificuldade. Em parte, a linguagem não chega para o descrever. Sabemos que pode ser atingido voluntariamente. Todos os exercícios dos místicos convergem para esse objetivo. Sabemos igualmente que é possível – como o diz Vivekananda - que um homem que desconhece essa ciência (a ciência dos exercícios místicos) atinja por acaso esse estado. A literatura poética do Mundo inteiro está cheia de testemunhos a respeito de bruscas inspirações. E quantos homens, que não são nem poetas nem místicos, se sentiram, por uma fração de segundo, prestes a atingir esse estado?
Comparemos esse estado singular, excepcional, a outro estado excepcional. Os médicos e os psicólogos começam a estudar a pedido do exército, o comportamento do ser humano na queda que anula a gravidade terrestre. Para além de certo grau de aceleração a gravidade é abolida. O passageiro do avião experimental lançado num vôo picado flutua durante alguns segundos. Verifica-se que, para certos passageiros, essa queda é acompanhada de uma extrema sensação de felicidade. Para outros, de extrema angústia, de horror.
Pois bem, pode ser que a passagem - ou a tentativa de passagem - entre o estado de vigília vulgar e o estado de consciência superior (iluminativa, mágica) provoque certas modificações subtis no organismo, desagradáveis para certos homens e agradáveis para outros. O estudo de uma fisiologia ligada aos estados de consciência é ainda embrionário. Começa agora a fazer alguns progressos com a hibernação. A psicologia do estado superior de consciência não chamou ainda a atenção dos sábios, salvo certas exceções.
Se refletirmos na nossa hipótese, compreender-se-á a existência de um tipo humano racionalista, positivista, agressivo por autodefesa desde que se trate, em literatura, em filosofia ou em ciência, de sair do domínio onde se exerce a consciência no seu estado vulgar. E compreende-se a existência do tipo espiritualista, para quem qualquer alusão à possibilidade de exceder a razão evoca um paraíso perdido. Encontrar-se-ia, na base de uma imensa discussão escolástica, o humilde: gosto, ou não gosto. Mas o que é que, em nós, gosta ou não gosta? Em verdade, nunca é Eu: isto gosta, ou aquilo não gosta, em mim, e nada mais. Afastemo-nos portanto o mais possível do problema espiritualismo-materialismo, que talvez não seja mais que um verdadeiro problema de alergias. O essencial é saber se o homem possui, nas suas regiões inexploradas, instrumentos superiores, enormes amplificadores da sua inteligência, e equipamento completo para conquistar e compreender o Universo, para se conquistar e se compreender a si próprio, para assumir a totalidade do seu destino.
Bodhidarma, fundador do budismo Zen, quando um dia estava em meditação, adormeceu (quer dizer que se deixou cair, por inadvertência, no estado de consciência habitual à maior parte dos homens). Essa falta pareceu-lhe tão horrível que cortou as pálpebras. Estas, segundo diz a lenda, caíram no solo, dando imediatamente lugar ao nascimento do primeiro pé de chá. O chá, que protege contra o sono, é a flor que simboliza o desejo dos sábios de se manter em vigília, e é por isso que se diz o gosto do chá e o gosto do Zen são semelhantes. Esta noção do estado de vigília parece tão velha como a humanidade. É a chave dos mais antigos textos religiosos, e é possível que o homem pré-histórico já tivesse procurado atingir esse terceiro estado. O método de datar com o radiocarbono permitiu constatar que os índios do sudoeste do México, há mais de dez mil anos, absorviam certos cogumelos para provocar a hiperlucidez. Trata-se sempre de mandar abrir o terceiro olho, de ultrapassar o estado de consciência vulgar onde tudo é apenas ilusão, prolongamento dos sonhos do profundo sono. Desperta, dorminhoco, desperta! Dos Evangelhos aos contos de fadas é sempre a mesma admoestação.
Os homens procuraram esse estado de vigília em toda a espécie de ritos, pelas danças, os cantos, pela maceração, o jejum, a tortura física, as drogas diversas, etc. Quando o homem moderno se tiver apercebido da importância do que está em jogo - o que não tardará -, outros meios serão sem dúvida encontrados. O sábio americano J. B. Olds prevê uma estimulação eletrônica do cérebro. O astrônomo inglês Fred Hoyle propõe a observação de imagens luminosas sobre um écran de televisão. Já H. G. Wells, no seu belo livro Na Época do Cometa, imaginava que devido à colisão com um cometa a atmosfera da Terra ficaria cheia de um gás que provocaria a hiperlucidez. Os homens então transpunham finalmente a fronteira que separa a verdade da ilusão. Despertavam para as verdadeiras realidades. De chofre, todos os problemas, práticos, morais e espirituais, se achavam resolvidos.
Imagem: Bodhiharma - fundador da filosofia Chan budismo (ou Zen budismo em japonês)
kungfumentecorpoealma.blogspot.com

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Combustão humana espontânea é um fenômeno real?



Será que as pessoas podem de repente e inexplicavelmente explodir em uma bola de fogo – fenômeno conhecido como combustão espontânea? Isso parece coisa de filme de terror, mas algumas pessoas acreditam que isso realmente pode acontecer.
- 7 casos incríveis de combustão humana espontânea
O investigador irlandês Ciaran McLoughlin acredita nisso – foi essa a conclusão que ele chegou sobre a morte de Michael Faherty, um irlandês de 76 anos de idade que queimou até a morte em sua casa, em dezembro de 2010. Havia marcas de queimaduras acima e abaixo de seu corpo, mas nenhuma evidência de gasolina, querosene ou outros produtos do gênero.
“Este fogo foi exaustivamente investigado e eu cheguei à conclusão de que isso se encaixa na categoria de combustão humana espontânea, que ainda não tem explicação adequada”, relatou McLoughlin.
Os incêndios não começam por conta própria. Quando investigadores estão procurando a causa dos incêndios florestais não acham que a chama acendeu-se do nada, mas sim que ela foi provavelmente causada por uma pessoa descuidada ou por um relâmpago. Embora seja raro, são conhecidas ocorrências de combustão espontânea. Sob as circunstâncias corretas, muitas coisas podem se auto-inflamar em um dia quente, incluindo trapos usados contendo óleo ou gasolina. Poeira de carvão também pode se inflamar espontaneamente – um dos muitos perigos que os mineiros enfrentam.
Mas a alegação de que as pessoas podem explodir em chamas de repente, sem motivo aparente, é uma questão totalmente diferente. O caso mais conhecido de combustão humana espontânea (CHE) é realmente de ficção: em 1853, um personagem do romance “Casa Abandonada”, de Charles Dicken, pega fogo. O fenômeno também apareceu em filmes e em programas de TV como “The X-Files”. Mas há alguma confirmação de um caso assim na vida real?
É aí que as coisas ficam complicadas. Embora alguns especialistas sugiram que existem centenas (ou milhares) de casos de combustão humana espontânea ao longo da história, apenas cerca de meia dúzia foram investigados em detalhes. O pesquisador Joe Nickell examinou vários desses casos “inexplicáveis” em seu livro “Real Life-X-Files” e descobriu que todos eles eram muito menos misteriosos do que o que é sugerido. A maioria das vítimas era, como o irlândes Faherty, idosas, moravam sozinhas e tinham objetos inflamáveis por perto (cigarros, velas, etc) quando morreram. Várias foram vistas pela última vez consumindo álcool ou fumando.
Se a pessoa está dormindo, embriagada, inconsciente, muito fraca, ou incapaz de se mover e apagar as chamas, as suas roupas podem agir como um pavio, e a gordura do corpo – inflamável e muito perto da superfície da pele – alimenta o fogo.
Os incêndios são notoriamente instáveis, às vezes as chamas se espalham para outros lugares, outras vezes não. Às vezes, incêndios consomem todo o corpo, outras vezes não. Tudo depende das circunstâncias específicas de cada caso.
Nickell também joga um balde de água fria na ideia de que corpos só podem ser consumidos pelo fogo em temperaturas muito mais altas do que as chamas comuns poderiam oferecer. Ele afirma que experiências mostram que a gordura humana pode chegar a uma temperatura de cerca de 250 graus Celsius quando queimada.
O caso de Michael Faherty pode não ser tão misterioso quanto parece. Afinal, havia uma lareira perto de seu corpo queimado. É provável que uma faísca ou brasa possa ter lançado fogo em suas roupas, deixando elas em chamas. Mas o fato ainda não está claro porque o investigador excluiu a possibilidade da explicação ter vindo de fora.
Se a combustão humana espontânea é um fenômeno real – e não o resultado de uma pessoa idosa ou doente perto de uma fonte de chamas – por que não acontece com mais frequência? Há 7 bilhões de pessoas no mundo, e ainda não conhecemos relatos de pessoas que explodiram em chamas enquanto caminhavam pela rua, assistiam jogos de futebol ou bebiam um café em uma lanchonete.
Se a combustão humana é um fenômeno raro e real, estatisticamente devíamos ver muito mais casos disso. Quando acontece um suposto caso de CHE, ainda é necessário um conjunto muito específico de circunstâncias – que geralmente sugerem uma explicação mais lógica. [Life's Little Mysteries]
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Eventos estranhos da natureza em números



O ano novo passou sem muitas notícias de catástrofes. Entretanto, residentes de uma pequena cidade nos Estados Unidos sentiram que mãe natureza estava enviando alguns sinais do apocalipse.
A cidade de Beebe, no Arkansas, abriga cerca de 1.5 milhões de pássaros melros de asas vermelhas, espécie conhecida por viver em grandes conjuntos. Na noite do ano novo, milhares desses pássaros caíram do céu.
Nos dias seguintes, a cidade foi invadida por especialistas ambientais e jornalistas, que tentavam entender o que havia acontecido. Após examinar o corpo dos animais, cientistas descobriram que eles haviam morrido por traumas, sugerindo que seus voos noturnos foram bagunçados por barulhos de fogos de artifício.
Sem uma boa visão noturna, essa espécie colidiu com os prédios da cidade.
Apesar de esses fenômenos naturais serem geralmente explicados pela ciência, eles continuam a nos intrigar. Aqui vão alguns números desses estranhos eventos da natureza.
MORDEDOR DE LÍNGUA
A Cymothoa exigua é uma das 382 espécies de “piolho” conhecidas por se grudar na língua dos peixes após entrar pelas guelras. Uma vez lá, os parasitas se alimentam do peixe, comendo sua carne e se alimentando do suprimento sanguíneo.
Os parasitas adultos podem atingir até quatro centímetros, e são mais comuns na costa da Califórnia. Eles não apresentam perigo aos humanos, mas um deles vivo pode dar uma boa beliscada com suas garras, também usadas para grudar na língua do peixe.
SAPOS EXPLOSIVOS
Mais de mil sapos mortos foram encontrados em Altona, na Alemanha, durante poucos dias na primavera de 2005. O ponto de cruzamento dos animais foi apelidado de “lagoa da morte”, para explicar o estranho cenário.
Investigações revelaram que os anfíbios mortos tinham machucados nas costas e o fígado havia sido removido.
Especialistas deduziram que corvos estavam fazendo “cirurgias” para remover o nutritivo órgão sem ingerir a pele venenosa do sapo. Os espertos pássaros atacaram enquanto as vítimas copulavam.
Como defesa natural, os sapos incharam 3.5 vezes mais do que o tamanho normal, mas sem o fígado para impedir os pulmões de continuar expandindo, eles explodiram. O resultado foi entranhas de sapo espalhadas até um metro de distância.
ÁRVORES VERMELHAS
Dezenas de milhões de joaninhas infestaram uma pequena cidade do Colorado, deixando as árvores pintadas de vermelho, em 2009. Foi um ano de excesso de comida para os insetos, devido a condições climáticas anormais.
As joaninhas ficaram nas árvores para encontrar parceiros, e logo se dispersaram após conseguir o que queriam.
CENÁRIO CONGELADO
Em 2011, cientistas que estavam rastreando bois-almiscarados no Alaska, ficarem perplexos ao notar seus 55 objetos de observação congelados. Os animais vivem no Ártico com duas camadas de pelo e podendo pesar mais de meia tonelada.
Mas essas adaptações foram inúteis quando uma tempestade no mar rachou o gelo superficial, levando os animais a cair na água. Com temperaturas de até -30 graus Celsius na superfície, o gado rapidamente congelou.
PROPORÇÕES BÍBLICAS
No ano passado, bilhões de gafanhotos invadiram uma área australiana maior do que 500 mil quilômetros quadrados. De acordo com a Comissão Australiana de Pragas de Gafanhotos, o nível chegou a 10 insetos por metro quadrado.
Os animais famintos devoraram plantações inteiras, formando a maior praga em trinta anos. Especialistas culparam as enchentes como um catalisador da explosão populacional, já que os ovos dos gafanhotos precisam de condições úmidas para se desenvolver.
Uma vez chocados, os gafanhotos levaram de 6 a 8 semanas para se desenvolver em adultos. E eles vivem até 10 meses, aterrorizando os fazendeiros e gerando um custo estimado de 3,8 bilhões de reais.
TRAGÉDIA NO MAR
Os corpos de oito mil pássaros marítimos se espalharam por mais de 500 quilômetros da costa norte americana, em 2009. Especialistas temiam um vazamento de óleo, mas os pássaros morreram de algum tipo de morte natural.
Um acidente similar aconteceu em 2007, na Califórnia, quando 600 pássaros foram dados como mortos devido a uma “maré vermelha”.
As algas dessa maré produzem uma espuma que não é tóxica, mas acaba matando os pássaros ao grudar em suas penas, arruinando sua proteção e causando hipotermia.
Graças a investigações anteriores, muitos dos pássaros do evento em 2009 puderem ser salvos. [BBC]
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Alerta: Buraco coronal imenso aparece na superfície do Sol


15.01.2012 – Se houver uma tempestade geomagnética de grandes proporções, tudo que utiliza energia elétrica será destruído… Desde satélites até eletrodomésticos…

O Observatório Dinâmico Solar da NASA, está monitorando um “corte escuro na atmosfera do Sol”, um buraco coronal imenso. A mancha escura pode ser observada na imagem em Ultra Violeta capturada em 13 janeiro de 2012.

Buracos coronais são lugares onde o campo magnético do Sol se abre e permite que o vento solar escape. Este buraco tem cerca de 120.000 km de largura e mais de um milhão de quilômetros de comprimento. O vento solar flui da abertura, desde abismo escuro da coroa solar e irá atingir a Terra em 16 ou 17 de janeiro de 2012, possivelmente provocando auroras para os observadores de alta latitude-céu.

Estes rasgos na supercície do Sol podem contribuir para a ocorrência de grandes explosões solares e CMEs (Ejeções de Massa Coronal) significativas. O buraco coronal esta de frente para a Terra. Os ventos solares têm tendencia a aumentar sua velocidade nestas condições.

Fonte: Spaceweather.com e http://celiosiqueira.blogspot.com/2012/01/alerta-buraco-coronal-imenso-aparece-na.html
Texto e adaptação de tradução de termos técnicos: Gério Ganimedes

FIMDOS TEMPOS.NET

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Despertar dos Mágicos (70). Quando Teilhard de Chardin chega a atingir o ponto Ômega,


Apenas a moderna linguagem matemática pode, provavelmente, traduzir certos resultados do pensamento analógico. Existem, na física matemática, domínios do algures absoluto e de contínuos de medida nula, quer dizer, medidas de universos inconcebíveis e no entanto reais.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

É natural que nos interroguemos a nós próprios para saber por que motivo os poetas ainda não foram ouvir junto dessa ciência o canto das realidades fantásticas, a não ser por receio de terem de reconhecer esta evidência: que a arte mágica vive e progride para além dos seus gabinetes. Esta linguagem matemática a testemunhar a existência de um universo que escapa à consciência normalmente lúcida é a única em atividade, em constante progresso.
Os seres matemáticos, quer dizer, as expressões, os signos que simbolizam a vida e as leis do mundo invisível, do mundo impensável, desenvolvem, fecundam outros seres. Para falar com propriedade, esta linguagem é a verdadeira língua verde do nosso tempo.
Sim, a língua verde, a gíria no sentido original dessas palavras ', no sentido que se lhes dava na Idade Média (e não no sentido insípido que hoje lhe atribuem certos literatos que se julgam audaciosos), eis que a encontramos na ciência de vanguarda, na física matemática que é, se analisarmos bem, um desregramento da inteligência aceite, uma ruptura, uma visão.
O que é a arte gótica, à qual devemos as catedrais? Baseando-se na similitude fonética entre argot (gíria) e art goth (arte dos godos), bem como entre argotique (de gíria) e art gotháque (arte gótica, arte dos godos), Fulcanelli escrevia 2: Para nós a arte gótica não passa de uma deformação ortográfica da palavra argotáque, de acordo com a lei fonética que rege, em todas as línguas, sem dar a menor atenção à ortografia, a cabala tradicional. A catedral é uma obra de art got ou de argot.
E o que é a catedral de hoje, a que ensina aos homens as estruturas da Criação, senão a equação, que substituiu a rosácea? Libertemo-nos das fidelidades inúteis ao passado, a fim de melhor nos ligarmos a ele. Não procuremos a catedral moderna no monumento de vidro e betão encimado de uma cruz. A catedral da Idade Média era o livro dos mistérios dado aos homens do passado. O livro dos mistérios, hoje, são os físicos matemáticos que o escrevem, com seres matemáticos, encaixados como rosáceas nas construções que se chamam foguetões interplanetários, fábrica atômica, ciclotron. Eis a verdadeira continuidade, eis o verdadeiro fio da tradição.
Os argotáers da Idade Média, filhos espirituais dos Argonautas que conheciam o caminho do jardim das Hespérides, escreviam na pedra a sua mensagem hermética. Signos incompreensíveis para os homens nos quais a consciência não sofreu transformações, nem o cérebro sofreu aquela aceleração formidável pela qual o inconcebível se torna real, sensível e manejável. Não eram secretos por amor ao secreto, mas simplesmente porque as suas descobertas das leis da energia, da matéria e do espírito se tinham efetuado noutro estado de consciência, incomunicável diretamente. Eram secretos, porque ser é ser diferente.
Por tradição atenuada, como em recordação de tão alto exemplo, o calão é nos nossos dias um dialeto à margem, usado pelos insubmissos, ávidos de liberdade, pelos proscritos, os nômades, por todos aqueles que vivem à margem das leis vigentes e das convenções. Esses eram os voyants (videntes), ou seja, por corrupção da palavra, os voyous (que veio a significar vadios), e entre eles havia-os que se proclamavam Filhos do Sol, sendo assim L'art got a arte da luz ou do espírito.
Mas reencontraremos a tradição sem degenerescência se nos apercebermos de que esse art got, que é arte do espírito, é hoje a arte dos seres matemáticos e dos integrais de Lebesque, dos números para além do Infinito; a dos físicos matemáticos que edificam, em curvas insólitas, em luzes interditas, em trovoadas e em chamas, as catedrais para as missas do futuro.
Estas observações arriscam-se a parecer revoltantes para um leitor religioso. Mas não são. Pensamos que as possibilidades do cérebro humano são infinitas. Isto põe-nos em contradição com a psicologia e a ciência oficiais, que têm confiança no homem, sob a condição de que ele não ultrapasse o quadro traçado pelos racionalistas do século XIX. Isto não deveria pôr-nos em contradição com o espírito religioso, pelo menos com o que tem de mais puro e de mais alto.
O homem pode atingir os segredos, ver a luz, ver a Eternidade, apreender as leis da Energia, adaptar a sua marcha interior ao ritmo do destino universal, ter um conhecimento sensível da última convergência das forças e, como Teilhard de Chardin, viver da incompreensível vida do ponto Ômega onde toda a criação se encontrará, no final do tempo terrestre, a um tempo terminada, consumida e exaltada. O homem tudo pode. A sua inteligência, equipada provavelmente, desde a origem, para um conhecimento infinito, pode, em certas condições, apreender o conjunto dos mecanismos da vida. O poder da inteligência humana inteiramente manifestada provavelmente pode atingir a totalidade do Universo. Mas esse poder cessa onde essa inteligência, chegada ao termo da sua missão, pressente que ainda há qualquer coisa para além do Universo.
Aqui, a consciência analógica perde toda a possibilidade de funcionar. Não há, no Universo, modelos do que está para além do Universo. Essa porta intransponível é a do Reino de Deus. Aceitamos essa expressão, nesta acepção: Reino de Deus.
Por ter tentado ultrapassar o Universo imaginando um número maior que tudo o que se poderia conceber no Universo, por ter tentado constituir um conceito que o Universo não pudesse preencher, o genial matemático Cantor acabou na loucura. Há uma última porta que a inteligência analógica não pode abrir. Poucos textos igualam em grandeza metafísica aquele onde H. P. Lovecraft' tenta descrever a aventura desvairada do homem desperto que teria conseguido entreabrir essa porta e portanto afirmaria ter penetrado ali onde Deus reina para além do infinito. . .
Ele sabia que um tal Randolph Carter, de Boston, tinha existido; no entanto não podia saber com certeza se era ele próprio, fragmento ou faceta de entidade para além da última Porta, ou qualquer outro, que fora esse Randolph Carter. O seu eu fora destruído, e, no entanto, graças a qualquer faculdade inconcebível, tinha igualmente consciência de ser uma legião de eu. Se é que nesse sítio, onde a menor noção de existência individual estava abolida, podia sobreviver, sob qualquer forma, uma coisa tão singular. Era como se o seu corpo tivesse sido bruscamente transformado numa dessas efígies, de múltiplas cabeças e membros, dos templos hindus. Num esforço insensato, contemplando esse aglomerado, tentava separar o seu corpo original - se é que podia existir um corpo original...
Nessas terrificantes visões, esse fragmento de Randolph Carter que ultrapassara a última Porta foi arrancado ao nadir do horror para mergulhar nos abismos de um horror ainda mais profundo e, dessa vez, isso vinha do interior: era uma força, uma espécie de personalidade que bruscamente lhe fazia frente e o envolvia ao mesmo tempo, se apossava dele e se integrava a sua própria presença, coexistia a todas as eternidades, era contíguo a todos os espaços.
Não havia qualquer manifestação visível, mas a percepção dessa entidade e a temível combinação dos conceitos de entidade e de infinidade provocava-lhe um terror paralisante. Esse terror ultrapassava de longe todos os que, até ali, Carter suspeitara que existiam... Essa entidade era uma e um todo, um ser a um tempo infinito e limitado que não fazia apenas parte de um contínuo espaço-tempo, mas que fazia parte integrante do turbilhão eterno das forças de vida, do último turbilhão sem limites que tanto ultrapassa as matemáticas como a imaginação.
Essa entidade talvez fosse aquela que certos cultos secretos da Terra evocam em voz baixa e que os espíritos vaporosos das nebulosas espirais designam por meio de um signo impossível de reproduzir... E, num relâmpago, projetado ainda mais longe, o fragmento de Carter conheceu a superficialidade, a insuficiência do que acabava de experimentar mesmo disso, mesmo disso.. .
Voltemos ao nosso assunto inicial. Nós não dizemos: existe, na imensa superfície silenciosa do cérebro, uma máquina eletrônica analógica. Dizemos: visto que existem máquinas aritméticas e máquinas analógicas, não seria possível imaginar, para além do funcionamento da nossa inteligência em estado normal, um funcionamento em estado superior? Poderes da inteligência que pertenceriam à mesma categoria dos da máquina analógica? A nossa comparação não deve ser tomada à letra. Trata-se de um ponto de partida, de uma rampa de lançamento em direção às regiões da inteligência ainda selvagens, quase por explorar. Nessas regiões, a inteligência talvez comece bruscamente a cintilar, iluminando as coisas habitualmente escondidas do Universo. De que forma consegue ela atingir essas regiões onde a sua própria vida se torna prodigiosa? Por que operações se dá a mudança de estado? Não afirmamos que o sabemos. Dizemos que há, nos ritos mágicos e religiosos, na imensa literatura antiga e moderna consagrada aos momentos singulares, aos instantes fantásticos do espírito, milhares e milhares de descrições fragmentárias que seria necessário reunir, comparar, e que talvez evoquem um método perdido - ou um método futuro.
Pode dar-se o caso de que por vezes a inteligência roce, como que por acaso, a fronteira dessas regiões selvagens. Aí põe em movimento, durante uma fração desegundo, as máquinas superiores de que distingue confusamente o ruído. É a minha história da relavote, são todos esses fenômenos ditos parapsicológicos cuja existência tanto nos perturba, são esses extraordinários e raros fachos iluminativos, um, dois ou três, que a maior parte das pessoas sensitivas sentem no decorrer da vida, e sobretudo nas mais tenras idades. Nada resta, apenas a recordação. transpor essa fronteira (ou, como dizem os textos tradicionais: entrar no estado de vigília) provoca um benefício muito maior e não parece ser obra do acaso. Tudo leva a pensar que essa ultrapassagem exige a reunião e a orientação de um enorme número de forças, exteriores e interiores. Não é absurdo supor que essas forças estão à nossa disposição.
Simplesmente, falta-nos o método. Também nos faltava o método, há pouco tempo, para libertar a energia nuclear. Mas talvez essas forças estejam apenas à nossa disposição no caso de nós comprometermos, para as captar, a totalidade da nossa existência. Os ascetas, os santos, os taumaturgos, os videntes, os poetas e os sábios de gênio não dizem outra coisa. E é o que escreve William Temple, moderno poeta americano: Nenhuma revelação especial é possível se a própria existência não for um instrumento de revelação.
Retomemos portanto a nossa comparação. Foi durante a segunda guerra mundial que a pesquisa operacional nasceu. Para que a necessidade de semelhante método se fizesse sentir era necessário que se pusessem problemas que escapavam ao bom¬senso e à experiência. Portanto os tácticos recorreram aos matemáticos:
Quando uma situação, pela complexidade da sua estrutura aparente e da sua evolução visível, não pode ser dominada pelos processos habituais, pede-se aos cientistas para tratarem essa situação da mesma forma que, na sua especialidade, tratam os fenômenos da natureza, e para, desta forma, elaborarem uma teoria. Criar a teoria de uma situação ou de um objeto é imaginar um modelo abstrato cujas propriedades simularão as propriedades desse objeto. O modelo é sempre matemático. Por seu intermédio, as questões concretas são traduzidas em propriedades matemáticas.
Trata-se do modelo de uma coisa ou de uma situação demasiado nova ou demasiado complexa para ser apreendida na sua realidade total pela inteligência. Em pesquisa operacional fundamental, há então interesse em construir uma máquina eletrônica analógica de forma que essa máquina realize o modelo. Pode-se então, manipulando os botões de regulamento e vendo-a funcionar, encontrar respostas para todas as perguntas em vista das quais o modelo foi concebido.
Essas definições são extraídas de um boletim técnico. São mais importantes, para uma visão do homem desperto, para uma compreensão do espírito mágico, do que a maior parte das obras de literatura ocultista. Se nós traduzirmos modelo por ídolo ou símbolo, e máquina analógica por funcionamento iluminativo do cérebro ou estado de hiperlucidez, vemos que o mais misterioso caminho do conhecimento humano - aquele que se recusa a admitir os herdeiros do século XIX positivista- é um verdadeiro egrande caminho. É a técnica moderna que nos convida a considerá-lo como tal.
A presença dos símbolos, signos enigmáticos e de expressão misteriosa nas tradições religiosas, as obras de arte, os contos e os costumes do folclore provam a existência de uma linguagem universalmente espalhada no Oriente assim como no Ocidente, e cuja significação trans-histórica parece situar-se na própria raiz da nossa existência, dos nossos conhecimentos e dos nossos valores '.
Ora, o que é o símbolo, senão o modelo abstrato de uma realidade, de uma estrutura, que a inteligência humana não pode dominar inteiramente, mas cuja teoria esboça?
O símbolo revela certos aspectos da realidade -os mais profundos - que desafiam qualquer processo de conhecimento 2. Como o modelo que o matemático elabora a partir de um objeto ou de uma situação que escapa ao bom-senso ou a experiência, as propriedades do símbolo simulam as propriedades do objeto ou da situação assim abstratamente representados, e cujo aspecto fundamental se mantém dissimulado. Em seguida seria necessário que uma máquina eletrônica analógica fosse montada e funcionasse, a partir desse modelo, para que o símbolo mostrasse a realidade que contém e as respostas a todas as perguntas em vista das quais foi concebido.
O equivalente dessa máquina, supomos nós, existe no homem. Certas atitudes mentais e físicas ainda mal conhecidas podem provocar-lhe o funcionamento. Todas as técnicas, ascéticas, religiosas, mágicas parecem orientadas para esse resultado, e é provavelmente isso que a tradição, percorrendo toda a história da humanidade, exprime ao prometer aos sábios o estado de vigília. Assim, os símbolos talvez sejam os modelos abstratos, estabelecidos desde as origens da humanidade pensante, a partir dos quais as estruturas profundas do Universo nos poderiam ser sensíveis.
Mas atenção! Os símbolos não representam a coisa em si, o fenômeno em si. Seria igualmente falso pensar que eles são pura e simplesmente esquematizações. Na pesquisa operacional, o modelo não é o modelo reduzido ou simplificado de uma coisaconhecida. É o ponto de partida possível em vista do conhecimento dessa coisa. É um ponto de partida situado fora da realidade: situado no universo matemático. Em seguida será necessário que a máquina analógica, construída sobre esse modelo, entre em transes eletrônicos para que as respostas práticas sejam dadas.
Eis porque todas as explicações dos símbolos aos quais se dedicam os ocultistas são sem interesse. Eles trabalham sobre os símbolos como se se tratasse de esquemas traduzíveis pela inteligência no estado normal. Como se, desses esquemas, se pudesse caminhar imediatamente para uma realidade. Desde há séculos que assim ocupam o seu tempo na Cruz de Santo André, na suástica, na estrela de Salomão, e o estudo das estruturas profundas do Universo nem por isso avançou.
Devido a uma inspiração da sua sublime inteligência, Einstein conseguiu entrever (não a apreender totalmente, não a incorporar-se e a dominar) a relação espaço-tempo. Para comunicar a sua descoberta no grau em que ela é inteligentemente comunicável, e para se ajudar a si próprio, no sentido de se elevar até à sua própria visão iluminativa, desenha o signo e/ou triedro de referência. Esse desenho não é um esquema darealidade. É vulgarmente inutilizável. É um levanta-te e caminha! para o conjunto dos conhecimentos físico-matemáticos. Mas todo esse conjunto posto em movimento num cérebro potente não conseguirá senão reencontrar o que esse triedro evoca, e não passar ao Universo onde existe a lei expressa por esse signo. No final dessa marcha, porém, saber-se-á pelo menos que este outro universo existe.
Todos os símbolos são talvez da mesma categoria. A suástica invertida, ou Cruz gamada, cuja origem se perde no mais longínquo passado, talvez seja o modelo da lei que preside a toda a destruição. Cada vez que há destruição, na matéria ou no espírito,
o movimento das forças é talvez conforme a esse modelo, da mesma forma que a relação espaço-tempo é conforme ao triedro. Assim também, diz-nos o matemático Eric Temple Bell, talvez a espiral seja o modelo da estrutura profunda de toda a evolução (da energia, da vida, da consciência).
Pode ser que no estado de vigília o cérebro possa funcionar como a máquina analógica a partir de um modelo estabelecido, e que desta forma ele penetre, a partir da suástica, a estrutura universal da destruição, a partir da espiral, a estrutura universal da evolução. Os símbolos, os signos são talvez, portanto, modelos concebidos para as máquinas superiores do nosso espírito, em vista ao funcionamento da nossa inteligência noutro estado. A nossa inteligência, no seu estado vulgar, talvez trabalhe, com o seu vértice mais delicado, desenhando modelos graças aos quais, passando para um estado superior, poderia incorporar-se a última realidade das coisas.
Quando Teilhard de Chardin chega a atingir o ponto Ômega, elabora dessa forma o modelo do último ponto da evolução. Mas para sentir a realidade desse ponto, para viver em profundidade uma realidade tão pouco imaginável, para que a consciência integre essa realidade, a assimile por completo -para que a consciência, no fim decontas, se transforme ela própria no ponto Ômega e apreenda tudo o que é apreensível num tal ponto: o sentido último da vida da Terra, o destino cósmico do Espírito realizado, para além do final dos tempos no nosso globo -, para que essa passagem da idéia ao conhecimento se faça, seria necessário que surgisse outra forma de inteligência.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Despertar dos Mágicos (69). Fulcanelli, ao falar do mistério das Catedrais, Wiener, ao falar da estrutura do Tempo




Como funciona normalmente o cérebro? Funciona como máquina aritmética binária: sim, não, de acordo, não de acordo, verdadeiro, falso, gosto, não gosto, bom, mau. Como binário, o nosso cérebro é invencível. Grandes computadores humanos conseguiram ultrapassar as máquinas eletrônicas.

Louis Pauwels e Jacques Bergier. DIFEL

O que é uma máquina aritmética? É uma máquina que, com extraordinária rapidez, classifica, aceita e recusa, arruma os diversos fatores por séries. No fim de contas, é uma máquina que põe ordem no Universo. Imita o funcionamento do nosso cérebro.
O homem classifica. Esta é a sua honra. Todas as ciências são baseadas num esforço de classificação.
Sim, mas existem, também, atualmente, máquinas eletrônicas que não funcionam apenas aritmeticamente como também analogicamente. Exemplo: se se deseja estudar todas as condições de resistência da barragem que se constrói, elabora-se um plano da barragem. Efetuaram-se todas as observações possíveis a respeito desse plano. Fornecem à máquina o conjunto dessas observações. Esta coordena, compara a uma velocidade inumana, estabelece todas as conexões possíveis entre essas mil observações de pormenor, e declara: Se não se reforçar o calço do terceiro pilar desmoronar-se-á em 1984.
A máquina analógica fixou, com o seu olho imóvel e infalível, o conjunto das reações da barragem, depois previu todos os aspectos da existência dessa barragem, assimilou essa existência e deduziu-lhe todas as leis. Ela viu o presente na sua totalidade, estabelecendo a uma velocidade que contrai o tempo todas as relações possíveis entre todos os fatores particulares, e pôde ver, simultaneamente, o futuro. No fim de contas, passou do saber ao conhecimento.
Ora pensamos que o cérebro pode, também ele, em certos casos, funcionar como uma máquina analógica. Quer dizer que ele deve poder:
1º - Reunir todas as observações possíveis a respeito de um caso;
2º - Estabelecer a lista das revelações constantes entre os múltiplos aspectos do caso;
3º - Transformar-se, por assim dizer, no próprio caso, assimilar-lhe a essência e descobrir a totalidade do seu destino.
Tudo isto, evidentemente, a uma velocidade eletrônica, realizando-se dezenas de milhares de conexões numa espécie de tempo atomizado. Esta série fabulosa de operações precisas, matemáticas, é o que por vezes chamamos uma iluminação, quando o mecanismo, por acaso, se põe em marcha. Se o cérebro pode funcionar como uma máquina analógica, pode, igualmente, trabalhar, não sobre a própria coisa, mas sobre uma maquete da coisa. Não sobre o próprio Deus, mas sobre um ídolo. Não sobre a eternidade, mas sobre uma hora. Não sobre a Terra, mas sobre um grão de areia. Quer dizer que deve poder, estabelecendo-se as conexões a uma velocidade que ultrapassa o raciocínio binário mais rápido, sobre uma imagem representando o papel de maquete, ver, como dizia Blake, o Universo num grão de areia e a eternidade numa hora.
Se isto se passasse assim, se a velocidade da classificação, de comparação, de dedução estivesse formidavelmente acelerada, se nossa inteligência se encontrasse, em certos casos, como a partícula no ciclotron, teríamos a explicação de toda a magia. A partir da observação de uma estrela a olho nu, um sacerdote maia teria podido reorganizar no seu cérebro o conjunto do sistema solar e descobrir Urano e Plutão sem telescópio (assim como o provam, parece, alguns baixos-relevos). A partir de um fenômeno no crisol, o alquimista poderia conseguir uma representação exata do átomo mais complexo e descobrir o segredo da matéria. Ter-se-ia a explicação da fórmula segundo a qual: O que está em cima é semelhante ao que está em baixo.
No domínio mais grosseiro da magia imitativa, compreender-se-ia de que forma o mágico pré-histórico, contemplando na sua gruta a imagem do bisão cerimonial, conseguia apreender o conjunto das leis do mundo bisão e anunciar à tribo a data, o local e as épocas favoráveis para a próxima caçada.
Os técnicos da cibernética construíram máquinas eletrônicas que funcionam primeiro aritmeticamente, depois analogicamente. Estas máquinas servem inclusivamente para o deciframento das linguagens cifradas. Mas os sábios são assim: eles recusam-se a imaginar que O que o homem criou possa também sê-lo. Estranha humildade!
Admitimos esta hipótese: o homem possui uma aparelhagem pelo menos igual, senão superior, a qualquer aparelhagem tecnicamente realizável, e destinada a atingir o resultado que se propõe qualquer técnica, a saber a compreensão e o manejo das forças universais. Por que motivo não possuiria ele uma espécie de máquina eletrônica analógica nas profundezas do seu cérebro? Sabemos atualmente que nove décimos do cérebro humano não são utilizados na vida consciente normal e o doutor Warren Penfield demonstrou a existência, em nós, desse vasto domínio silencioso. E se esse domínio silencioso fosse uma imensa sala de máquinas prestes a porem-se em movimento, à espera de uma ordem? Se assim fosse, a magia teria razão.
Temos correios: as secreções dos hormônios ramificam-se em mil locais do nosso corpo para provocar excitações. Temos um telefone: o nosso sistema nervoso; beliscam-me, eu grito; tenho vergonha, coro, etc. Porque não teríamos também um rádio? O cérebro emite talvez ondas que se propagam a grande velocidade e que, como as ondas hiperfreqüências que penetram nos condutores ocos, circulam no interior dos cilindros de mieline que são os nervos. Neste caso possuiríamos um sistema de comunicações e conexões desconhecido. O nosso cérebro emite talvez sem cessar tais ondas, mas os receptores não são utilizados, ou então não começam a funcionar senão em raras ocasiões, como esses postos de T.S.F. mal sintonizados que um choque torna por instantes sonoros.
Eu tinha sete anos. Encontrava-me na cozinha, ao lado de minha mãe, que lavava a louça. A minha mãe pegou num esfregão para retirar a gordura dos pratos, e pensou, nesse mesmo momento, que a sua amiga Raymonde chamava esse objeto uma relavote (de lavar, limpar). Eu estava a tagarelar, mas, nesse próprio segundo parei e disse: a Raymonde chama a isto uma relavote. Não me recordaria deste incidente se minha mãe, vivamente impressionada, não mo tivesse várias vezes recordado, como se tivesse adivinhado um grande mistério e sentido, num bafo de alegria, que eu era ela, e que recebera uma prova mais do que humana do meu amor. Mais tarde, quando eu a fazia sofrer, nos momentos de trégua ela evocava esses segundos do encontro, como que para se convencer de que qualquer coisa de mais profundo que o seu sangue passara dela para mim.
Sei bem tudo o que se deve pensar das coincidências, e mesmo dessas coincidências privilegiadas que Jung chama significativas, mas parece-me, por ter vivido momentos análogos com um amigo muito caro, com uma mulher amada apaixonadamente, que é necessário ultrapassar a noção de coincidência e ousar atingir uma interpretação mágica. Basta para isso chegar a um acordo sobre a palavra mágico.
Que se passou nessa cozinha, numa tarde dos meus sete anos? Creio que involuntariamente devido a um choque imperceptível, um ínfimo estremecimento comparável à onda ligeira que faz cair um objeto muito tempo em equilíbrio, um ínfimo estremecimento provocado por puro acaso, uma máquina, em mim próprio, tornada infinitamente sensível por milhares de impulsos de amor, desse simples, violento, exclusivo amor de infância, se pôs bruscamente a funcionar. Essa máquina do meu cérebro, na fábrica cibernética da Bela Adormecida, contemplou minha mãe. Viu-a, recolheu e classificou todas as facetas do seu pensamento, do seu coração, dos seus humores, das suas sensações; transformou-se na minha mãe; teve conhecimento da sua essência e do seu destino até esse instante.
Fixou, arrumou, a uma velocidade maior que a luz, todas as associações de sentimentos e de idéias que tinham desfilado em minha mãe desde o seu nascimento, e chegou à última associação, a do esfregão, de Raymonde e da relavote. E então eu exprimi o resultado do trabalho dessa máquina, que fora executado tão loucamente depressa que o seu próprio fruto me atravessava sem deixar vestígios, como os raios cósmicos nos atravessam, sem provocar qualquer sensação. Eu disse: Raymonde chama a isto uma relavote. Depois a máquina parou, ou então deixei de ser receptivo depois de o ter sido durante um milionésimo de segundo, prossegui a frase iniciada antes. Antes que o tempo parasse, ou melhor, se acelerasse em todos os sentidos, passado, presente, futuro; é a mesma coisa.
Eu viria a experimentar, noutras circunstâncias, coincidências da mesma natureza. Creio que é possível interpretá-las dessa forma. Pode ser que a máquina funcione constantemente, mas que nós só possamos ser receptivos ocasionalmente. Para mais, essa receptividade só pode ser raríssima. Talvez seja nula em certas pessoas. Desta forma há pessoas que têm sorte, e outras que a não tem. Os felizardos seriam aqueles que, por vezes, recebem uma mensagem da máquina: ela analisou todos os elementos da conjuntura, classificou, escolheu, comparou todos os efeitos e todas as causas possíveis e, descobrindo desta forma o melhor caminho do destino, pronunciou o oráculo, que foi recolhido sem que, nem ao de leve, a consciência suspeitasse desse trabalho formidável.
Esses são queridos dos deuses, de fato. Eles são de tempos a tempos ligados para a sua fábrica. Para só falar de mim, tenho aquilo a que se chama sorte. Tudo me leva a crer que os fenômenos que presidem a esta sorte são da mesma espécie que os fenômenos que presidem à história da relavote.
E assim nós começamos a aperceber de que a concepção mágica das relações do homem com outrem, com as coisas, com o tempo -que essa concepção não é completamente estranha a uma reflexão livre e viva sobre a técnica e a ciência modernas. É a modernidade que nos permite acreditar no mágico. São as máquinas eletrônicas que nos fazem tomar a sério o feiticeiro pré-histórico e o sacerdote maia. Se se estabelecerem conexões ultra-rápidas no domínio silencioso do cérebro humano e se, em certas circunstâncias, o resultado desse trabalho é captado pela consciência, determinadas práticas dessa magia imitativa, determinadas revelações proféticas, determinadas iluminações poéticas ou místicas, determinadas divinações, que levamos à conta do delírio ou acaso, serão de considerar como aquisições reais do espírito em estado de vigília.
Aliás, há vários anos que sabemos que a natureza não é razoável. Ela não se adapta à forma vulgar do funcionamento da inteligência. Para a parte do nosso cérebro normalmente utilizável, qualquer raciocínio é binário. Isto é negro ou branco. É sim ounão. É contínuo ou descontínuo. A nossa máquina de compreender é aritmética. Classifica e compara. Todo o Discurso do método se baseia nisso. Toda a filosofia chinesa do Ying e do Yang também (e o Livro das mudanças, único livro de oráculos do qual a antiguidade nos transmitiu as leis, é composto por figuras gráficas: três linhas contínuas, três descontínuas em todas as ordens possíveis). Ora, como o dizia Einstein no final da sua vida: Pergunto a mim próprio se a natureza joga sempre o mesmo jogo.
De fato, dá a impressão que a natureza escapa à máquina binária que é o nosso cérebro no seu estado de marcha normal. Desde Louis de Broglie fomos obrigados a admitir que a luz é simultaneamente contínua e quebrada. Mas nenhum cérebro humano conseguiu a representação de tal fenômeno, a compreensão a partir do interior, um conhecimento real. Admite-se. Sabe-se. Mas não se conhece. Imagine-se agora que, sobre um modelo da luz (toda a literatura e iconografia religiosas abundam em evocações da luz), um cérebro passa do estado aritmético ao estado analógico, no relâmpago do êxtase.
Transforma-se na luz. Ele vive o incompreensível fenômeno. Nasce com ele. Conhece¬ o. Ele chega onde a sublime inteligência de Broglie não consegue chegar. Depois volta a cair, o contacto com as máquinas superiores é cortado, essas máquinas que funcionam na imensa galeria secreta do cérebro humano. A sua memória apenas lhe restitui os restos do conhecimento que acaba de adquirir. E a linguagem é impotente até para traduzir esses restos. Talvez certos místicos tenham conhecido desta forma os fenômenos da natureza que a nossa inteligência moderna conseguiu descobrir e admitir, mas não logrou integrar.
E, da mesma forma que eu, o escriba perguntava Como, ou que coisa ela via, ou se via coisa corpórea. Ela respondia assim: eu via uma plenitude, uma claridade que me enchia de tal forma que não sei explicá-la ou dar qualquer similitude. . . Eis uma passagem daquilo que Ângela de Foligno ditou ao seu confessor, passagem essa absolutamente significativa.
O computador eletrônico, sobre uma maquete matemática de barragem ou de avião, funciona analogicamente. Em certa medida transforma-se nessa barragem ou nesse avião e dá a conhecer a totalidade dos aspectos da sua existência. Se o cérebro pode agir da mesma forma, começamos a compreender por que motivo o feiticeiro elabora uma estrutura invocando o inimigo que quer atingir ou desenha o bisão de que pretende descobrir o rasto. Espera diante desses esboços a passagem da sua inteligência do estado binário para o estado analógico, a passagem da sua consciência do estado ordinário para o estado de vigília superior. Ele aguarda que a máquina comece a trabalhar analogicamente, que se produzam, no domínio silencioso do seu cérebro, conexões ultra-rápidas que lhe revelarão a realidade total da coisa representada. Ele espera, mas não passivamente. Que faz então? Escolheu a hora e o local em função de ensinamentos antigos, de tradições que talvez sejam o resultado de uma série de experiências. Tal momento de tal noite, por exemplo, é mais favorável que outro tal momento de tal outra noite, talvez devido ao estado do céu, da radiação cósmica, da disposição dos campos magnéticos, etc.
Ele coloca-se numa determinada posição bem precisa. Faz certos gestos, uma dança especial, pronuncia certas palavras, emite sons, modula um sopro, etc. Ainda se não suspeitou que poderia tratar-se de técnicas (embrionárias, hesitantes) destinadas a provocar o estremecimento das máquinas ultra-rápidas contidas na parte adormecida do nosso cérebro. Os rituais talvez não sejam mais do que conjuntos complexos de disposições rítmicas susceptíveis de provocar uma atividade das funções superiores da inteligência. Uma espécie de voltas de manivela, mais ou menos eficazes. Tudo leva a crer que o funcionamento dessas funções superiores, desses cérebros eletrônicos analógicos, exigem ramificações mil vezes mais complicadas subtis que aquelas necessárias para a passagem do sono à lucidez.
Depois dos trabalhos de Von Frisch, sabe-se que as abelhas têm uma linguagem: desenham no espaço figuras matemáticas infinitamente complicadas, durante o vôo, e comunicam desta forma entre si as informações necessárias à vida da colméia. Tudo leva a crer que o homem, para estabelecer comunicação com os seus poderes mais elevados, deve pôr em jogo uma série de impulsos pelo menos tão complexos, tão tênues e tão estranhos àquilo que habitualmente determina os seus atos intelectuais.
As rezas e os rituais perante os ídolos, perante as figuras simbólicas das religiões, seriam portanto tentativas para captar e orientar energias subtis (magnéticas, cósmicas, rítmicas, etc), para provocar o movimento da inteligência analógica que permitiria ao homem conhecer a divindade representada.
Se assim é, se existem técnicas para obter do cérebro um rendimento sem medida comum com os resultados da inteligência binária, mesmo que se tratasse da maior, e se essas técnicas apenas foram procuradas até aqui pelos ocultistas, compreende-se que a maior parte das importantes descobertas práticas e científicas, antes do século XIX, tenham sido feitas por estes.
A nossa linguagem, assim como o nosso passado, procede do funcionamento aritmético, binário, do nosso cérebro. Nós classificamos em sim, não, positivo, negativo, estabelecemos as comparações e deduzimos. Se a linguagem nos serve para ordenar
o nosso pensamento por sua vez inteiramente ocupado em organizar, é necessário verificar que ela não é um elemento criador exterior, um atributo divino. Ela não vem acrescentar um pensamento ao pensamento. Se eu falo ou escrevo, refreio a minha máquina. Não a posso descrever senão observando ao ralenti. Portanto apenas exprimo a minha tomada de consciência binária do mundo e mesmo assim quando essa consciência cessa de funcionar à velocidade normal. A minha linguagem é apenas testemunho do ralenti de uma visão do mundo também limitada ao binário. Esta insuficiência da linguagem é evidente e intensamente ressentida. Mas que dizer da insuficiência da própria inteligência binária?
A existência interna, a essência das coisas escapa-lhe. Pode descobrir que a luz é contínua e descontínua simultaneamente, que a molécula do benzeno estabelece entre os seus seis átomos relações duplas e no entanto mutuamente exclusivas; admite-o, mas não o pode compreender, não pode integrar ao seu próprio movimento a realidade das estruturas profundas que examina. Para o conseguir ser-lhe-ia necessário mudar de estado, seria preciso que outras máquinas diferentes das habitualmente usadas começassem a funcionar no cérebro, e que o raciocínio binário fosse substituído por uma consciência analógica que revestisse as formas e assimilasse os ritmos inconcebíveis dessas estruturas profundas. Talvez isso se produza, na intuição científica, na inspiração poética, no êxtase religioso e noutros casos que ignoramos. O recurso à consciência desperta, quer dizer, a um estado diferente do estado de vigílialúcida, é o leitmotiv de todas as antigas filosofias. É também o leitmotiv dos maiores físicos e matemáticos modernos, para quem qualquer coisa se deve passar na consciência humana para que ela passe do saber ao conhecimento.
Não é portanto surpreendente que a linguagem, que não consegue senão testemunhar uma consciência do mundo em estado de vigília lúcida normal, seja obscura desde que se trate de exprimir essas estruturas profundas, quer se trate da luz, da eternidade, do tempo, da energia, da essência do homem, etc. No entanto, distinguimos duas espécies de obscuridade. Uma provém de que a linguagem é o veículo de uma inteligência quese aplica a examinar essas estruturas sem nunca as poder assimilar. É o veículo de uma natureza que esbarra em vão com outra natureza. Quando muito, apenas traz o testemunho de uma impossibilidade, o eco de uma sensação de impotência e de exílio. A sua obscuridade é real. Trata-se apenas da obscuridade. A outra provém do fato que o homem que tenta exprimir-se experimentou, por instantes, outro estado de consciência. Viveu por um momento na intimidade dessas estruturas profundas.Conheceu-as. É o místico do tipo São João da Cruz, o sábio iluminado do tipo Einstein ou o poeta inspirado do tipo William Blake, o matemático arrebatado do tipo Galois, o filósofo visionário do tipo Meyrink.
Depois da queda, o vidente é incapaz de comunicar. Mas a partir daí, ele exprime a certeza positiva de que o Universo seria controlável e manejável se o homem pudesse combinar tão intimamente quanto possível o estado de vigília e o estado de supervigília. Qualquer coisa de eficaz, o perfil de um instrumento soberano aparece em tal linguagem. Fulcanelli, ao falar do mistério das Catedrais, Wiener, ao falar da estrutura do Tempo, são obscuros, mas aqui a obscuridade não é a obscuridade: ela é o sinal de que qualquer coisa brilha algures.